051759

Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE
  1. Home
  2. Educação
  3. Dez monografias incomuns bancadas com dinheiro público

academia

Dez monografias incomuns bancadas com dinheiro público

Dissertações de mestrado e teses de doutorado de universidades públicas incluem estudos sobre funkeiro Mr. Catra e vlogueiro Felipe Neto 

  • Gabriel de Arruda Castro
Funkeiro Mr. Catra: tema de tese de doutorado em universidade federal | Reprodução 					/					Facebook
Funkeiro Mr. Catra: tema de tese de doutorado em universidade federal Reprodução  / Facebook
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

Nota: Esta reportagem da Gazeta do Povo provocou um debate intenso. Logo em seguida, Mylene Mizrahi, autora de uma das teses citadas, teve espaço para expor seu ponto de vista, classificando o texto original como um retrato de um pensamento “elitista e preconceituoso”. O autor então aproveitou a oportunidade para levantar seis fatores que, acredita, não poderiam estar ausentes do debate. Pouco tempo depois, em seu blog, Rogério Galindo afirmou acreditar que a academia deve ser livre para estudar qualquer tema, enquanto Rafael Barros de Oliveira abordou as diferentes perspectivas da discussão, apontando os pontos positivos e negativos levantados por Galindo e Castro.

O ambiente universitário, por definição, deve ser um espaço aberto à criatividade e à inovação. Toda forma de conhecimento é válida. Por outro lado, algumas teses desenvolvidas por alunos de mestrado e doutorado em universidades públicas brasileiras são difíceis de explicar ao contribuinte, que arca com todas as despesas. A opção por temas pouco ortodoxos, especialmente nos cursos de ciências humanas e sociais, talvez ajude a explicar por que o Brasil nunca recebeu um prêmio Nobel – ao contrário de Argentina, Chile, Colômbia, Venezuela, México, Costa Rica, Peru e Guatemala. 

Veja uma lista de dez dissertações de mestrado e teses de doutorado sobre temas pouco usuais, todas apresentadas em universidades públicas.

 

1) Fazer banheirão: as dinâmicas das interações homoeróticas na Estação da Lapa e adjacências.

Curso: Mestrado em Antropologia na Universidade Federal da Bahia. 

Trecho: “Percebo que, para além de um simples terminal com um sanitário, a Estação da Lapa é ressignificada como espaço de práticas sexuais de desejos dissidentes, na direção de interesses tão diversificados quantos são os sujeitos que interagem na cena e que só são reunidos aqui pelo traço em comum dos desejos, diversificadamente, homo-orientados”.

Autor: Tedson da Silva Souza.

 

 2) A estética Funk Carioca: criação e conectividade em Mr. Catra. (A autora do estudo escreveu uma resposta à Gazeta do Povo. Clique para ler na íntegra)

Curso: Doutorado em Sociologia e Antropologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

Trecho: “Mr. Catra é um feixe de relações, que catalisa caminhos e dá acesso a um mundo que mistura funk, favela, elite, poder oficial e crime”.

Autora:  Mylene Mizrahi.

 

3) Mulheres perigosas: uma análise da categoria piriguete.

Curso: Mestrado em Sociologia e Antropologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

Trecho: “A piriguete representa, primeiramente, uma mulher que não se adéqua às normas de conduta feminina – ela expressa sua sexualidade e seu desejo, sua liberdade e seu poder”.

Autora: Larissa Quillinan Machado Larangeira.

 

4) A Zuadinha é tá, tá, tá, tá: representação sobre a sexualidade e o corpo feminino negro.

Curso: Mestrado em Ciências Sociais na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. 

Trecho: “Embora aproxime-se do pagofunk, tanto pelas letras sexualizadas como pelas coreografias, o pagode de elite, ainda que apresente letras menos sexualizadas, tem um estilo mais voltado para a suingueira – que o aproxima do pagodão”.

Autor: Wellington Pereira Santos.


5) Erótica dos signos nos aplicativos de pegação: processos multissemióticos em performances íntimo-espetaculares de si.

Curso: Mestrado em Linguística Aplicada na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Trecho: “Erótica dos signos denota a emergência de romper a divisão cartesiana entre mente e corpo e considerar o componente erótico na pesquisa para fazer ciência com corpo e alma. Também alude à sensualidade típica dos apps de pegação e evidencia o cuidado com a imagem de si, a pornificação de si como arena de embate político, a necessidade de uma metodologia que considere o corpo do pesquisador na pesquisa”.

Autor: Gleiton Matheus Bonfante.

 

6) Personagens emolduradas: os discursos de gênero e sexualidade no Big Brother Brasil 10.

Curso: Mestrado em Antropologia Social na Universidade Federal de Goiás.

Trecho: “Ao aproximar meu estudo com os de Fischer (2001) concordo que os meios de comunicação, no caso aqui analisados o programa de televisão e sítios de notícias do BBB, mostram-se como lócus privilegiado de informação, de ‘educação’ das pessoas, ao que a autora chamou de dispositivo pedagógico da mídia, pois, por meio das diversas estratégias de linguagem as mídias fazem a mediação da produção e da circulação de uma série de ‘verdades’ e, no caso do interesse desta pesquisa, ’verdades’ sobre homens, mulheres e gays”. 

Autora: Katianne de Souza Almeida.

 

7) “Agora eu fiquei doce”: o discurso da autoestima no sertanejo universitário 

Curso: Mestrado em Linguística e Língua Portuguesa na Universidade Estadual Paulista (Unesp) 

Trecho: “A canção Camaro Amarelo é um enunciado no qual estão presentes valores relacionados à ideologia capitalista do consumismo, tais como os valores das marcas famosas de produtos, da ascenção social e do amor por interesse”.

Autor: Schneider Pereira Caixeta.

8) O herói na forma e no conteúdo: análise textual do mangá "Dragon Ball" e "Dragon Ball Z"' 

Curso: Mestrado em Comunicação e Cultura Contemporânea, Universidade Federal da Bahia. 

Trecho: “Dessa maneira, notamos que essas passagens narrativas, em que um personagem faz referência ao outro no que diz respeito à morfologia, têm a função de criar uma situação de humorística maior do que necessariamente um espanto no sentido de uma impossibilidade de mundo em que eles habitam. Afinal, nesse mundo, encontramos tartarugas e porquinhos falantes, assim como sereias convivendo com personagens com a morfologia parecida com a nossa".

Autor: André Luiz Souza da Silva.

 

9) Experimenta-te a ti mesmo: Felipe Neto em performance no YouTube

Curso: Mestrado em Comunicação Social na Universidade Federal de Minas Gerais

Trecho: “Para fins desta dissertação, entendemos que as audiências dos dois canais de Felipe Neto no YouTube se referem a grupos de falantes que se vinculam temporariamente em uma situação específica de enunciação e circunscrita à ambiência midiática operada pelo site”.

Autor: Tiago Barcelos Pereira Salgado.

 

10) A pedofilia e suas narrativas: uma genealogia do processo de criminalização da pedofilia no Brasil

Curso: Doutorado em Sociologia na Universidade de São Paulo 

Trecho: "Por tudo que foi visto nesta tese, não é possível afirmar que a pedofilia seja, em sua totalidade, sinônimo de violência sexual contra a criança, embora os termos sejam usados de modo indiscriminado e intercambiável em quase todos os domínios do saber. Os diversos textos apresentados aqui demonstram que muito pedófilos nunca violentaram sexualmente uma criança; e que muitos agressores sexuais infantis não podem ser considerados pedófilos, por não se enquadrarem na definição psiquiátrica da categoria".

Autor: Herbert Rodrigues.

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE