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Como Cingapura chegou ao topo dos rankings educacionais

Construção autônoma do aprendizado e um sistema pensado para todos são trunfos do país asiático

  • Ricardo Prado, especial para a Gazeta do Povo
Em Cingapura estudantes que estão se formando para a docência têm professores mais experientes como mentores. | Tampines Junior College.
Em Cingapura estudantes que estão se formando para a docência têm professores mais experientes como mentores. Tampines Junior College.
 
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Com uma educação norteada pela busca por aprendizagem autônoma, pensamento crítico e habilidades essenciais para o mundo contemporâneo, Cingapura conquistou a liderança em rankings educacionais. Na última edição do Programa de Avaliação Internacional de Alunos (Pisa), o país ocupou a primeira posição nas três disciplinas avaliadas: Ciências, Matemática e Leitura. 

As provas realizadas a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para mensurar a qualidade de ensino dos países avaliam a capacidade do estudante reproduzir os conhecimentos adquiridos e aplicá-los em situações pouco familiares e fora da escola, e o êxito de Cingapura na avaliação é consequência direta das reformas educacionais que levaram para a educação o mesmo destaque econômico do país asiático. 

Reformas planejadas 

A primeira reforma educacional no país ocorreu logo após a sua independência e separação da Malásia, em 1965. Na época, o objetivo era educar a população para o trabalho duro, necessário para construir a nova nação. 

Nas décadas seguintes, o foco no trabalho e esforço transformou as escolas em espaços altamente competitivos. Como resposta, o governo operou uma nova reforma no seu sistema educacional, iniciada em 2009, que resultou nos índices de hoje. Agora o novo foco é formar indivíduos preparados para as demandas do século 21: crianças aptas a formular questões, procurar respostas e construir seu próprio conhecimento. 

“O estudante agora é o centro da educação. O aprendizado no século 20 era passivo, hoje é ativo”, diz Lee Sing Kong, vice-presidente da Nanyang Technological University (EUA) e um dos responsáveis pela reforma educacional de Cingapura, em entrevista à Folha de S. Paulo. “Temos que permitir que os alunos sejam responsáveis pelo seu próprio aprendizado e os professores são os facilitadores, não o principal fornecedor de conteúdo.” 


ESCOLA SUL-COREANA 🇰🇷 🏫 📚Enquanto o Brasil gasta muito com ensino superior, modelo sul-coreano obteve bons resultados ao focar nos alunos mais novos.via Gazeta do Povo - Educação

Publicado por Gazeta do Povo em Quinta-feira, 22 de junho de 2017

Novas diretrizes 

A reforma deu origem aos Resultados Desejados da Educação (Desired Outcomes of Education), conjunto de diretrizes estabelecidas pelo governo central e voltadas para a construção do modelo de educação que levou Cingapura ao topo dos rankings mundiais. 

“Se vamos viajar, precisamos saber bem o destino”, diz Lee. “Sabemos como queremos educar nossos alunos. Eles têm que ter habilidades para serem relevantes no tempo em que vivem.” 

Uma das inovações do país é no processo de formação dos professores. No novo modelo, estudantes que estão se formando para a docência têm professores mais experientes como mentores, que os supervisionam em sala de aula; as atividades práticas de docência correspondem a pelo menos 35% do currículo de formação de professores. 

Formando professores 

O objetivo de formação de estudantes autônomos também se aplica aos futuros professores. Nesse modelo educacional, os docentes são incentivados a formularem seus próprios métodos de ensino, que pode variar para cada tópico abordado na sala de aula. 

Como incentivo para esse nível de inovação, os professores têm o atrativo de salários altos: desde a década de 1990, o salário inicial de professores foi ajustado pelo Ministério da Educação para se igualar ao de engenheiros. Além disso, planos de carreira oferecem a possibilidade de promoções e aumentos salariais para os docentes. 

“Professores são os pilares do sistema educacional de Cingapura”, destaca relatório da OCDE. “A expectativa é que a cultura de dedicação, aprendizagem colaborativa e excelência profissional seja fortalecida ainda mais.” 

Educação continuada 

A preocupação com a educação não se encerra nos limites da escola. Programas do governo incentivam a formação continuada e a educação de jovens e adultos, que se caracteriza por uma visão holística que inclui desde o ensino vocacional até o engajamento com hobbies e interesses específicos. 

Um desses programas é o “SkillsFuture” (“habilidades de futuro”), que oferece subsídios a todos os jovens com mais de 25 anos que desejem fazer cursos para formação continuada ou se dedicar ao desenvolvimento de interesses pessoais. 

A construção autônoma do aprendizado também é fomentada pelo governo em iniciativas voltadas para toda a população: mais de dez mil cursos online são disponibilizados em um banco de dados público, e orientadores acadêmicos e vocacionais oferecem auxílio para estudantes de todas as fases educacionais. 

“Uma reforma educacional acontece de modo integrado, coerente e sustentável”, destaca o professor e pesquisador Pak Tee Ng. “Cingapura busca ter um excelente sistema educacional para todos, não um sistema com algumas escolas excelentes para poucos.” 

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