
Ouça este conteúdo
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, esteve no Palácio do Planalto ao menos quatro vezes entre 2023 e 2024 e, em um desses encontros, teria falado diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a possível venda da instituição. As visitas constam em registros oficiais do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República obtidos através da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Segundo a apuração publicada nesta quarta (28) pelo Poder360, Vorcaro foi ao Planalto pela primeira vez nesta gestão de Lula no dia 4 de dezembro de 2023, às 15h42. Em 2024, houve mais duas entradas registradas, em 1º de março, às 14h33, e em 3 de abril, às 17h29.
A apuração aponta, entretanto, que ele teria ido ao Planalto uma terceira vez naquele ano, em uma reunião com Lula no dia 4 de dezembro fora da agenda oficial. A informação coincide com outra apuração divulgada na véspera por outros veículos e o encontro ocorrido em um momento em que o Banco Master já enfrentava dificuldades de liquidez.
A Gazeta do Povo procurou o Palácio do Planalto para se posicionar sobre as visitas e o encontro fora da agenda de Vorcaro com Lula e aguarda retorno.
A apuração do Poder360 não encontrou registros da entrada de Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto nos anos de 2025, quando o Master foi efetivamente liquidado pelo Banco Central, e nem neste mês de janeiro de 2026.
A reunião de Vorcaro com Lula não consta no relatório oficial de visitantes do GSI e foi revelada inicialmente pelo jornal O Globo, confirmada posteriormente pelo Poder360 e outros veículos. O Metrópoles também apurou que teriam participado da conversa o ex-ministro Guido Mantega; os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia); o economista Gabriel Galípolo, então indicado para a presidência do Banco Central; e Augusto Lima, então CEO do Banco Master. Mantega atuou como representante do banco no encontro.
Antes da conversa com Lula, Mantega teria tido uma reunião com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, chefe do Gabinete Pessoal da Presidência e assessor próximo do presidente. Na agenda oficial, apenas o nome de Mantega aparece. Após essa conversa, segundo apurou o Poder360, ele e Vorcaro teriam pedido para falar com Lula, que aceitou recebê-los em seguida.
VEJA TAMBÉM:
No encontro, segundo a apuração, Vorcaro afirmou que o Banco Master tinha como objetivo quebrar o monopólio do setor bancário, dominado por apenas algumas grandes instituições. Ele relatou que o BTG, do banqueiro André Esteves, teria demonstrado interesse em comprar o banco, mas sempre sugerindo que se tratava de um empreendimento sem lastro e oferecendo simbolicamente R$ 1.
O dono do Master disse que se sentia pressionado e não queria causar confusão no sistema financeiro. De forma direta, perguntou ao presidente se deveria vender o banco ou continuar tentando reduzir a concentração bancária no país.
Lula, segundo a apuração, teria respondido de maneira enfática e criticado o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cujo mandato estava perto do fim. O presidente também teria feito comentários negativos sobre André Esteves e aconselhado Vorcaro a seguir em frente sem vender o Banco Master ao BTG.









