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Educação

Brincar até enjoar, mas também aprender

Nas férias, como não poderia ser diferente, as crianças brincam o tempo todo. Mas, quando bem monitoradas, também têm um período de aprendizado divertido e diferente

Cláudia Percinoto e os filhos Manoela e João: brincadeiras no parque, piqueniques na praça e visitas ao zoológico e à biblioteca para evitar a ociosidade nas férias | Valterci Santos/Gazeta do Povo
Cláudia Percinoto e os filhos Manoela e João: brincadeiras no parque, piqueniques na praça e visitas ao zoológico e à biblioteca para evitar a ociosidade nas férias (Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo)

As férias escolares são período de descanso e, principalmente, de muita brincadeira. Mas isso não significa que também não possa ser tempo de aprendizado. Com brincadeiras simples, como "Batatinha Frita Um, Dois, Três", "Lenço Atrás" e "Passa Anel", as crianças podem desenvolver várias habilidades.

A educadora Maria Cristina Pires, idealizadora da brinquedoteca da Escola Anjo da Guarda, em Curitiba, diz que as brincadeiras ensinam principalmente a lidar com as emoções. Os jogos de tabuleiro, por exemplo, auxiliam no respeito às regras e limites e estimulam a perseverança e a persistência. "Normalmente a criança sem limites tem dificuldades numa atividade como essa", diz.

Outras brincadeiras ajudam no desenvolvimento da autoestima, trabalham a timidez e a capacidade de negociação, entre outras habilidades. "Enquanto brincam, as crianças nem percebem que estão aprendendo. A aprendizagem acontece num momento de extremo prazer", acrescenta Maria Cristina.

Sem exageros

Para orientadora educacional das Escolas Positivo, Maria Fernanda Suss, os pais devem organizar a programação de férias dos filhos para evitar a ociosidade em casa. "Não é interessante dobrar o tempo em jogos eletrônicos ou na televisão. Brincar mais é saudável", diz. Maria Fernanda lembra que, como muitos pais continuam trabalhando durante as férias de julho, é importante designar um adulto para monitorar as brincadeiras.

A funcionária pública Cláudia Percinoto, 39 anos, mãe de Manoela, 10 anos, e João, 7 anos, conseguiu reservar alguns dias para brincar com as crianças neste mês de julho. Antes disso, programou atividades para que os dois fizessem no período em que ficariam na casa da avó. Cestinha de livros e brinquedos escolhidos pela dupla são alguns exemplos. "Não queria que ficassem ociosos e é sempre bom que a brincadeira seja dirigida", diz. Para essa semana, que os três passarão juntos, Cláudia programou passeios de ônibus, visitas à biblioteca, piqueniques na praça, pedaladas nas ruas e ida ao zoológico.

Mas também é preciso estar atento aos exageros. A representante da Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABBri) em Curitiba e coordenadora da brinquedoteca da Associação SERPIÁ, Ingrid Cadore, ressalta que não é necessário que os pais dirijam as brincadeiras das crianças o tempo todo para o aprendizado. "O brincar espontâneo é muito importante. A brincadeira ainda é vista como algo menor pela sociedade. Brincar sempre é bom e facilita a aprendizagem formal", diz.

Como brincar?

Na opinião dos especialistas, à medida em que crescem, as pessoas se esquecem de como se brinca. Para a educadora Maria Cristina, a origem do problema está no fato de os adultos de hoje terem brincado pouco na infância. "O brincar foi deixado de lado e a preocupação era preparar os filhos para a carreira. O resultado é que essa geração interagiu pouco com outras crianças", diz.

A estudante de Pedagogia Manuelle da Costa, 20 anos, exemplifica a situação dos adultos que brincaram pouco. Filha única, ela sempre morou em apartamento e tinha pouco contato com outras crianças. "Sempre fui muito sozinha e brincava pouco em grupo", diz. Manuelle participa de um curso de formação para educadores brinquedistas (leia mais no texto ao lado) para aprender agora a brincar com as crianças.

Para vencer essa dificuldade inicial, Ingrid Cadore recomenda que os adultos resgatem as brincadeiras da sua infância. "A simples narração de histórias sobre como eram as brincadeiras do passado já é muito valiosa", opina.

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