
São Paulo - Líderes dos países da zona do euro (o chamado G-15 países que adotam o euro como moeda única) reunidos ontem em Paris decidiram permitir um refinanciamento "limitado" até o final de 2009 para os bancos da região e de acordo com as "condições do mercado", segundo o presidente francês, Nicolas Sarkozy.
Por enquanto, a reunião confirmou um consenso entre os países do G-15 sobre ações intervencionistas no sistema financeiro, mas cada país terá autonomia de tomar as decisões mais adequadas a sua realidade. Entre as medidas, estão confirmadas a garantia de empréstimos entre bancos até 2009 e a compra de ativos de empresas com dificuldades financeiras.
O resultado final é um plano com 14 medidas para estabilizar os mercados financeiros. O plano integral prevê que os governos ofereçam garantias e seguro, comprem papéis de companhias problemáticas, forneçam capital de qualidade para instituições financeiras por meio de ações preferenciais, entre outros instrumentos, e atuem para estabilizar os vencimentos de longo prazo.
"Não será um presente para os bancos", declarou o presidente francês. "O plano que aprovamos tem a vocação de ser aplicado em cada um de nossos Estados-membros com a flexibilidade que se necessite em função da diversidade de nossos sistemas financeiros e de nossas regras nacionais."
O pacote também solicita que o Banco Central Europeu (BCE) crie um instrumento para adquirir papéis comerciais de instituições financeiras e outras companhias e injete recursos em operações com falta de liquidez. Na semana passada, o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) aprovou um plano semelhante.
Os governantes do G-15 também querem que o BCE mantenha uma posição flexível para lidar com a crise o que pode ser interpretado como um pedido para que a entidade relaxe a política monetária, se necessário.
O presidente francês, que ocupa a presidência rotativa da União Européia, assegurou que "é preciso devolver aos bancos a liquidez que precisam, que possam obter financiamento a médio prazo e reforçar seus fundos próprios."
Sem dizer quanto o programa vai custar ou como será financiado, a declaração assinada pelos países do G-15 ao final do encontro afirma que os governos serão cautelosos em relação aos interesses dos contribuintes, e assegura que os atuais acionistas e dirigentes das empresas que vierem a ser resgatadas vão tolerar as conseqüências da intervenção governamental.
O documento acrescenta que as companhias que receberem ajuda emergencial serão reestruturadas. Contudo, ainda não está claro se os pontos contidos nesta declaração serão mantidos no texto final da cúpula.




