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Ideb 2025

Paraná apostou em reforço direcionado para virar líder de ranking da educação

Paraná atribui liderança no Ideb nos anos finais e no ensino médio a programa de recomposição em matemática e português. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

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Depois das aulas regulares, estudantes do 9º ano e da 3ª série do ensino médio da rede estadual do Paraná passaram a contar com reforço direcionado em matemática e língua portuguesa. Com currículo elaborado a partir das dificuldades mais recorrentes identificadas nas avaliações e, em alguns casos, até dois professores em sala, a estratégia de recomposição da aprendizagem é apontada pelo secretário estadual de Educação, Roni Miranda, como um dos principais fatores por trás do desempenho que colocou o estado no topo do Ideb.

O Paraná liderou o ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em todas as etapas avaliadas. Os resultados, divulgados pelo Ministério da Educação no último dia 5, mostram que o estado alcançou nota 7,0 nos anos iniciais do ensino fundamental, 4,8 nos anos finais e 5,1 no ensino médio. Apesar da liderança nacional, o resultado do ensino médio ficou abaixo da meta de 5,2 prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE).

Estratégia foi direcionada para etapas medidas pelo Ideb

Além da liderança nacional, o Paraná esteve entre os estados que mais avançaram em matemática e língua portuguesa no ensino médio, ficando atrás apenas do Piauí em termos de crescimento das notas nessa etapa.

As duas disciplinas estiveram no centro das ações adotadas pela gestão estadual nos últimos anos. Todos os alunos do 9º ano e da 3ª série do ensino médio, etapas avaliadas pelo Ideb e sob responsabilidade da rede estadual, passaram a ter aulas específicas de recomposição da aprendizagem no contraturno escolar. Segundo a assessoria, não há previsão de expansão para outras séries.

A proposta, porém, vai além do reforço tradicional. O currículo foi desenhado para recuperar habilidades essenciais que vinham apresentando dificuldades recorrentes nas avaliações. Os professores também recebem material estruturado e planos de aula detalhados, preparados para cada encontro, o que permite concentrar esforços na recuperação da aprendizagem dos estudantes.

"Não foi apenas criar uma disciplina. Nós criamos um currículo, material para os estudantes, plano de aula para os professores e uma formação continuada focada na recomposição da aprendizagem", aponta Miranda.

Para sustentar a iniciativa, a Secretaria de Educação também criou uma rede de formação continuada. Professores com destaque em matemática e língua portuguesa foram selecionados para capacitar colegas da rede estadual em encontros semanais focados em metodologias de recomposição da aprendizagem. A ideia era disseminar práticas capazes de recuperar conteúdos e habilidades que os estudantes apresentavam maior dificuldade em dominar.

A escolha dos professores responsáveis pela recomposição da aprendizagem também seguiu uma lógica diferente da tradicional. Em vez de critérios ligados apenas à antiguidade na rede, os docentes foram selecionados pelas equipes gestoras das escolas a partir de competências previamente definidas pela Secretaria de Educação.

"Depois de darmos uma formação para esses gestores, nós explicamos e construímos uma rubrica de características e competências que esse professor precisava ter para fazer esse trabalho de recomposição", diz Miranda.

Secretário atribui entraves do ensino médio a pressões de sindicatos

Mesmo registrando a maior nota do país no ensino médio, o Paraná não alcançou a meta de 5,2 prevista pelo Plano Nacional de Educação para a etapa.

Historicamente, o ensino médio concentra alguns dos maiores desafios da educação brasileira, entre eles o abandono escolar e a perda de interesse dos estudantes. É também o segmento em que os indicadores de aprendizagem costumam registrar mais dificuldades. Dados do Censo Escolar de 2025 mostram que o 1º ano do ensino médio continua sendo a série com maior concentração de abandono escolar no país.

Na avaliação de Miranda, parte desse problema está relacionada às sucessivas mudanças promovidas no modelo de ensino médio. Em 2017, a reforma aprovada durante o governo Michel Temer reduziu a parcela obrigatória do currículo e ampliou a possibilidade de escolha de itinerários formativos pelos estudantes.

Posteriormente, o modelo passou por uma revisão que aumentou novamente a carga de disciplinas e conteúdos comuns a todos os alunos. Os defensores da mudança argumentam que ela buscou corrigir problemas identificados na implementação da reforma original e garantir uma formação mais ampla aos estudantes.

O secretário, no entanto, avalia que a alteração representou um retrocesso e foi influenciada por pressões corporativas e sindicais. "O Brasil avança um pouco e depois dá um passo para frente e volta três. No discurso, colocam o estudante como centro das políticas públicas, mas, no final do dia, vemos que é o interesse corporativista que ocupa esse espaço", critica.

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