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Varejo

Varejistas ignoram crise e investem

Aumento da renda e benefícios fiscais seguram as vendas do comércio, que continuam em alta

Danilo Ribeiro, da Toyota Sulpar: expectativa é manter o volume de vendas do ano passado | Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
Danilo Ribeiro, da Toyota Sulpar: expectativa é manter o volume de vendas do ano passado (Foto: Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo)

A crise ainda não afetou o humor das redes de varejo, que, apesar da retração econômica, vêm mantendo planos de investimentos. Enquanto o setor industrial já registra queda nos negócios, o comércio ainda exibe números positivos de vendas, o que tem ajudado a sustentar os projetos de expansão de supermercados, shopping centers, redes de material de construção e concessionárias de veículos.

As vendas do comércio ampliado – que inclui material de construção e automóveis – cresceram 6,5% no país em março na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos shoppings centers, os negócios superaram as expectativas do setor e cresceram 12% na mesma base de comparação, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).

"Apesar de ser um ano mais difícil, esperamos um aumento de 20% nas vendas" diz Eduardo Balarotti, diretor de marketing e vendas da Balaroti. A rede de lojas de material de construção está investindo R$ 15 milhões em novas unidades em 2009. Depois de inaugurar uma nova loja no bairro Portão, em Curitiba, a empresa acaba de lançar sua bandeira em Camboriú (SC). "Até o fim do ano, teremos mais uma loja em Ponta Grossa e outra em Santa Catarina e vamos reformar a unidade de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba."

A maior resistência do varejo à crise, pelo menos até agora, pode ser explicada pela combinação do aumento de renda, em função do reajuste do salário mínimo, e do fato de o desemprego não ter aumentado de maneira significativa. As desonerações fiscais – como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para fogões, geladeiras e máquinas de lavar, material de construção e automóveis – também têm contribuído para manter as vendas em alta.

O Wal-Mart está investindo R$ 1,6 bilhão na abertura de 90 novas lojas no país. "O volume estava programado desde a metade do ano passado e foi mantido mesmo com a crise", diz Rafael da Silva Gomes, diretor comercial da área de eletroeletrônicos do grupo no Brasil. De acordo com ele, apesar da desaceleração da economia, o consumidor continua disposto a comprar. Somente as vendas de linha branca no grupo devem fechar 2009 com um crescimento de até 18%, mesmo considerando o fim do benefício do IPI, em julho. "Vínhamos crescendo a taxas de 28%. Mas ainda assim é um ótimo resultado."

Segundo o presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Pedro Joanir Zonta, a queda da alíquota para eletrodomésticos de linha branca foi uma das responsáveis pelo aumento de vendas no Dia das Mães e, agora, ajuda a segurar as vendas desse tipo de produto no mesmo patamar do ano passado. Zonta, que também é dono da rede de supermercados Condor, diz que manteve os investimentos programados para esse ano. "Estamos seguindo o nosso cronograma, que é de abertura de quatro novas lojas, com investimentos de R$ 80 milhões", diz o empresário, que pretende crescer 26% e encerrar o ano com faturamento de R$ 1,45 bilhão. De acordo com Zonta, a minirreforma tributária estadual, que reduziu a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para 95 mil itens, também ajuda a manter as vendas.

Os supermercados e os shoppings centers também têm se beneficiado da migração do consumo de bens duráveis, que sofreram o efeito da redução do crédito nos últimos meses, para o de bens não-duráveis, como alimentos e roupas. Quanto mais dependente da demanda doméstica e menos vinculado ao crédito, menos o setor é afetado pela crise.

Shopping

O segmento de shoppings centers, que esperava um aumento de vendas de 8% em 2009, acumula uma alta de 12%. Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), estão previstas 20 inaugurações e novos centros comerciais no país em 2009, das quais três já realizadas.

De acordo com a BR Malls, hoje a maior empresa do setor em área bruta e que no Paraná administra os shoppings Curitiba e Estação, as lojas "âncoras", representadas pelas grandes redes, mais dependentes da venda a crédito, tiveram queda de 9,3% no primeiro trimestre. Em compensação as lojas "satélites" cresceram 9,2%.

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