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PNE deve ser aprovado “sem louvor”

Senado retirou do texto do Plano Nacional de Educação dispositivos que manteriam aplicação integral de verbas no ensino público

Plano estabelece metas para investimento em educação no Brasil | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Plano estabelece metas para investimento em educação no Brasil (Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo)

Após mais de três anos de debates, o Plano Nacional de Educação (PNE) deve ser finalmente aprovado em 2014, mas em meio a críticas. Se, por um lado, o plano é pioneiro ao estabelecer metas e diretrizes para os próximos dez anos, por outro, alterações feitas pelo Senado afrouxaram dispositivos que garantiriam mais recursos à educação pública. Também houve mudanças em pontos que assegurariam a expansão de vagas em cursos técnicos e superiores, em instituições públicas.

INFOGRÁFICO: Confira os pontos mais polêmicos do Plano Nacional de Educação

O principal alvo de discussões é a meta 20, que especifica que, em dez anos, o investimento público em educação deva chegar a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Apesar disso, uma mudança feita pelo Senado abriu uma brecha: em vez de determinar os aportes em "educação pública", o plano passou a exigir "investimento público em educação".

A alteração permite que verbas destinadas a programas que incluem parcerias federais com entidades privadas – como cursos técnicos do Sesi, Sesc e Senai – entrem no cálculo para que o governo atinja a meta de aplicar 10% do PIB em educação. Além disso, o Estado poderá incluir no orçamento do setor verbas a programas realizados em conjunto com instituições não públicas.

"O grande receio que o setor educacional tem é que se abra um precedente, que recursos públicos possam ser destinados ao sistema privado, em detrimento da aplicação de recursos na esfera pública", disse o deputado federal Ângelo Vanhoni (PT-PR), que foi relator da comissão que analisou o PNE na Câmara.

As polêmicas também envolvem as metas 11 e 12, que tratam da expansão de vagas, respectivamente, na educação profissional técnica e no ensino superior. O Senado retirou do texto expressões que garantiriam que parte da ampliação das vagas e matrículas ficasse no segmento público.

"Eu vi [o texto final] como uma traição. Abandonaram o futuro do Brasil e atenderam somente os grupos corporativos que pressionaram o Congresso no momento da votação", definiu o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Plano vago

Dispositivos que estabeleciam responsabilidades em caso de não cumprimento das metas e que determinavam como seriam o monitoramento e avaliação dos avanços também foram suprimidos do texto final. "O plano ficou falho e descaracterizado. Sem essa responsabilização, tudo vai virar letra morta", observou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

Além de fixar 21 metas, o plano traz diretrizes e estratégias para atingi-las. No entanto, parlamentares que participam das discussões apontam que o texto é vago e deixa margem para que os objetivos não sejam cumpridos.

"Estratégia é quando você diz como vai fazer, de forma concreta. Ali só tem blá-blá-blá", resumiu Buarque.

Desafio é tirar o plano do papel, diz especialista

Apesar de considerar que hou­ve "retrocessos" no texto apro­vado pelo Senado, a di­re­tora-executiva do movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, aponta que o Pla­no Nacional de Educação (PNE) servirá como um bom "guia" para o setor educacional, em todas suas instâncias. Ela reforça, no entanto, que o maior desafio será aplicar o pla­no na íntegra.

"Ter o plano é apenas 10% do caminho. Os outros 90% dizem respeito à implementação, a fazer com que o plano saia do papel, que aconteça", disse.Para isso, o Todos Pela Educação coordena o Observatório do PNE, uma plataforma online por meio da qual a sociedade civil poderá acompanhar os indicadores referentes a cada uma das metas estabelecidas no plano. O dispositivo pode ser acessado por qualquer cidadão, a partir do endereço www.observatoriodopne.org.br.

"Temos que ter atenção na formação de professores para que a gente possa garantir que os alunos aprendam. Sem professores e sem o financiamento adequado, dificilmente vamos conseguir atingir outras metas", apontou Priscila.

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