Pelo menos no orçamento dos casais, o condenado caixa 2 está liberado. Na opinião do especialista em finanças Gustavo Cerbasi, autor do livro Casais inteligentes enriquecem juntos, marido e mulher devem manter uma conta conjunta, mas tem direito a uma "mesadinha", uma reserva para gastos pessoais que não necessariamente precisam ser descriminados no orçamento familiar. "Como isso vai ser feito é o menos importante. Mas faz parte da individualidade ter um dinheiro para seus próprios gastos. Pode ser um presente-surpresa, por exemplo." A palestra de Cerbasi abriu ontem a primeira edição da ExpoMoney Curitiba, feira de finanças pessoais e investimentos, promovida pelo Caderno de Economia da Gazeta do Povo. A feira é realizada em São Paulo há quatro anos.
Para todo o restante rendimentos ou investimentos o especialista aposta na máxima da união faz a força. "No casal há hábitos e necessidades diferentes, mas para enriquecer juntos é preciso ter planos em comum para o futuro." Deixando de lado o romantismo, a orientação é bastante prática: "A não ser que haja um motivo específico, com uma conta só a massa de recursos é maior.
Conseqüentemente, o casal paga menos taxas no banco e tem acesso a fundos de investimentos melhores quando for investir."
Outra questão fundamental para manter a harmonia financeira do casal, segundo Cerbasi, é o diálogo. "O brasileiro em geral não tem o hábito de conversar sobre dinheiro, tampouco os casais", diz. "Mas nas discussões surgem as divergências e, delas, as alternativas." Casados há seis anos, o analista de sistemas Mauro Teixeira Trezub e a administradora de empresas Cláudia Meleni Trezub dizem que as conversas para estabelecer planos comuns garantiram ao casal um padrão de vida bem melhor hoje do que aquele que tinham quando trocaram alianças. "Com muito diálogo e organização, saímos de dívidas e estamos conseguindpo manter o orçamento equilibrado, apesar de termos comportamentos diferentes em relação ao dinheiro", conta Cláudia. "Na nossa casa, eu sou o consumista", admite o marido. "Então as rédeas são dela."
Para quem está ingressando na vida a dois, o especialista sugere muita cautela. "Esse é um bom momento para colocar o planejamento financeiro em prática. Mas é preciso ter cuidado, para não dar um passo maior que a perna." Cerbasi cita como exemplo a escolha da casa. "Nessa fase, não necessariamente a compra é a melhor opção, já que o casal muitas vezes não tem certeza do padrão de vida que terá condições de manter ou mesmo do número de filhos que terá", diz. "O aluguel, nesta etapa, pode dar flexibilidade e permitir ao casal investir para comprar, no futuro, uma casa maior."
A necessidade de investir, no entanto, segundo o analista, não é exclusividade dos casados. "A parte do salário destinada à poupança é a primeira que deve sair da conta. Um futuro garantido traz paz à relação." Para marido e mulher, Cerbasi sugere estabelecer um objetivo comum. "Não é preciso frustar o sonho de um ou de outro. Ao contrário, eles precisam calcular juntos o tamanho do sacrifício e por quanto tempo ele será necessário."



