
Depois de quase um mês de férias, é difícil para algumas crianças e adolescentes retomar a rotina escolar, que exige, além da volta às aulas, dedicar menos tempo às brincadeiras, acordar cedo e ter horários mais rigorosos. Por esses motivos, esse tipo de resistência é até esperada. Mas se ela é exagerada merece ser observada com maior atenção pela família e pela escola.
Na opinião da psicóloga Giovana Tessaro, a falta de vontade de voltar à rotina escolar pode ser um momento do próprio desenvolvimento da criança, sem motivos para estresse. "Mas, se o comportamento ocorre por vários anos seguidos, é algo para se prestar atenção e buscar ajuda", diz. Giovana ressalta que muitas crianças sofrem quietas e têm medo de relatar aos pais problemas que podem estar ocorrendo na escola.
A psicopedagoga Maria Irene Maluf, professora da pós-graduação em Psicopedagogia do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo, orienta como distinguir a recusa natural de algum distúrbio. "A criança que não tem problemas facilmente é convencida quando os pais falam sobre as coisas boas que serão encontradas na escola", diz.
A recusa também pode estar relacionada ao aproveitamento escolar, segundo Maria Irene. "A criança com boas notas fica preocupada se vai conseguir dar conta ou não dos próximos compromissos", diz. Outra questão diz respeito à socialização, quando há mudanças de grupo e a criança não consegue mais manter amizades dentro da escola. "Há crianças que não conseguem ver graça nenhuma em voltar para a escola. Choram, têm dor de barriga, somatizam situações para realmente não ir à aula", diz.Ajuda
Como diferenciar a "manha" de algo mais sério? Na dúvida, o mais indicado, segundo especialistas, é procurar por ajuda de profissionais especializados e da própria escola. "A manha exige plateia. Se a criança fica quieta, instrospectiva e chora trancada num quarto, indica que há algum problema", diz Maria Irene.
Foi dentro da escola que a DJ Tatiane Bittencourt, 29 anos, conseguiu apoio para trabalhar com a recusa de seu filho mais novo Kendrik, 5 anos, na volta às aulas no início deste ano. Matriculado na educação infantil do Colégio Novo Ateneu desde o ano passado, Kendrik chorou nos primeiros dias de aula. "Nas férias ele ficou muito tempo em casa comigo e no começo não queria ir à aula. Mas não recuei e na escola sempre respeitaram o limite dele", diz.
O mesmo problema Tatiane vivenciou com o filho mais velho Luan, 9 anos. Como trabalha à noite, e fica o dia todo com os filhos, a vontade deles era ficar sempre perto da mãe. "Agora os dois ficam contando os dias para saber quando vão voltar para a escola", comenta.
A assessora pedagógica do Colégio Novo Ateneu, Alessandra Furtado Rossetto, explica que sentir medo de situações novas é algo natural do próprio ser humano. "Antes do retorno os pais devem preparar as crianças, passar aspectos positivos, segurança", diz.



