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História

Poty a céu aberto

Um dos maiores artistas paranaenses, Napoleon Potyguara Lazarotto deixou seus traços gravados em murais alusivos ao povo e à natureza do Paraná

Eterno Sonho, 1981. Aeroporto Afonso Pena | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Eterno Sonho, 1981. Aeroporto Afonso Pena (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

Um dos grandes nomes da arte paranaense e brasileira deixou mais do que obras em galerias e museus. A arte de Napoleon Potyguara Lazarotto, conhecido como Poty, está espalhada pela capital em grandes murais em concreto aparente e azulejos. A arte a céu aberto não é privilégio de Curitiba, Poty também deixou um pouco de seu trabalho na Lapa, em Foz do Iguaçu, no Rio de Janeiro e até em Paris.

Nascido em Curitiba em 1924, de família italiana residente onde hoje fica o bairro Cristo Rei, desde pequeno Poty já mostrava seu talento com os traços, tendo inclusive publicado, aos 14 anos, tiras de quadrinhos no jornal Diário da Tarde.

Mais tarde teve seu talento descoberto pelo interventor Manoel Ribas – frequentador do restaurante de sua mãe – que lhe concedeu uma bolsa de estudos na escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde desenvolveu sua habilidade para a gravura, aperfeiçoada na Europa.

"Ele foi um dos primeiros gravadores, trazendo a arte à tona em uma época em que o Paraná se formatava como um centro desta técnica no país", comenta a professora de gravura Juliane Fuganti, da Escola de Música e Belas Artes do Paraná.

Influenciado pelos traços da gravura, o artista passou a compor painéis, suas obras mais conhecidas. "Ele demonstrava preocupação social, ao retratar o povo e as coisas do Paraná", diz Maria Estér Teixeira Cruz, restauradora responsável pelo acervo das obras de Poty, hoje em guarda familiar, à espera da construção de um local adequado para expô-las.

Ela o descreve como alguém bastante fechado e de uma criatividade imensa. "Ele pegava o isopor e ia recortando com a faca com grande facilidade. Quando se via, a forma já estava pronta", conta.

O primeiro painel foi feito em comemoração ao Centenário da Emancipação do Paraná, em 1953, na Praça 19 de Dezembro. A última obra no estado foi o painel na Usina de Itaipu, finalizado por outra pessoa, devido ao falecimento do artista em 1998. Em Curitiba, sua última obra também data do ano de sua morte, o painel de azulejos para o Serviço de Transplante do Hospital de Clínicas da UFPR, no 15º andar do edifício, em comemoração ao milésimo transplante de medula óssea ali realizado.

Algumas obras ainda foram executadas por outros artistas sobre desenhos e projetos de Poty, como o painel no Mercado Municipal, um presente do artista ao imperador japonês – que visitou Curitiba em 1997 –; a homenagem aos tropeiros, na Travessa Nestor de Castro; e a homenagem ao movimento escotista, no Bosque do Papa.

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