
Logo na entrada, uma imagem de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais dá as boas-vindas aos visitantes do Museu de Arte Sacra de Curitiba (Masac). A peça, feita em terracota (material obtido a partir do barro), é do século 18. Mais à frente, a imagem esculpida em madeira de São Benedito, o padroeiro dos negros, chama a atenção. As duas peças estão entre as 1,5 mil em exposição no Masac. Observando cada uma delas, os visitantes percorrem caminhos da história de Curitiba sob uma de suas óticas mais marcantes: a religiosa. Do latim, a palavra sacro denota sagrado. E não haveria melhor descrição para o acervo local. O museu reúne esculturas, entalhes, imagens e objetos que figuraram nas igrejas e casas de fiéis do século 17 ao século passado.
Não por acaso, desde sua fundação, em 1981, o Masac está localizado na Igreja da Ordem, a mais antiga de Curitiba (inaugurada em 1738). Com o acervo pertencente à Cúria Metropolitana de Curitiba, a administração do espaço é feita pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC). "O acervo já ficou na sede da Cúria e em seminários pela cidade. Quando foi feita uma reforma na Igreja da Ordem, criou-se também um anexo, com o museu", conta a responsável pelo setor de Educação Patrimonial da FCC, Cláudia Klein Arioli.
Para o local, foram então enviadas peças, como o Bom Jesus dos Pinhais, criado no final do século 17 uma das imagens mais antigas da Igreja Católica paranaense. A pequena escultura, também em terracota, foi a segunda imagem religiosa a vir para as igrejas da cidade, ainda no início de sua colonização. A primeira foi a de Nossa Senhora da Luz trazida pelo General Ébano Pereira, colonizador da capital paranaense, substituída mais tarde pela imagem que atualmente está exposta no museu.
O altar do Papa
Grande em importância, a estrutura do Masac nem sempre consegue acompanhar o volume de peças do acervo sacro. Uma das mais importantes, por exemplo, não está exposta em sua sede, mas a poucos metros dali, no Memorial de Curitiba. Um retábulo uma construção com ares de cenário, que fica atrás dos altares de mais de cinco metros de altura compôs o altar em que o Papa João Paulo II rezou missa durante sua primeira visita ao Brasil, em 1980.
Porém, a história da peça é mais antiga. Ele é de 1780, quando o comandante de expedições Afonso Botelho passou pela cidade. Por aqui, ele ordenou a construção do retábulo, que é de cedro maciço e folheado a ouro. A estrutura ficou na Igreja Matriz até 1875, quando ela foi demolida. Depois disso, a peça foi abandonada, até ser encontrada por um restaurador, que a condicionou novamente. Após a passagem do Papa, foi incorporada ao acervo do museu.
Serviço
O Museu está localizado em anexo à Igreja da Ordem, que fica no Largo da Ordem, s/nº, Centro. É aberto de terça à sexta, das 9 às 12 horas e das 13 às 18 horas. Sábado e domingo, das 9 às 14 horas. Entrada franca. Informações: (41) 3321-3265.



