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Cai na Prova

África: da escravidão à Copa do Mundo

O mundial está aí. Como os vestibulares sempre trazem temas atuais, seja nas questões de múltipla escolha ou na produção de textos, vamos ajudar você a entender melhor a história do continente africano

A importância do continente africano é inegável: são milhares de anos de história, que formaram a base de muitas civilizações na antiguidade. Mas o que mais marca o continente é o histórico de escravidão e exploração, que explica muito os conflitos recentes e a atual conjuntura.

Entre os séculos 16 e 17, Angola era tida como ponto de saída para o tráfico escravo, que foi inicialmente explorado pelos portugueses. Depois de Portugal, outras potências europeias construíram fortes ao longo do litoral do continente, em busca de acesso aos escravos: o comércio deles era de alto poder lucrativo para os colonizadores. Quando começou a proibição gradativa da escravidão, por volta do século 19, a África passou por um período de redescoberta e os lucros obtidos com os escravos foi substituído por outras fontes de renda. Os países africanos passaram a ser vistos como fonte de matéria prima e mão de obra barata para as grandes potências industriais, que precisavam investir para lucrar.

O ponto alto dessa busca incessante foi a Conferência de Berlin, ocorrida entre 1884 e 1885. Nela, as colônias europeias dividiram o continente sem respeitar história e as relações étnicas. Até 1914, os europeus, principalmente In­­gla­terra, França, Portugal, Bél­­gica, Itália e Alemanha, se apoderaram de pelo menos 90% do território africano.

Independência

Após a Segunda Guerra Mundial, o enfraquecimento dos colonizadores europeus despertou o sentimento de nacionalismo nos países africanos. Surgiram movimentos de independência que, junto com a falta de condições econômicas da Europa em manter as colônias, deram início ao período de descolonização da África, a partir da segunda metade do século 20. O que marcou esse processo é que ele nem sempre ocorreu de forma pacífica. Em alguns casos, houve muita violência.

Durante a ascensão dos movimentos nacionalistas, algumas potências incentivaram a rivalidade étnica contra grupos mais ativos nas lutas de libertação, como foi o caso de Guiné-Bissau, colônia portuguesa. Outras potências favoreceram um ou outro grupo, como ocorreu em Ruanda, colônia da Bélgica, conhecida por um dos maiores casos de genocídio, que durou cem dias e matou cerca de 800 mil pessoas, em 1994. A luta entre as tribos tutsis e hutus se transformou em conflitos étnicos generalizados, levando o país a uma guerra civil cujos efeitos persistem até hoje. Atualmente

Palco de um dos espetáculos mais esperados pelos brasileiros, a Copa do Mundo, a África dos dias de hoje vive muito mais pacificamente do que no período pós-guerra, mas os problemas ainda são muitos. O continente ainda sofre com uma economia estagnada, corrupção política e miséria social.

África do Sul: no país do espetáculo

Como ocorreu em todo o continente, a delimitação do território da África do Sul pelos europeus não respeitou as divergências tribais e nada foi feito para promover uma integração étnica. O país foi inicialmente po­voado por imigrantes holandeses, no século 17, que adotaram uma língua própria, o africâner.

Antes da Conferência de Berlin, no início do século 19, os ingleses tomaram a Cidade do Cabo e lutaram contra os negros e contra os descendentes de holandeses, os bôeres. Os holandeses, então, migraram para outras regiões e fundaram duas repúblicas independentes: o Transvaal e o Estado Livre do Orange, que logo foram invadidas e dominadas pelos colonos ingleses, no conflito conhecido como a Guerra dos Boêres. As regiões boêres, juntamente com as colônias do Cabo, constituíram, então, a União Sul-Africana. A partir de 1911, uma série de leis buscou consolidar o domínio dos africâners (então chamados de boêres) e dos ingleses sobre a população negra.

Apartheid

Com a ascensão do Partido Nacional (da elite branca), a política de segregação racial foi oficializada em 1948, com o nome de Apartheid (que em africâner quer dizer separação). O regime previa a separação dos diversos grupos étnicos que integravam a população do país e dava ao governo o direito de impedir negros de terem participação política e social. Foram criadas leis que proibiam casamentos entre negros e brancos, que barravam o acesso de negros a áreas urbanas consideradas 'brancas' e fortaleciam a separação, como uso de banheiros e bebedouros específicos para brancos e negros.

Após anos de separação, porém, a revolta popular e a pressão externa levaram a gradativas mudanças. As mais significativas ocorreram quando, em 1989, o governo de P. W. Botha foi substituído por Frederik W. de Klerk. Em 1990, o líder do movimento contra o Apartheid, Nelson Mandela, foi libertado, depois de 26 anos de prisão, e as leis racistas começaram a ser abolidas. Foi um grande passo para que, nas primeiras eleições livres, Mandela fosse eleito, em 1994, presidente do país.

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