
Faltam sete minutos para acabar a aula de Matemática de uma turma de 5ª série do Colégio Estadual Adaile Maria Leite, em Maringá. Mas os estudantes, ao contrário do que se poderia supor, querem mais. Neste dia não teve cálculo mental, mas os alunos do professor Ademir Pereira Júnior, 30 anos, pedem para que um breve desafio seja iniciado. "É surpreendente o resultado atingido. Eles gostam de elaborar diferentes estratégias e pedem para que isso seja feito", conta o professor, empolgado, após o término da aula.
O cálculo mental matemático é uma das metodologias utilizadas por Pereira Júnior no projeto que o colocou entre os dez professores Nota 10 de 2008, escolhidos por um concurso da Fundação Victor Civita, entre 4.862 participantes de todo o país. O trabalho ainda pode render ao professor de Maringá o título de Educador do Ano 2008. O resultado será anunciado em 13 de outubro, em São Paulo.
Com dez anos de dedicação ao ensino de Matemática, em fevereiro deste ano Pereira Júnior resolveu aliar duas metodologias diferentes no ensino da disciplina: cálculo mental e registro escrito em portfólio. As sessões de cálculo mental ocorrem uma vez por semana. Nelas o professor estabelece um tempo para seus alunos resolverem mentalmente operações de maneiras diferentes do processo tradicional. Acabado o tempo estipulado para a tarefa, cada estudante passa a explicar como pensou para fazer sua resolução. "Surgem estratégias maravilhosas. A habilidade para o cálculo melhorou um mês após iniciado o projeto", diz.
Depois de cada sessão de cálculo, os alunos registram essas estratégias por escrito. Cada texto integra um portfólio com conteúdos que estão sendo desenvolvidos ao longo do ano. "Nos registros por escrito estamos utilizando outros conteúdos, não só cálculo. E nos textos as idéias matemáticas são bem nítidas", comenta. O portfólio é também um instrumento de avaliação, além da prova tradicional. Reúne a coletânea de atividades feitas pelos alunos. Quem escolhe se vale ou não a pena o exercício ir para o portfólio é o próprio estudante. "Eles estão em busca de exercícios desafiadores. Têm tanto capricho com esse instrumento que, quando pego o portfólio para corrigir, já querem saber se vou demorar ou não para devolver", diz.
A idéia da inscrição do projeto no concurso ganhou incentivo da coordenação e da direção do Colégio Adaile, uma das três instituições onde o professor dá aulas. Formado pela Univerdidade Estadual de Maringá (UEM) e especialista em Educação Matemática, Pereira Júnior dá aulas em todos os dias da semana. Para ele, o recebimento do título Professor Nota 10 é um incentivo: "Me sinto motivado em relação ao meu trabalho e penso em melhorar cada vez mais".



