Ser algo mais do que um depósito de livros. Daqui para frente, esse será o maior desafio das escolas brasileiras em relação a suas bibliotecas. Isso porque, por força de lei federal instituída em maio deste ano, todas as escolas são obrigadas a ter, até 2020, uma biblioteca com acervo de pelo menos um livro para cada aluno matriculado.
Algumas instituições paranaenses já desenvolvem atividades de leitura diferentes ou têm maneiras criativas de aproximar alunos e livros, estimulando a troca de ideias e experiências entre os estudantes. "Convidar escritores e poetas para palestras na biblioteca da escola é uma forma de manter um contato próximo dos livros com os alunos", diz Leilah Santiago Bufrem, doutora em Ciências da Comunicação e professora do curso de Gestão da Informação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Outro conceito que precisará mudar, segundo ela, diz respeito aos acervos, que devem ser ampliados para oferecerem suportes e mídias virtuais, como CDs, DVDs, e tornarem disponíveis aos alunos computadores e internet. O material deve ser atualizado no mesmo ritmo da atualização das informações.
Casos de sucesso
Em Londrina, o Projeto Palavras Andantes, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação (SME) da cidade, ganhou o prêmio nacional Viva Leitura, em 2008. A iniciativa tem o objetivo de transformar os espaços de leitura dos colégios do município em bibliotecas. "Organizamos os espaços, ampliamos o acervo, trabalhamos na capacitação dos professores mediadores de leitura, investimos em tecnologia e instituímos a Hora do Conto em toda a rede", conta a assessora pedagógica de Língua Portuguesa da SME de Londrina, Olinda Ribas.
Cerca de 140 professores estão envolvidos no projeto e participam de encontros mensais com bibliotecários e pedagogos de outras cidades que discutem assuntos como preservação e restauração de acervo e desenvolvimento de oficinas de leitura. "Eles também estão envolvidos na Hora do Conto, quando por 50 minutos, todas as semanas, os alunos até a 4.ª série são mobilizados para ouvir uma história ou fazer a leitura de um livro", explica Olinda.
A Escola Municipal Nympha Maria Peplow em Curitiba, também investiu na biblioteca e desenvolve atividades que estimulam a leitura não só dos alunos, mas também dos pais e funcionários da escola. O aluno que mais empresta livros aparece no mural "leitor do mês" e é convidado a contar para os amigos quais obras ele indica. "Há também uma estante com livros no pátio, externa à biblioteca, para que estudantes, pais e funcionários possam fazer uma leitura rápida enquanto estão nas dependências do colégio", diz a diretora Rosa Maria Miccelli.
Na escola, também há o projeto Mala da Leitura. Livros, revistas, CDs e DVDs são colocados em uma bolsa para que os alunos levem para casa e devolvam após uma semana. "Na mala estão materiais para estudantes e pais, que tratam de assuntos de interesse de cada faixa etária, para que a biblioteca vá até a comunidade", destaca Rosa.
Em Curitiba, 125 das 179 escolas da rede municipal de ensino contam com bibliotecas. Cada uma possui um acervo com quatro mil livros, em média. Além disso, existem 45 faróis do saber que também funcionam como bibliotecas. O investimento nestes espaços destinados aos livros rendeu a Curitiba o Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio Brasil, entregue pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à rede municipal de bibliotecas escolares de Curitiba em março deste ano.
Formação
Segundo a professora Leilah, da UFPR, profissionais capacitados são fundamentais neste momento de mudança e de criação de milhares de novas bibliotecas. Para ela, o extinto curso de Biblioteconomia precisa voltar a fazer parte das opções de graduação nas universidades. "Criamos uma comissão para avaliar o retorno do curso na UFPR em 2012, mas ainda é cedo para prever se isso vai realmente acontecer", conta. Ela explica que o Gestão da Informação o único curso vigente na área é idealizado para trabalhar com a informação de empresas, indústrias e comércio. "É uma formação voltada para o mercado, ao contrário da Biblioteconomia, que pensa mais no aspecto social da informação", diz.



