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Pobres precisam de professores melhores. Mas quem quer essa carreira?

Países com baixa qualidade de ensino tendem a atrair pessoas com deficiências em linguagens e matemática para a carreira de professor, mostra relatório

  • Denise Drechsel
 | Albari RosaGazeta do Povo
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A presença de um professor talentoso faz mais diferença para crianças socialmente vulneráveis do que para alunos em melhores condições econômicas e culturais. O problema é que os profissionais talentosos não querem ser professores ou estão nas escolas de classes abastadas. Como mudar esse quadro?

Este é o questionamento de fundo de dois relatórios publicados nesta segunda-feira (11) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

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Usando dados do Pisa de 2015, avaliação internacional de estudantes de 15 anos de mais de 70 países e economias, o levantamento apontou que 4,2% dos estudantes dessa faixa etária querem trabalhar como professores, uma proporção que corresponde a atual participação de professores na população adulta nesses países. 

O alerta, porém, vem depois: nos países com baixa qualidade de ensino, os estudantes que esperam trabalhar como professores manifestam habilidades matemáticas e de leitura mais fracas do que seus colegas que afirmam querer trabalhar em outras profissões. 

Com professores menos capacitados, o ensino entre os mais pobres tende a ser pior e aumentar a desigualdade.

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Propostas de solução

Para alterar esse cenário, os especialistas olharam para os países que conseguem atrair alunos com altas habilidades para a carreira de docência – e dispostos a trabalhar em escolas mais vulneráveis. O salário e a percepção do valor da profissão para a sociedade, obviamente, parecem fazer diferença – ainda que os pesquisadores frisassem não ser o dinheiro o principal fator de atração dos mais habilidosos. 

(A porcentagem de professores que “concordam” ou “concordam fortemente” com a afirmação “eu acho que a profissão docente é valorizada na sociedade” é de 66% na Cingapura e de 13% no Brasil).

Outro dado, porém, chamou a atenção dos pesquisadores, mas eles não conseguiram chegar a uma conclusão causal. Nos países em que os melhores professores dão aulas para alunos vulneráveis, os diretores dessas escolas têm mais liberdade na contratação e demissão dos educadores.

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Segundo o levantamento, os sistemas de ensino de alta qualidade não atingem seus objetivos simplesmente aumentando o salário e melhorando as condições de trabalho dos professores. Eles também se dedicaram a selecionar, desenvolver e reter professores mais eficazes e garantir que permanecessem em sala de aula. O estudo apontou três recursos presentes nas políticas bem-sucedidas para a atração de professores: 

1) estágio obrigatório (e de seleção) de ensino como parte do treinamento; 

2) oportunidades de desenvolvimento profissional; 

3) a existência de mecanismos de avaliação contínua de professores.

Os relatórios “Políticas Eficazes para Professores: Compreensões do Pisa”“Professores em Ibero-América: sugestões do Pisa e Talis” podem ser acessados no site da OCDE.

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