
As ruas e quadras do Cemitério Municipal São Francisco de Paula são identificadas por números, mas basta olhar as placas dos túmulos que os nomes de ruas da cidade de Curitiba começam a aparecer. São cerca de 5,5 mil túmulos e 70 mil sepultamentos; uma pequena cidade, no centro da capital paranaense, que abriga políticos, artistas e personalidades locais e que reflete a história da cidade. "O estudo da morte revela aspectos sociais da vida. As pessoas estranham o tema, acham mórbido, mas é algo comum em países que têm cemitérios famosos", explica Cassiana Lacerda, pesquisadora e autora de um livro sobre o Cemitério Municipal.
Mais antigo dos quatro cemitérios administrados pela prefeitura, o cemitério surgiu há 150 anos, em uma chácara comprada de Padre Agostinho. "Devido ao frio, Curitiba tinha menos epidemias do que o Litoral, por isso a construção de cemitérios foi postergada", explica Cassiana. Além disso, existia a tradição dos enterros em igrejas ou nos arredores da cidade. Sem essa urgência, a pedra fundamental do Cemitério Municipal foi lançada apenas em 1854 e a construção se estendeu por mais de uma década. Ao longo do tempo, o cemitério recebeu reformas significativas, como o portal de entrada criado pelo artista plástico Franco Giglio na década de 1960.
Tema de estudo
Segundo Cassiana Lacerda, um cemitério pode ser visitado tendo como foco tanto a busca de figuras históricas de uma cidade quanto pelo viés da arquitetura dos túmulos e mausoléus. No primeiro ponto, o grande destaque do cemitério é a "santa popular" Maria Bueno, assassinada em 1893. Seu túmulo é o mais visitado e seus devotos o adornaram com centenas de placas agradecendo curas e milagres. Outros túmulos procurados são os de artistas, como a dupla caipira Nhô Belarmino e Nhá Gabriela e os de políticos, como o Barão do Serro Azul.
No quesito arquitetura, o Cemitério Municipal também reflete a história da capital."Como quase tudo em Curitiba, nosso cemitério é bastante eclético, não tem uma tendência dominante", explica Cassiana. Os mausoléus que chamam mais atenção são os das primeiras décadas do século 20, refletindo uma cidade em franca expansão. Destacam-se as capelas e estátuas em estilo art nouveau, com estrutura floreada e inspirada na natureza, e art déco, de construção mais linear e geométrica. Outras famílias preferiam influências greco-romanas ou mesmo egípcias como meio de homeneagear seus mortos. Entre tantas formas de se expressar, algumas chamam a atenção, como o túmulo de um jovem que recebeu como homenagem do pai e do avô uma estátua de bronze em tamanho natural, feita na Itália em 1925.
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Serviço
Cemitério Municipal São Francisco de Paula Praça Padre João Sotto-Maior, bairro São Francisco. Aberto diariamente das 8 às 18 horas. Informações: (41) 3233-2585.



