
Ao invés de descansar durante as férias, alguns estudantes do ensino superior optaram por uma rotina pesada de estudos. É que, para não reprovar nem levar dependências para o próximo período letivo, eles fizeram ou estão fazendo cursos de verão oferecidos por instituições particulares.
É o caso da estudante Nathalia Martins, 19 anos, que reprovou na disciplina de Cálculo Estrutural 1. Além dela, outros seis alunos do 1º ano de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de Maringá (Cesumar) optaram por refazer a matéria em janeiro.
A aluna explica que toda a disciplina do ano letivo foi revisada em 15 dias de estudos, com oito horas de aulas diárias. Além do esforço para recuperar a nota, cada estudante precisou investir cerca de R$ 610 para realizar o curso, o equivalente a 50% do valor da mensalidade paga no primeiro ano de Arquitetura e Urbanismo.
Apesar do custo considerado elevado, Nathalia diz acreditar que o investimento valeu a pena. Ela foi aprovada nas provas finais do curso de verão e já eliminou a responsabilidade de carregar mais uma matéria no 2º ano do curso. Ela defende que, em uma sala com menos alunos, o professor consegue dedicar maior tempo ao esclarecimento de dúvidas e ao acompanhamento do aprendizado. "Com menos alunos, a gente recebe atenção especial."
Para o estudante de Engenharia Ambiental e SanitáriaGustavo Vinícius, 22 anos, o volume de matéria apresentado nesse intensivo é muito grande, já que é preciso retomar a disciplina de um ano inteiro. Mesmo assim, ele afirma que a dedicação exclusiva colabora para a realização das provas durante o curso. "A matéria fica mais fresca, o que facilita um pouco."
O estudante de Engenharia Ambiental e Sanitária conta que por conta do curso precisou antecipar a volta da praia. Ele também negociou as férias do próprio estágio para poder se dedicar exclusivamente ao curso de verão. "Tenho quase seis horas de aula todo dia. Mas também preciso estudar muito em casa."
Apesar da dedicação, Vinícius afirma estar temeroso sobre o resultado final da avaliação. "Já fiz a primeira prova e tirei uma nota abaixo da média. Eu e a maioria da sala." Para tentar evitar outro curso de verão no ano que vem, o estudante diz que pretende largar ou diminuir a dedicação ao estágio. "Este ano tenho disciplinas mais difíceis. Por isso, quero me dedicar mais. Não quero fazer outra vez um curso desses." O sentimento é compartilhado por Nathalia Martins. "Espero que essa seja a primeira e a última vez que tenha de fazer o curso de férias."
De acordo com a assessoria de imprensa do Centro Universitário de Maringá (Cesumar), o curso no período de férias escolares não é uma forma de punição aos alunos, mas uma possibilidade para um melhor aproveitamento do conteúdo oferecido pelos cursos de graduação. A escolha por fazer é sempre do aluno.
Apesar de não divulgar o número de estudantes que realizam o curso neste ano, a instituição explica que disciplinas consideradas básicas como Cálculo 1 e Matemática Financeira, para a área de exatas, e Fisiologia e Bioquímica, para cursos de biológicas - são as que somam o maior número de alunos durante os cursos de verão.



