Colégio Positivo, em Curitiba
Um dos colégios do Grupo Positivo em Curitiba.| Foto: Bruno Covello/Arquivo/Gazeta do Povo

A venda do sistema de educação do Positivo para a cearense Arco Educação, anunciada na terça (7), por R$ 1,65 bilhão, pode ser o primeiro passo para a uma nova batalha no segmento da educação, focada na disputa por redes de escolas de ensino básico e médio.

O motivo é que o principal foco da disputa entre os grandes grupos, o universitário, está saturado. “As empresas que atuam nesta área têm baixas margens, enfrentam a forte concorrência do ensino à distância são mais afetadas pela conjuntura econômica”, diz Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos. “Não é a toa que há fusões ocorrendo.”

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que em 2017 - último dado disponível - eram 2.152 unidades particulares de ensino superior, com 6,2 milhões de alunos matriculados.

Outros fatos que agravam a situação das empresas que atuam no segmento são o desemprego elevado - atualmente em 13,1%, segundo o IBGE, o que corresponde a 12,4 milhões de desempregados - e a fraca evolução da renda, que, já descontada a inflação, permaneceu praticamente estável entre os primeiros trimestres de 2018 e 2019. Este cenário ajuda a conter a expansão do segmento.

O analista lembra que há grupos, como o Anima, que estão usando outras estratégias para conquistar espaços no segmento de ensino superior. “Diante de tamanha saturação, eles não estão atuando no ensino à distância e estão focados em aumentar o número de alunos em seus campi."

Reações do mercado à venda do sistema Positivo de educação

O mercado reagiu bem à aquisição do sistema Positivo de educação pelo grupo cearense. As ações da Arco Educação, que são listadas na Nasdaq, em Nova York, tiveram uma valorização de 23,49% nesta quarta-feira (8), fechando o dia cotadas a US$ 38,69.

A negociação, que depende ainda do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), envolve os produtos dos sistemas de ensino para a área particular, dicionários, literatura e livros didáticos.

O acordo também envolve um contrato de longo prazo para o fornecimento do sistema Positivo de educação às unidades de ensino básico do Grupo Positivo e contrato de impressão de materiais junto à Posigraf, braço gráfico do grupo.

Não fazem parte da operação o sistema de ensino Aprende Brasil, focado em escolas públicas, nem qualquer outra empresa ou área do grupo.

O vice-presidente do Grupo Positivo, Lucas Guimarães, disse por meio de nota, que o objetivo da transação é o de reduzir as áreas de atuação do grupo, ter maior foco e ampliar a capacidade de investimento. Nos últimos anos, o grupo vem expandindo a área de atuação adquirindo unidades de ensino em Londrina, Ponta Grossa e Joinville. Novas aquisições não são descartadas.

O objetivo da Arco com o negócio é o de expandir a capilaridade e a área de abrangência. Com a aquisição do sistema de educação do Positivo, o grupo cearense deve ganhar em escala e passará a atender a 4,8 mil escolas e mais de 1,2 milhão de estudantes.

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