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Arquivados

Diplomas esquecidos esperam por donos

Desinteresse dos formandos gera arquivos abarrotados de certificados. Só na UEL, cerca de 5 mil diplomas foram abandonados

 | Gilberto Yamamoto / Gazeta do Povo
(Foto: Gilberto Yamamoto / Gazeta do Povo)

Conquistar um diploma universitário custa anos de vida e muito esforço, mas há quem não faça questão de ter o documento em mãos, mesmo depois de concluir a graduação. Em várias instituições do estado, diplomas com datas de décadas passadas aguardam, abandonados, a chegada de seus proprietários por direito.

Em Londrina, por exemplo, o número de diplomas não retirados por egressos na Universidade Estadual de Londrina (UEL) chega perto dos 5 mil. Há casos de documentos mais antigos que a própria universidade, emitidos na década de 1960.

Segundo a chefe da Divisão de Diplomas da Pró-Reitoria de Graduação da UEL, Maria Salete Lautenschlager, o diploma mais antigo ainda disponível para retirada é do curso de Direito, datado de 1964. Os diplomas desse tempo eram emitidos pela Faculdade Estadual de Direito de Londrina e registrados pela Universidade Federal do Paraná, em Curitiba.

Vários câmpus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) também mantêm gavetas para os diplomas esquecidos. No câmpus Medianeira, há 185 documentos à espera do dono; em Ponta Grossa, 174; e em Cornélio Procópio, 143. O câmpus Curitiba informou que precisaria de mais tempo para fazer o levantamento, mas revelou que há quatro armários repletos de diplomas abandonados.

Surpresas

Embora a maioria dos formandos opte por retirar o certificado, no máximo, alguns meses depois da colação de grau, funcionários responsáveis pelo setor de diplomas admitem que surpresas ocorrem. "Já aconteceu de virem buscar o diploma 20 anos depois da formatura", revela Marluce Chukewiski, servidora do Departamento de Registros Acadêmicos da UTFPR em Curitiba.

São muitas as justificativas possíveis para a não retirada dos diplomas, mas o simples desinteresse pelo documento deve abranger uma boa parte dos casos. "Uma vez uma ex-aluna veio aqui para tratar de outro assunto e no meio da conversa soubemos que ela não havia retirado o diploma. Quando lhe oferecemos o documento, ela não o quis porque não gostava do curso. Tivemos de insistir para que o levasse", lembra Marluce.

Exigência profissional e demora na entrega afetam procura

O problema dos diplomas esquecidos não é uma realidade enfrentada pelo curso de Medicina da UFPR. Segundo o secretário da coordenação do curso, Irone Ferreira da Silva, há cerca de dois anos o Conselho Regional de Medicina do Paraná passou a exigir a apresentação do diploma para obtenção do registro profissional, não bastando um certificado de conclusão. "Em até três semanas após a formatura, entregamos todos", diz Silva.

A exigência é comum para outros profissionais das áreas de Saúde e Exatas, mas é rara nas Ciências Humanas, o que explica parte dos abandonos.

Além disso, a demora para o documento ficar pronto afeta a frequência das retiradas. Maria Salete Lautenschlager, da UEL, explica que somente a partir de 2002 os diplomas da instituição passaram a serem impressos na própria universidade. O alto custo e o tempo para emissão colaboraram para que os diplomas mais antigos ficassem "encalhados". (JDL e FC)

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