
No mês de maio, o estudante Bruno Fernando de Oliveira Buzo, 17 anos, irá pela segunda vez representar o Brasil em uma feira de ciências nos Estados Unidos. Na bagagem, ele levará um filtro solar a base de urucum inventado por ele próprio.
O filtro é resultado de um trabalho de dois anos no colégio onde fez o ensino médio. Bolsista de um colégio particular da cidade paulista de Rio Claro, ele ficava, diariamente, uma ou duas horas no laboratório da escola, além do horário de aula, para trabalhar em seu projeto de iniciação científica.
Por causa da sua pesquisa, apresentada neste mês na 7ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace 2009) , ele recebeu como prêmio uma viagem aos Estados Unidos para mostrar a sua invenção em Feira Internacional de Ciências e Engenharia em Reno, no Estado de Nevada.Em 2008, Bruno já havia recebido o mesmo prêmio e foi até o EUA. "Naquele ano, não deu, mas estou bem mais confiante agora, porque o trabalho já está mais desenvolvido. A pressão é muito grande porque o seu trabalho de anos é avaliado em três dias", conta. "Haja unha para contornar o nervosismo", brinca.
Estudo
Segundo ele, a ideia inicial era estudar algum assunto relacionado ao aquecimento global, que é um tema bastante recorrente. Então, por sugestão de seu orientador, o professor José Eduardo Diotto, começou a pesquisar sobre câncer de pele.
"Eu fiquei chocado quando vi um dado da Sociedade Brasileira de Dermatologia que aponta que 74% dos pacientes com câncer de pele ganham menos de um salário-mínimo", conta.
"Essas pessoas de baixa renda ficam muito expostas ao sol porque em geral trabalham com corte de cana e construção civil sem nenhum tipo de proteção. E não é por falta de informação, mas por causa do preço dos filtros solares", diz. "Isso me estimulou muito a ir atrás de algo que pudesse trazer mais qualidade de vida para essa população."
Na sua pesquisa, ele verificou que a incidência de câncer de pele entre os índios é bem menor, apesar de estarem constantemente expostos ao sol. "A incidência é até menor do que entre negros. Levantei então uma hipótese, que a pintura corporal nos índios deveria ter alguma influência."
O estudante explica que fez um estudo comparativo entre duas tribos, uma que pintava o corpo com mais freqüência e outra mais urbanizada. "Na primeira, a Wai Wai, que usava mais pintura de urucum, havia cinco vezes menos incidência de câncer do que na segunda a Kaigang."
Ele, então, focou seus estudos no urucum. "Isolei o princípio ativo do urucum e desenvolvi um extrato que reduz em até 55% do preço o uso do filtro. O meu objetivo é que o SUS adotasse esse filtro como método profilático", afirma o aluno do primeiro ano do curso de medicina da PUC-Campinas, onde estuda com bolsa integral do ProUni (programa do governo federal que concede bolsas de estudo). Depois de formado, pretende seguir na área acadêmica e trabalhar como pesquisador.
Segundo Bruno, que aguarda a finalização da concessão da patente, o filtro de urucum, se for fabricado, poderá custar R$ 11 para o consumidor.



