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Aprendizado

Conhecimento do cérebro ajuda professores a ensinarem “melhor”

Avanços da neurociência são aliados dos docentes no aprimoramento dos métodos utilizados em sala de aula

  • Sharon Abdalla
Ilustração: Benett |
Ilustração: Benett
 
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Além da didática e do domínio do conteúdo, o conhecimento por parte dos professores sobre como o cérebro “aprende” é uma importante ferramenta para garantir a qualidade do aprendizado escolar. Neste sentido, a neurociência aparece como uma importante aliada para ajudar os docentes a desvendar os mistérios cerebrais e aprimorar os métodos utilizados em sala de aula.

Os especialistas apontam que esta ciência os auxilia a pensar em como os processos de aprendizagem acontecem, o que permite a eles organizarem o ensino de acordo com o aprendizado, e não o contrário.

“Se entendo que a atenção é fundamental para que [o aluno] possa aprender algo, vou pensar em um planejamento de ensino que considere o tempo de atenção. É inconcebível pensarmos que o aluno esteja o tempo inteiro focado em uma aula expositiva de 50 minutos. Então, como dosar isso, criar metodologias para que aprendizagem se processe?”, ilustra o pedagogo e especialista em neurociência, Marco Antonio Melo Franco, doutor em Ciências da Saúde e professor do departamento de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Ainda segundo ele, este conceito se estende para outros aspectos que interferem na relação ensino-aprendizagem, como a memória e a emoção.

O empoderamento do professor é outro benefício proporcionado pelos conhecimentos acerca do funcionamento do cérebro, como destaca a educadora Adriana Fóz, especialista em neuropsicologia e gestora do projeto Cuca Legal da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Isso ocorre porque, além de auxiliar na metodologia, ele permite ao professor compreender que o fato de uma criança ser inquieta ou não conseguir se organizar na aula não significa, necessariamente, que ela sinta descaso em relação ao que está sendo exposto.

Este conhecimento também permite ao docente criar estratégias para auxiliar os alunos a desenvolver esse controle, como lembra Renan de Almeida Sargiani, doutor em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano e pós-doutorando em Psicologia na Universidade de São Paulo (USP).

“Na adolescência há menor circulação de dopamina (que é um neurotransmissor de prazer) na região do cérebro conhecida como ‘sistema de recompensa’. Quando o professor entende que o aluno fica sem paciência e sem vontade nesta fase, ele pode preparar aulas mais estimulantes e dinâmicas”, exemplifica Adriana.

Ensino de qualidade

Apesar de o conhecimento sobre o funcionamento do cérebro ajudar o professor no seu dia a dia em sala de aula, ele não é o único beneficiado por esta compreensão. O desenvolvimento de melhores estratégias de ensino por parte dos docentes tem reflexos diretos sobre a qualidade do aprendizado dos estudantes, que se torna mais crítico e reflexivo.

“Não existem pessoas que não aprendem. O que há é o conteúdo que não foi adaptado para que aquela pessoa aprenda”, resume Sargiani.

Formação dos professores ainda é barreira a ser vencida

Mesmo sendo reconhecidos como uma importante ferramenta pela comunidade escolar, os conhecimentos sobre o funcionamento do cérebro nem sempre são compartilhados e/ou utilizados dentro das salas de aula. Isso ocorre porque os temas relacionados à neurociência e seus avanços muitas vezes não são contemplados nos currículos dos cursos de graduação.

“A formação normalmente está direcionada para conteúdos e processos de ensino. Essa discussão sobre os processos de aprendizagem, a neurociência e o desenvolvimento humano de forma global, particularmente na perspectiva cognitiva, é muito restrita e quase não aparece, em especial na formação dos professores dos anos iniciais [do ensino fundamental]”, analisa Marco Antonio Melo Franco, doutor em Ciências da Saúde e professor do departamento de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Quem busca essa formação complementar, geralmente por meio da pós-graduação, corre o risco de se deixar levar pelo modismo que se criou em torno do termo “neuro” e de receber informações de “segunda mão”, como lembra Renan de Almeida Sargiani, pós-doutorando em Psicologia na Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, os professores que lecionam nestes cursos nem sempre têm formação neste tema, o que, por consequência, faz com que acabem reproduzindo mitos sobre a questão.

“É importante que os educadores procurem saber mais sobre neurociência, busquem bons livros e informações de qualidade. Temos que lutar mais para que cursos de Pedagogia incluam esse tipo de matéria como disciplina mais aprofundada”, resume.

Franco acrescenta que também existe um descompasso entre os avanços da pesquisas na área e o fato de fazer com que os profissionais se apropriem dele no dia a dia em sala de aula. “Precisamos de políticas públicas que, de fato, consigam pensar em formação para além do que já vivenciamos, e que não tem funcionado. Precisamos de um conjunto de fatores que nos deem condições para isso”, resume.

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