A briga de família que envolve o controle da Volkswagen teve uma virada durante o fim de semana. O presidente da maior montadora europeia, Ferdinand Piëch, anunciou que suspenderia o processo de fusão com a Porsche porque a dívida da concorrente, de 9 bilhões de euros, é muito elevada. Por trás da desculpa, está uma espécie de "troco" para uma ação não desejada por Piëch a investida de seu primo Wolfgang Porsche para assumir o controle da Volks.
A tomada pela Porsche era dada como certa no mercado automotivo e poderia transformar o modo como a Volks toca seus negócios. O estilo agressivo do executivo-chefe da Porsche, Wendelin Wiedeking, fez da pequena construtora de esportivos uma das mais lucrativas companhias do setor. Era esperado, por isso, um choque de gestão que levaria a Volks a competir pela liderança global em vendas.
O problema na estratégia da Porsche é que ela se endividou para comprar ações da Volks, da qual tem hoje 50,8% de participação. Com a crise econômica, os empréstimos passaram a pesar mais do que o esperado afinal, as vendas da empresa também foram abaladas. Agora, é a Porsche que precisa do caixa da Volks para equacionar seus débitos. E ter mais da metade das ações não será suficiente para isso, já que 20% da Volkswagen pertencem ao governo do estado alemão da Baixa Saxônia, que tem poder de veto em decisões importantes.
"A Porsche levaria para a Volks todo o conceito que a levantou nos últimos anos. Sua gestão é muito boa", diz o consultor do setor automotivo Raphael Galante. "Acho que essa negociação não acabou, porque o interesse da Porsche continua em pé." A diferença é que agora a montadora dos esportivos talvez tenha de aceitar condições impostas por Piëch, que, além de presidente da Volks, é acionista da Porsche.
Fiat
Outro processo de aquisição que pode ter reflexo sobre montadoras que operam no Brasil envolve a Fiat e a General Motors. A companhia italiana fez uma oferta para adquirir as operações europeia e latino-americana da GM. Com a participação que está adquirindo na Chrysler, a Fiat teria fôlego para disputar a vice-liderança global de vendas e disparar na liderança no Brasil.
"A reorganização do setor automotivo não tem volta. O mercado pede carros menores e mais econômicos, ao mesmo tempo em que a indústria precisa ter escala para sobreviver", diz Olavo Henrique Furtado, especialista em negócios internacionais da Trevisan Escola de Negócios. Para ele, porém, essa tendência não significa o fim da indústria automotiva americana. "Precisamos esperar o que o governo dos Estados Unidos vai dizer no caso da GM."



