
O Buzzfeed é um site que nasceu como uma plataforma para criar virais mensagens que se espalham rapidamente por todos os cantos da internet e que agora está no centro da discussão do futuro do jornalismo na internet. Numa matéria publicada na última revista New York, intitulada "O Buzzfeed sabe o segredo?", o jornalista Andrew Rice dedica mais de 6 mil palavras para mostrar como esse site parece ter encontrado a fórmula para tornar o jornalismo uma operação lucrativa em tempos de internet o setor vive hoje um momento em que a audiência está migrando do papel para o mundo virtual, mas a receita não acompanha o movimento na mesma velocidade. O Buzzfeed, no entanto, está crescendo como nunca. O site registra cerca de 40 milhões de visitantes únicos ao mês, está avaliado no mercado em US$ 200 milhões e teve lucro estimado de US$ 40 milhões no ano passado um quinto do faturamento da área digital do The New York Times. Saiba alguns motivos de como o Buzzfeed está mexendo com a indústria da notícia e da propaganda on-line:
Foco no viral, não na home
O Buzzfeed não gira em torno de uma forte página de entrada as tradicionais homepages dos sites jornalísticos, que, por causa da maior visibilidade, concentram as matérias mais lidas do site. Em vez disso, o site é apenas um "depósito" dos links das matérias, e a ênfase é colocada na tentativa de transformar as histórias em virais nas redes sociais. Ou seja, não importa muito se uma matéria está ou não com destaque na página principal, o importante é que ela seja compartilhada por mais e mais gente. Jonah Peretti, o criador do site, afirma ter desenvolvido uma fórmula literalmente uma fórmula matemática de como um conteúdo se torna um viral na web. Em geral, listas como "21 coisas que você nunca mais vai fazer após a faculdade" e animais fofinhos figuram com frequência pelo Buzzfeed.
Modelo de negócio
O Buzzfeed não quer só criar conteúdo viral, mas quer que os anunciantes também se aproveitam dessa fórmula. No jornalismo, a divisão entre o conteúdo editorial e o comercial sempre foi tratado como uma separação de Estado e Igreja. No Buzzfeed, essa regra é bem mais nebulosa. O site não funciona com os tradicionais banners. Em vez disso, eles têm um modelo de negócio baseado na publicidade nativa (native advertising, em inglês). A ideia desse tipo de propaganda é que ela não prejudique a experiência do consumidor no site ao contrário dos banners e dos pop-ups, que interferem na leitura do site. Nesse modelo, porém, os anunciantes estão lado a lado com os jornalistas na criação de conteúdo. A distinção entre o que é conteúdo patrocinado e o que é da equipe de jornalistas nem sempre é clara. Um texto intitulado "14 tipos de pessoas que você encontra num trabalho em equipe", por exemplo, foi feito pela Skydrive, o serviço de armazenamento na nuvem da Microsoft. No meio das fotos e do texto, o leitor se depara com referências ao serviço. A "matéria" tinha mais de 3 mil compartilhamentos no Facebook. O engajamento do público com esse tipo de conteúdo é bem acima do que qualquer banner jamais poderia fazer. Segundo Rice, para cada 10 pessoas que visualizam uma matéria no Buzzfeed, 4 compartilham em uma rede social.
Equipe jornalística
Com dinheiro no caixa além do faturamento de US$ 40 milhões, a empresa recebeu investimentos de US$ 35 milhões nos últimos meses o Buzzfeed pode contratar um time de jornalistas de primeiro escalão trazendo credibilidade para a casa. O editor-chefe do site é Ben Smith, o jornalista que transformou o site Politico.com numa referência na área de cobertura política nos EUA.



