
Estágios são um bom meio de ganhar experiência no mercado de trabalho, mas entre as vagas disponíveis para estudantes não estão cargos para diretor ou presidente de empresa. A necessidade de uma vivência real na área de gestão, encarando todos os seus desafios, é uma das principais motivações de quem se engaja numa empresa júnior vinculada à faculdade.
Definidas como entidades sem fins lucrativos, as empresas juniores são formadas exclusivamente por graduandos do ensino superior, todos voluntários, que prestam serviços reais a clientes reais. Em geral, as atividades que desempenham são de consultoria e podem surgir em qualquer curso.
Embora o objetivo dessa experiência seja acadêmico, com foco no desenvolvimento de habilidades empreendedoras dos membros, algumas dessas empresas chegam a disputar serviços e clientes com empresas do mercado. E ganham!
Como não precisam se preocupar com lucros, as juniores levam vantagem por poder cobrar preços mais baixos pelo trabalho oferecido. Todo o dinheiro arrecadado é obrigatoriamente investido na própria empresa, sem remuneração dos alunos.
Um exemplo de empresa júnior que conquistou relevância no mercado é a JR Consultoria, vinculada à Universidade Federal do Paraná (UFPR). Fundada há 15 anos, a JR já trabalhou em mais de 130 projetos nas áreas de marketing, finanças e gestão de pessoas. Entre os clientes mais expressivos, estão os Correios, a operadora de planos de saúde Clinipam e a casa noturna Woods Bar.
Membros
Hoje a equipe da JR é formada por 16 pessoas, mas, desde sua criação, já passaram por lá mais de 400 alunos dos cursos de Administração, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas e Gestão da Informação. Como em toda empresa júnior, a diretoria é renovada todos os anos, mas os alunos podem exercer atividades enquanto durar a graduação.
Segundo o presidente da JR, Rodrigo Zornitta, o perfil de quem se engaja nesse tipo de atividade é claro. "São jovens com um espírito empreendedor bem marcado. Muitos montaram a própria empresa depois da formatura", conta.
Quem quer passar pela experiência também precisa estar disposto a lidar com uma agenda cheia e alguns sacrifícios. De acordo com Matheus Sanches Coso, da Coem Jr., empresa da área do curso de Engenharia Mecânica da UFPR, é difícil alguém se dedicar à faculdade, à empresa júnior e ainda trabalhar por um salário. "Os alunos que entram aqui estão mais preocupados em conseguir um diferencial para o futuro. A experiência obtida é bastante reconhecida no mercado de trabalho", diz Coso.
Empresa da UEM lidera ranking
A Confederação Brasileira de Empresas Juniores a Brasil Júnior é a entidade que organiza e representa as iniciativas espalhadas pelo país. Seu principal objetivo é fomentar a cultura empreendedora nas universidades.
Entre as iniciativas da Brasil Júnior, a mais popular é a divulgação do ranking anual das empresas filiadas. O Sistema de Medição de Desempenho (SMD) é uma avaliação elaborada para medir como está a situação das juniores em áreas consideradas essenciais. Ao todo são sete critérios: pessoas (tempo de permanência e treinamento), mercado (satisfação e fidelização de clientes), estratégia, projetos, participação na entidade e atuação social.
"Essa ferramenta nos permite propor ações de suporte para empresas em dificuldade, além de incentivar o desenvolvimento das que já vão bem", diz Ana Paula Pereira, presidente da Brasil Júnior.
Hoje 185 empresas são filiadas à entidade, 18 delas no Paraná. No ranking divulgado em 2011, referente a 2010, a Adecon, da Universidade Estadual de Maringá, foi a empresa júnior mais bem avaliada no país.







