
Historicamente consideradas "defensivas" pelo pagamento de bons dividendos fatia do lucro da empresa distribuída aos acionistas , as ações do setor elétrico têm preocupado investidores no último ano. Desde a sanção da medida provisória de renovação das concessões em troca da cobrança de tarifas menores, em 14 de janeiro de 2013, os papéis caíram 17,6% até hoje, segundo índice do setor que reúne as 15 ações mais negociadas. O Ibovespa, principal índice da Bolsa, caiu 25% no período.
Veja como está o setor elétrico
As empresas que renovaram as concessões, como Eletropaulo (distribuidora de energia), tiveram queda mais acentuada. Já as que não renovaram, casos da Copel e da Cesp, a companhia de energia de São Paulo (ambas de geração e transmissão), caíram menos ou até subiram. A Copel, por exemplo, desvalorizou 13,82%. Já a Cesp, com valorização de 17,3% das ações no período até hoje, foi a única a não renovar a concessão em nenhum dos dois segmentos em que atua.
Assim, a empresa ficou com grande quantidade de energia descontratada, podendo ser vendida no mercado à vista, com preço mais alto. "Isso é uma vantagem, pois o preço dessa energia subiu bastante nos últimos meses", diz Sandra Peres, analista-chefe da Coinvalores.
Já quem aceitou renovar contratos em troca de redução das tarifas, acrescenta a analista, sofreu com o aumento do custo, especialmente nos últimos meses, quando o baixo nível dos reservatórios de água gerou necessidade de uso de termelétricas um meio mais caro de produção de energia.
Risco político
Para analistas, o risco político do setor elétrico aumentou bastante no último ano, pressionando as ações. "O mercado entendeu que o governo quis levantar a bandeira de corte na tarifa de energia a qualquer custo e meteu os pés pelas mãos", diz Carlos Müller, analista-chefe da Geral Investimentos.
Para ele, o plano de socorro anunciado na semana passada evidenciou isso. Dos R$ 12 bilhões anunciados para as distribuidoras de energia como reforço para equilibrar as contas, R$ 8 bilhões serão financiados pelo setor privado, com posterior repasse aos consumidores.



