O Conselho Sul-Americano de Economia e Finanças da Unasul alcançará nesta sexta-feira (25), na Argentina, novos acordos para enfrentar a crise global, em uma cúpula da qual o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não participou, informou à AFP uma fonte da reunião.
O ministro argentino da Economia, Amado Boudou, disse, ao abrir os debates, que os países da América do Sul "estão assistindo a uma nova sintonia regional, uma nova sinergia para enfrentar a crise internacional".
As sessões são realizadas em um aristocrático hotel do bairro de Retiro, com representantes do bloco formado por Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.
No entanto, a maioria dos países enviou a Buenos Aires vice-ministros de Economia ou Fazenda, com a ausência de ministros e alguns presidentes de bancos centrais, entre eles o brasileiro.
Uma fonte da delegação brasileira informou à imprensa que o ministro Mantega não pôde comparecer "por razões de agenda" e que o governo argentino estava ciente.
"O encontro da Unasul é importante nesse momento em que o mundo desenvolvido encontra-se em uma situação de profunda turbulência, volatilidade, e em crise também política, pela dificuldade de encontrar o rumo adequado, enquanto os problemas se aprofundam", afirmou Boudou.
O documento da Unasul tratará da boa situação da região em matéria de saldos comerciais e das fortes reservas dos bancos centrais, afirmou a fonte do encontro.
"Estas discussões têm por objetivo aproveitar a solvência externa da região, dado que sua relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) é muito mais controlável", afirmou em coletiva de imprensa o argentino Roberto Feletti, presidente do Grupo de Trabalho de Integração Financeira (GTIF).
O encontro conta também com a presença da secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, e diretores da Corporação Andina de Fomento (CAF).
Feletti disse que no nível regional, "a situação da balança comercial e da conta-corrente é mais cômoda e há um importante acúmulo de reservas nos bancos centrais".
Frente ao abismo financeiro e econômico na Europa e nos Estados Unidos, em uma crise que dá sinais de se estender à China, o objetivo original do GTIF é reconfigurar a arquitetura financeira regional e compreender o cenário global, de modo a enfrentar o impacto na região.
Se a desaceleração econômica atingir a China, haverá um impacto no comércio com os países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que são fortes exportadoras para o gigante asiático.
A secretária-geral da Unasul, a colombiana María Emma Mejía, disse esta semana em Berlim que a América Latina "é parte da solução e não do problema" da crise global.
"A América Latina vive um renascimento político, econômico e cultural sem precedentes. A América do Sul apresenta-se hoje como um exemplo", afirmou a alta funcionária regional, que substituiu no cargo o ex-presidente argentino, Néstor Kirchner.
Mejía disse que as nações sul-americanas "deixaram a periferia e passaram a fazer parte do centro do mundo como países emergentes".



