
A cada temporada surge um novo personagem de desenho animado nas telinhas, principalmente nas tevês por assinatura. Junto a eles, uma avalanche de produtos temáticos de encher os olhos da criançada. Essa onda atinge os itens básicos do material escolar, como caderno, lápis, estojo e mochila. A febre, atualmente, entre os meninos, é de materiais com personagens do Ben 10 e Bakugan; entre as meninas, da Jolie e Pucca.
Mas a mera estampa com esses desenhos pode fazer com que o preço dos produtos mais que dobre em relação aos materiais considerados simples. Por isso, na hora de atender aos pedidos da garotada, a negociação é a melhor saída. Não só por economia, mas para ensinar valores positivos às crianças.
A pedagoga Leonor Dias Paini, doutora em psicologia escolar e coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), afirma que a tática da negociação é um exercício benéfico inclusive para os pais. "Para verem os filhos felizes às vezes para compensar o tempo que não ficaram juntos , eles presenteiam demais. Inconscientemente os pais reforçam o desejo de ter produtos da moda, sem se darem conta dos desdobramentos disso."
Os pais devem mostrar desde cedo que há limites, independentemente da condição financeira, explica a psicóloga Tereza Brandão, psicoterapeuta de família do Núcleo de Psicologia Clínica de Curitiba. "O pai pode dizer não, sem culpa, não precisa dar tudo. Mas têm que preparar o filho para isso". Segundo a especialista, para que não haja desentendimentos, é importante combinar o que poderá ser comprado ou a quantia que poderá ser gasta com cada tipo de produto. "Se elas tiverem tudo, crescerão com uma ideia equivocada de que se consegue tudo o que se quer com dinheiro. E não é assim. As coisas mais preciosas não têm preço."
A dona de casa Magda Regina Latchuc costuma seguir essa orientação. A filha, Yasmin Latchuc dos Santos, de 9 anos, tem paixão pela animação Pucca, uma coreana meiga e sorridente de 10 anos. Prestes a ingressar na 5.ª série do Colégio Estadual Professor Lysimaco Ferreira da Costa, a menina já garantiu seu caderno com a estampa da personagem para esse ano letivo. A mãe conta que restringe a compra de materiais temáticos a, no máximo, três itens. "Quando começou a gostar da Pucca, há três anos, ela quis tudo da personagem, aí expliquei que ficaria muito caro. Desde então nós negociamos". Yasmin diz que entende esse limite e que, às vezes, aproveita o dinheiro da mesada para satisfazer sua vontade de ter produtos da personagem. "Se eu puder ter pelo menos uma coisa não me chateio, para mim está bom."
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Alternativa - Criatividade e economia
Para quem quer agradar e, ao mesmo tempo, economizar na hora da compra, a arte-educadora Stella Maris Ludwig, professora de Artes da Escola Estadual Professora Luiza Ross e Colégio Medianeira, montou duas sugestões de
cadernos que custaram cerca de 60% mais baratos. Do Ben 10, para meninos, saiu R$ 9,90; da Pucca, para meninas, R$ 7.
Ela explica como é fácil fazer. "Uma dica são recortes de figuras de papel de presente. Encape o caderno com um papel liso. Um plástico transparente por cima de tudo faz o acabamento". A colagem também pode ser com figurinhas e stickers (adesivos), encontrados principalmente em bancas de jornal e papelarias, ou tiras de histórias em quadrinhos. Use a mesma técnica em outros itens, como pastas, agendas e estojos de madeira.
Stella põe a criatividade em prática na própria casa, com o material escolar do filho. Ela conta que Lucas, 9, se diverte durante as produções. "Ele ajuda a escolher o que usar. Essa participação é muito importante, estimula a criatividade. A criança percebe que o material fica bonito e sente orgulho do produto final."



