Não existe fórmula secreta para ser sustentável. Ninguém aprende a respeitar a natureza só na teoria. Precisa partir para a prática. Foi o que fizeram os alunos do Colégio Fênix, em Curitiba, que no último 4 de dezembro festejaram os dois anos do Grupo de Estudos de Sustentabilidade do Fênix (Gessf).
A semente foi plantada no início de 2013. Os alunos do ensino médio viram o projeto que Wanderlei Karam desenvolvia no Colégio Estadual Luiz Sebastião Baldo, em Colombo. Era uma compostagem, para aproveitar as sobras da merenda em forma de adubo. Resolveram importar a ideia.
O Gessf começou no contra-turno de suas aulas de Biologia. A primeira ideia surgiu dos alunos: construir fontes de energia renovável ali na escola. Não vingou. Venceu a EcoCasa, um ambiente sustentável erguido no pátio da escola para debater a sustentabilidade.
A criatividade rolou solta. Com uma resistência de chuveiro e um pedaço de madeira, um aluno criou uma máquina de cortar garrafas pet. Paredes, mesa de centro, sofá e até um ar-condicionado caseiro foram erguidos no meio da escola. Tudo com materiais reaproveitados.
Os materiais ainda provaram ser uma escolha inteligente. As caixas de leite em meio aos pallets, nas paredes da casa, criaram um isolamento térmico. Resultado foi um ambiente quente no inverno e fresco no verão.
Arquiteta que trabalha com bioconstruções, Adriane Cordoni aprovou a ideia. Diz que a turma seguiu à risca os princípios das “construções sustentáveis”, de utilizar os materiais disponíveis no meio para criar soluções.
Por triste ironia, o trabalho foi parar no lixo. Ao fim do ano a Ecocasa foi desmontada e guardada para o ano seguinte. Mas os destroços não resistiram, e foram descartados durante as férias.
Então presidente da mantenedora da escola, Bohdan Metchko Filho explica que a reservou um espaço para guardar a casa, no laboratório. Mas como “as caixas de leite estavam com cheiro forte e começaram a aparecer insetos, tivemos que providenciar a limpeza”.
“Aprendemos que precisava envolver mais a comunidade escolar, a direção e os funcionários também”, conta Karam. A nova estratégia foi construir uma sala de aula ao ar livre. Com bancos feitos de troncos de árvore podadas, o “Espaço Sustentável Educador Dagoberto” foi inaugurado em 2014.
A segunda etapa foi torná-lo convidativo para os outros professores e alunos. Plantar grama (para evitar lama) e instalar uma geladeira de leitura, cujo telhado será utilizado para captar água da chuva.
A horta foi plantada pelas turmas de 1.º a 5.º ano do fundamental, com orientação dos alunos maiores, do Gessf. As turmas de 6.º a 9.º fizeram um concurso de poesias. A melhor será escrita na parede do espaço. Na inauguração, em 4 de dezembro último, os pais foram convidados a participar.
Para 2016, o professor tem planos de “salvar” o Bosque Dr. Martim Lutero, no terreno anexo à escola. Conhecido como bosque do Boa Vista, o espaço já fui utilizado para atividades pedagógicas da escola, mas hoje “muita gente vai lá usar drogas, e os professores não vão mais”. A ideia ainda está em fase de gestação.



