A reflexão e a criatividade não se opõem à criação de hábitos, embora para alguns o pareça. Internalizar e automatizar os procedimentos que repetimos cotidianamente, ao contrário de nos escravizar, nos libera para utilizarmos ao máximo nossa capacidade de raciocínio e de imaginação e para podermos apreciar o que nos dá prazer.
Assim como os monges não se tornam religiosos apenas por vestir o hábito, mas porque cultivam a religiosidade, quem adquire o gosto e o hábito de ler não o faz por acaso. As pessoas constroem, à medida que aprendem a habilidade da leitura e internalizam seus mecanismos básicos, hábitos de ler que incluem, desde a fluência e o ritmo, até o tipo de leitura e a frequência que estabelecem para que isto aconteça.
Se desde cedo as crianças são introduzidas no mundo da leitura e passam a fazer dela um hábito, as possibilidades que o mantenham é muito grande. E aí, um hábito pode levar a outro: se aprendem a apreciar as histórias da literatura infantil, podem facilmente aprender a gostar de crônicas. A leitura das crônicas pode levar ao apreço pelos colunistas, ou aos articulistas de um jornal. A procura por determinada coluna pode despertar outros interesses, de tal forma que a leitura do jornal constitua um ritual apreciado todos os dias. Mas alerte-se, um hábito não se adquire ao acaso. Ele é constituído passo a passo, sob orientação ou exemplo (daí a importância dos pais e professores), mas uma vez estabelecido, dificilmente será perdido. Neste sentido o habitu do título faz o monge e o leitor.
Jussara Riva Finatti é pedagoga, professora universitária e integrante do Conselho Educacional RPC.



