
O eixo social da sustentabilidade também deve ser trabalhado com as crianças, para que conheçam e respeitem as diferenças entre as pessoas. Segundo a geógrafa e professora dos cursos de Geografia e Pedagogia da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Maria Cristina Borges da Silva, há uma espécie de apartheid entre as crianças das escolas pública e privada, da periferia e dos grandes centros. "É importante mostrar que todas as pessoas e culturas contribuem para enriquecer o ambiente", diz. "Desta forma, damos condições para a formação de uma sociedade mais justa",diz.
Um dos projetos do Colégio Medianeira para promover a interação social e o respeito pelo próximo é o Estágio Social, coordenado pelo orientador religioso do ensino médio, Edilson Ribeiro, e realizado há 12 anos. Na quarta-feira da semana de Páscoa, os alunos voluntários do ensino médio vão para comunidades carentes atendidas pela escola e são "adotados" até o sábado por famílias dessa comunidade, previamente cadastradas no projeto, participando do cotidiano delas. Nestes dias, acompanhados por professores orientadores, os alunos visitam doentes, organizam jogos, conversam com as lideranças de movimentos populares, conhecem a cultura e a religião daquelas pessoas. "Ocorre um processo de sensibilização social. Os alunos conseguem relacionar o texto com o contexto, o conhecimento científico que recebem no colégio com a realidade social em que vivem", diz Edilson. "Este encontro resulta em um cidadão mais comprometido socialmente", completa.
O colégio também promove jornadas anuais que reforçam a educação ambiental e social dos alunos. Nelas, estudantes da 6ª série partem para destinos com aspectos geográficos diferentes. Neste ano, foram para Guaratuba, Colombo, Castro, Vila Velha, Witmarsum e Prudentópolis, estudar os diferentes biomas e aspectos sociais e culturais das cidades. Na versão regional da jornada, os alunos percorrem todo o caminho do Rio Belém e fazem uma análise do trajeto, prestando atenção não apenas à questão ambiental, mas também à situação social encontrada."Hoje, a criança não tem contato com realidades diferentes da dela, não convive em espaços públicos e não lê a cidade. É muito importante despertar este olhar", diz Eliane Dzierwa Zaionc, que coordena a atividade.



