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Grupos de estudo

Construção coletiva do conhecimento

Formar grupo de estudos ajuda alunos a compreenderem melhor a matéria pela troca de conhecimentos e ainda privilegia a interação entre os colegas de classe

 | Dicas
(Foto: Dicas)
As amigas Júlia Allegreti, Flávia Mayer, Luiza Nickel e Marina Gonçalves estudam em grupo. Cada uma tem facilidade em uma área e elas se ajudam para tirar dúvidas e entender melhor a matéria. |

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As amigas Júlia Allegreti, Flávia Mayer, Luiza Nickel e Marina Gonçalves estudam em grupo. Cada uma tem facilidade em uma área e elas se ajudam para tirar dúvidas e entender melhor a matéria.

O trabalho em grupo pode parecer dor de cabeça para alguns pais, que logo pensam em seus filhos distraídos entre amigos, deixando o estudo em segundo plano. No entanto, se organizado de maneira correta, pode ser uma proposta interessante para reforço do aprendizado e interação entre os alunos.

A psicopedagoga Laura Monte Serrat, especialista em teoria e técnica de grupos operativos, explica que o estudo em grupo tem uma nobre função: a de construir conhecimento em coletivo, e não simplesmente reproduzir algo pronto. "Quando o aluno se reúne com colegas em casa para entender melhor a matéria, trocar experiência e conhecimento, ele está construindo, coletivamente, algo para si", diz a psicopedagoga. No entanto, em casos em que se deseja aprofundar o conhecimento em uma matéria, ela indica o estudo individual como o mais apropriado.

Laura explica que um bom trabalho em grupo deve se dividir em três etapas. A primeira é o momento de resistência ao trabalho, a "pré-tarefa", que deve ser utilizada para a descontração. "É o momento de jogar conversa fora, bater-papo e dura uns 20 minutos", comenta. A segunda etapa, de acordo com a educadora, é a organização propriamente dita. Nela, os estudantes devem fazer uma pauta de quais temas serão tratados e o tempo previsto para a reunião.

O último passo, que vem logo após a execução das tarefas, é a avaliação. Nesse momento, deve-se verificar se a pauta foi cumprida e, caso não, o que pode ter dado errado. "É necessário avaliar se o tempo foi suficiente para as tarefas propostas ou se será necessária uma outra reunião. Essa avaliação é importante para se organizar melhor no próximo encontro", sugere Laura.

Estudar com os amigos pode ser também sinônimo de diversão, tornando o estudo uma atividade mais agradável, principalmente quando a reunião é fora do ambiente escolar. "Em casa é mais gostoso, não tem aquele ar de escola, a gente estuda no sofá, no chão, fica mais à vontade", diz a estudante Júlia Alegretti, 16 anos. "E ainda tem lanchinho", completa a colega Marina Gonçalves, 15 anos. Elas e as amigas Luiza Nickel e Flávia Mayer, 14 anos, todas da primeira série do ensino médio do Colégio Medianeira, em Curitiba, costumam se reunir para fazer trabalhos e estudar nas vésperas de provas.

Júlia explica que a troca de conhecimentos é sempre produtiva nas reuniões. "Sempre tem uma matéria em que uma vai melhor, aí vamos explicando uma para a outra", afirma. Para Flávia, o modo como cada uma entende e repassa o conteúdo é diferente do que faz o professor em sala de aula. "Na nossa linguagem é mais fácil de entender o que o professor explicou e não ficou tão claro", conta ela, que garante ir melhor na área de exatas.

As garotas, que já pensam em vestibular, costumam reservar quatro horas só para estudos, quando se reúnem. "Tiramos um dia para a escola. Fazemos trabalhos, resumos e estudamos para as provas", conta Luiza. Apesar do conforto de estudar em casa, elas prezam pela concentração. "Às vezes a gente cansa e pára para conversar um pouco, mas tem a hora de estudar, sim", comenta Marina.

Todos juntos

Trabalho em grupo deve, antes de mais nada, significar produção coletiva. "Não adianta o professor passar um trabalho e cada aluno fazer uma parte, depois juntar tudo. Precisa ser uma construção coletiva e o educador tem de passar isso ao aluno", diz Maria Iolanda Fontana, coordenadora do curso de pedagogia da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).

Para ela, o exercício em grupo deve ser ensinado desde o início da educação e a escola deve sempre ofertar seu espaço para essas reuniões. "Em sala, eles têm de aprender essa cooperação, a interagir com vários colegas, sem ser sempre o mesmo grupo. Isso será muito útil em toda sua vida escolar", comenta.

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