
Um adolescente com óculos de lentes grossas, retraído, que senta na primeira fila e que não conversa com os demais colegas. Essa é a imagem que vem à cabeça quando se pensa nas características do melhor aluno, o chamado nem sempre de forma carinhosa CDF.
Atualmente esse estudante consegue unir à essa imagem as características do esportista ou até mesmo do líder da turma. "O que distingue o bom aluno de dez anos atrás é que ele agora tem uma convivência maior com os demais e já é muito mais receptivo aos esportes", diz Zânia Maria Diório, gerente do Instituto Bom Aluno, entidade que faz parcerias com escolas particulares para auxiliar e oferecer bolsas a crianças de baixa renda familiar e com bom desempenho na rede pública de ensino.
Mais desenvoltos, os bons alunos de hoje não se limitam apenas às aulas dos bancos escolares e, geralmente, fazem atividades extras, como um esporte e línguas. "Alguns alunos do ensino médio já estão indo para uma terceira língua e treinando esportes que exijam dedicação para se obter um alto rendimento", afirma o gestor do ensino médio do Colégio Bom Jesus Nossa Senhora de Lourdes, José Ivair Motta.
Paula Nascimento Choinski, 14 anos, aluna da 8ª série do ensino fundamental, e Mariana Steiner Gusmão, 16 anos, do 2º ano do ensino médio, ambas do Colégio Bom Jesus, se encaixam nesse perfil. Paula faz inglês, pratica judô e ainda montou um grupo de estudos na terça-feira à tarde, véspera de duas provas semanais. "Quando passamos para a oitava série, vimos que seria mais difícil, e decidimos nos esforçar mais do que antes. Nos outros dias, não estudo tanto assim, mas sempre presto muita atenção nas aulas", diz Paula. O esforço resulta em notas sempre acima de nove.
Já Mariana precisa de um esforço um pouco maior porque tem mais matérias no currículo. A menina leva uma rotina espartana, acorda de segunda a sexta-feira às 6h20 e não dorme antes das 22h30. Ela tem aulas pela manhã e, em dois dias da semana, à tarde também, sem reclamar. Apesar disso, encontra tempo para musculação, aulas de inglês e de desenho, e para o namorado. "Não deixo nada acumular. Estudo todos os dias depois das aulas ou antes de dormir, e não deixo de fazer nada do que gosto, como passear ou namorar", conta ela.
Timidez
Mas ainda existem aqueles mais retraídos e que se destacam entre os demais, vencendo olimpíadas do conhecimento. Um exemplo de garoto um pouco mais tímido na sala é o de Robert Costa Gomes, de 16 anos, aluno do 2º ano do ensino médio. O menino conta que é quieto em sala porque sabe que tem uma "veia de conversador", por isso procura se concentrar. Fora da escola, conta que faz as tarefas no mesmo dia, não deixando que nada se acumule. "Sempre dou uma repassada na matéria se não lembro o conteúdo ou se acho que vou ter alguma dificuldade", diz ele. E os resultados já apareceram. Robert conquistou a medalha de bronze no campeonato brasileiro de física em 2007 e a de ouro na Olimpíada Paranaense do Conhecimento em química este ano, feito que o credenciou a participar da etapa nacional no fim do mês.
Dedicação e liderança
Outra característica apontada pelos educadores é a dedicação, que não nasce com a criança, e que, por isso, deve ser estimulada desde antes da fase escolar. "Ele (o melhor aluno) estuda sistematicamente, tem rotina, o hábito de estudo, boas maneiras, pontualidade e auto-disciplina. Mas é difícil ter isso sem que haja estímulo em casa e na escola", diz Durval Tavares, diretor geral do Colégio Positivo da Ângelo Sampaio. Ele conta que muitos desses alunos são respeitados pelos demais colegas e até admirados. "Tudo depende de como eles se comportam com os outros. Há os que são líderes e acabam virando exemplos, mas há também os que fazem pouco caso daqueles que tiram nota baixa e tornam-se motivo para vaias."
Popularidade
Quem tira notas boas também pode se relacionar bem com todos os colegas. Mesmo tendo aulas extras fora do horário escolar, Montserrat Sanchez Del Castillo Bravo de Chaby, 16 anos, aluna do 2º ano do ensino médio do Colégio Positivo Ambiental, encontrou tempo para ser representante de turma quando estava no 1º ano. "Este ano o pessoal sugeriu meu nome de novo, mas achei melhor não aceitar porque já tinha tido essa experiência", conta a garota, que fez um trato com a mãe: "durante a semana eu cumpro a minha obrigação de estudar e tirar notas boas. No fim de semana, eu me divirto com os amigos e nas aulas de dança", diz.



