
Saíram de cena os grupos que cantavam estáticos, com túnicas como uniforme. Entraram corais mais dinâmicos, que interagem com teatro, música e dança. O repertório erudito deu lugar a uma seleção de músicas clássicas misturadas com canções populares brasileiras, em outras línguas e até do universo pop e dos desenhos animados. E o repertório costuma ter colaborações tanto dos professores quanto dos alunos.Para modernizar o repertório do coral do Colégio Estadual do Paraná (CEP), o professor e maestro Hermes Adriano Drechsel incluiu uma música da banda inglesa Led Zeppelin. "Não deixamos de lado Mozart e Schubert, mas a inclusão da canção fez o maior sucesso no grupo e na plateia", conta ele. O coral do CEP existe desde 1957 e hoje tem 20 pessoas de 17 a 50 anos, entre alunos e comunidade. O grupo costuma fazer participações em outros campos, como composição de trilha sonora das peças do grupo de teatro do colégio.
No Colégio Estadual Maria Gai Grendel, em Curitiba, as atividades de canto e música fazem tanto sucesso entre os alunos que hoje são parte da grade da disciplina de artes. O professor responsável pelo coral, Vitor Rodrigues, conta que, como todas as 35 vagas para a atividade extracurricular estão completas, há lista de espera. "Começamos a trazer a música também para a sala de aula. Além de cantar, eles produzem alguns instrumentos de percussão e é normal vê-los ensaiando nos períodos de intervalo", conta.
Coros modernos
Músicas em inglês, espanhol, alemão, francês e até japonês os alunos não ficam restritos ao português. "Uma das participantes é fã de um desenho japonês, então ela trouxe a sugestão da música e ajuda os colegas na pronúncia", conta Cristiane Alexandre, professora responsável pelo coral do Colégio Sion, em Curitiba. Outra fã de desenhos é Shanna Vanessa Ladino, de 8 anos. Aluna do Positivo, ela adora as canções de Toy Story e Cinderela.
No colégio alemão bilíngüe Kinderland, as 35 crianças participantes são estimuladas a cantar em várias línguas, sendo a maioria das músicas em alemão. Muitos dos alunos dos corais também já tocam instrumentos e trabalham em parceria com outros grupos, como o do teatro, fazendo musicais. O grupo do Sion já produziu Alice no País das Maravilhas e o do Positivo está preparando um espetáculo musical envolvendo cerca de 200 alunos para outubro.
Para Drechsel, maestro do CEP, um dos maiores benefícios do coral é a melhora na capacidade de socialização dos participantes. "Eles também adquirem bagagem cultural, o que acaba influenciando o desempenho dentro de sala", diz. Já no Maria Gai Grendel, como as vagas são disputadas, as notas boas e o bom aproveitamento escolar são essenciais para garantir um lugar no grupo. A melhora dos alunos na questão do trabalho em equipe é outro fator destacado pelas escolas. A coordenadora de arte do Positivo, Kátia Cristina Murillo, ressalta que a disciplina e o respeito exigidos no coral acabam refletindo no comportamento dos alunos em qualquer ambiente.
História do Paraná
Quando perguntados sobre o que mais gostam de fazer, além de cantar, a resposta dos alunos Gabriel Quinalha, Sophia Guillen e Amanda Malhadas, da 4.ª série do colégio Sion, em Curitiba, é unânime: viajar. A professora Cristiane explica que os alunos já cantaram em outras cidades, como Lapa, Ponta Grossa e Castrolanda. "Eles se apresentam em colégios locais e depois aproveitamos para conhecer a cidade e um pouco história do Paraná. Nossa próxima viagem será para Tijucas", conta. As músicas sobre o estado também estimularam as crianças e adolescentes a pesquisar sobre cidades que não conheciam e sobre a história deItaipu e da Sete Quedas.



