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O grupo francês de mídia Vivendi informou nesta sexta-feira (13) ter garantido uma fatia de 57,5 por cento da empresa brasileira de telecomunicações GVT, após uma disputa acirrada com a espanhola Telefónica.

A Vivendi --que não está habituada a entrar em guerras de preço em tentativas de aquisições-- fez oferta de 56 reais por ação da GVT, valor 10,9 por cento acima da proposta já melhorada uma vez da Telefónica, por meio de sua unidade no Brasil Telesp, de 50,50 reais por ação.

A Vivendi disse que já garantiu a compra de 37,9 por cento das ações da GVT e que tem opção irrevogável para adquirir mais 19,6 por cento do total.

"De acordo com as regras brasileiras, a Vivendi lançará uma oferta pública de aquisição de 100 por cento do capital da GVT por 56 reais cada ação", informou o conglomerado francês.

Em meados de setembro, a Vivendi se dispôs a pagar 42 reais por ação da GVT --33,3 por cento a menos que sua cartada final para assegurar o controle da companhia.

Semanas depois, a Telefónica, por meio da Telesp, entrou na briga e fez oferta de 48 reais, que acabou sendo elevada pelo próprio grupo espanhol para 50,50 reais.

Na quinta-feira, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deu anuência prévia para que ambas as interessadas na GVT seguissem adiante nas tratativas para compra da empresa-alvo.

No caso da Vivendi, sem restrições, por se tratar de uma concorrente nova no mercado brasileiro. Já o grupo espanhol, se fosse bem-sucedido, teria uma série de condições impostas pelo órgão regulador, como manter operações independentes por cinco anos.

As ações da GVT vêm sendo negociadas acima dos 50,50 reais que eram oferecidos pela Telefónica, na esperança de que a Vivendi poderia voltar à carga com uma nova proposta.

Nesta sexta-feira, o ânimo com essa possibilidade chegou a arrefecer durante parte do pregão, mas no meio da tarde os papéis da GVT saíram da mínima de 50,71 reais no dia e acabaram terminando a sessão na Bovespa a 53,34 reais, com ganho de 0,64 por cento.

A perda da GVT é um duro golpe às ambições do grupo espanhol no Brasil, que atua apenas no Estado de São Paulo e via na GVT o caminho mais curto para buscar uma presença em todo o país e competir com a Oi, que comprou a Brasil Telecom e ganhou musculatura nacional.

"Não há mais o que fazer (em relação à GVT). É um momento de reflexão, de conversas internas", disse uma fonte próxima à Telefónica à Reuters, sob condição de anonimato.

Oficialmente, a unidade brasileira do grupo espanhol informou, via assessoria de imprensa, que "manifesta seus melhores desejos de boa sorte à GVT".

Compras de ações

Em setembro, o Grupo Swarth e a Global Village Telecom, acionistas fundadores e controladores da GVT, fecharam acordo para vender um mínimo de 20 por cento de participação na companhia para a Vivendi, que pretendia comprar ao menos 51 por cento da empresa brasileira.

A proposta da Telefónica não foi negociada, como a feita pela Vivendi.

A GVT foi criada em 1999, com sede em Curitiba, no Paraná, e encerrou junho com cerca de 2,3 milhões de linhas em serviço, incluindo voz, banda larga, dados e serviços de voz sobre Protocolo de Internet.

Desde que a batalha pela GVT começou, alguns gestores de recursos --entre eles Nomura International, Morgan Stanley Uruguay e Eton Park-- informaram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que tinham superado ações representativas de mais de 5 por cento do capital da empresa.Ainda não está claro se são esses gestores que já concordaram em vender ações da GVT à Vivendi ao preço de 56 reais a unidade.

Procurada, a GVT disse que não iria se pronunciar sobre o assunto.

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