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Graduação na Rússia

Cinco faculdades russas têm vagas para estudantes brasileiros

O intercâmbio começa com um curso de imersão no idioma russo de acordo com a área procurada pelo candidato, que varia de 10 a 16 meses

Cinco das principais instituições de ensino superior russas estão com vagas abertas para estudantes brasileiros. Os Interessados em investir pelo menos 5 anos (entre curso preparatório e graduação) de suas vidas longe de casa podem escolher entre as oportunidades oferecidas pela Universidade Estatal de Bélgorod, em Bélgorod, Universidade Politécnica de São Petersburgo, em São Petersburgo, além das moscovitas Universidade da Amizade dos Povos, Academia Médica Sechenov e Universidade de Moscou Lomonosov. A iniciativa faz parte do programa de estudos da Aliança Russa de Ensino Superior - entidade que representa oficialmente, desde 2005, estas instituições na América Latina.

O intercâmbio começa com um curso de imersão no idioma russo de acordo com a área procurada pelo candidato, que varia de 10 a 16 meses, na Faculdade Preparatória, na Rússia. Segundo a diretora da Aliança Russa, Carolina Tellez, além do aprendizado do idioma, o estudante também aprende o vocabulário técnico para as áreas de ciências humanas, biológicas e exatas além de matérias referentes à área escolhida.

- O ensino europeu é bem diferente do brasileiro e, para que haja um nivelamento dos conhecimentos, os alunos de humanas têm aulas de política, história e geografia; os da área biomédica assistem a aulas de Biologia, Química e Física, e os das exatas, a aulas de matemática, química e física - explica Carolina.

Quem escolher a Universidade Estatal de Bélgorod poderá fazer a Faculdade Preparatória no Brasil, graças a um convênio firmando entre a Aliança Russa e o Centro Universitário FIEO de Osasco, em São Paulo. As aulas começam em novembro.

Concluída a etapa preparatória, com seis horas de aula, cinco dias por semana, o estudante ingressa na universidade. Segundo Carolina Tellez, parte do curso é subsidiado pelo governo russo desde o início, tendo o aluno que pagar uma média de R$ 575 mensais durante os dez meses para concluir a etapa preparatória. Durante a estada na Rússia, o estudante paga cerca de R$ 50 de moradia e tem um gasto médio de R$ 400 por mês com a alimentação até o final dos estudos. O governo russo assume as despesas com o seguro-saúde do estudante, um mês após a sua chegada.

- Quando chega à Rússia, o estudante começa a pagar o seguro-saúde. Um mês depois o governo assume esse custo. O valor pago pelos estudos é consideravelmente mais baixo se comparado aos gastos em outros países da Europa ou mesmo em universidades particulares brasileiras - afirma.

Entre as carreiras mais procuradas estão Medicina, Direito Internacional e Relações Internacionais. Carolina chama a atenção para a graduação de petróleo e gás oferecida pela Universidade Estatal de Bélgorod.

- Mesmo sendo considerado um dos melhores do mundo, o curso ainda não atrai muitos estudantes brasileiros - comenta.

Embora não seja aplicado um teste tradicional como o vestibular brasileiro, o interessado em estudar na Rússia passa por um processo seletivo avaliado pela universidade de sua escolha e aplicado pela Aliança Russa no país. A entidade, que acompanha os brasileiros durante todo o processo, faz a seleção dos candidatos, orienta na escolha da faculdade, organiza a documentação dos alunos para expedição da passagem e inscrição na universidade escolhida, coordena a distribuição dos alojamentos, e os assessora durante toda a viagem. Os embarques acontecem sempre em outubro e abril, quando começam as aulas na Rússia.

Depois da faculdade na Rússia, estudantes fazem pós na EuropaO intercâmbio para pós-graduação também é oferecido, mas segundo a diretora, tem procura menor do que a graduação.

- Os estudantes que cursam a universidade na Rússia normalmente fazem pós-graduação em outros países da Europa ou retornam ao Brasil para ingressar no mercado de trabalho - diz.

Ao voltar para o Brasil, o estudante submete o diploma adquirido a um processo de validação em uma universidade federal brasileira que tenha um curso equivalente. A boa notícia para quem deseja seguir estudos no exterior é que, a partir de 2010, os diplomas das universidades russas passarão a ser reconhecidos em toda União Européia, o chamado Diploma Único de Estudos Superiores da Europa.

O estudante paulista Francisco Paulo Simone Neto, que está cursando o segundo ano de Relações Internacionais em São Petersburgo, pretende continuar seus estudos na China e seguir a carreira diplomática. Ele conta, por e-mail, que o sonho de morar e descobrir sozinho a Rússia surgiu quando seus pais estiveram, há cerca de sete anos, naquele país.

- Eles me trouxeram muitas lembranças e um livro em russo sobre Moscou. Eu já tinha uma familiarização com o idioma porque já tinha feito um curso em Sorocaba, no interior de São Paulo. Como eu tinha a intenção de seguir a carreira diplomática e fazer o curso de relações internacionais, segui em frente com o meu sonho e entrei no programa - afirma.

Francisco conta que o curso do idioma facilitou bastante sua vida e possibilitou que novas amizades fossem feitas não só entre os estudantes, mas com todo o corpo docente da universidade.

- A Rússia é um mundo totalmente diferente não só no idioma, mas na cultura, comida e na política. A pessoa precisa estar pronta para mudanças bruscas. Por isso, um aprimoramento é fundamental para uma boa adaptação, assim como uma estrutura psicológica muito bem estruturada. Os brasileiros que vieram para cá sem uma noção da língua ficaram praticamente ilhados, sem comunicação - comenta.

A paixão pelo idioma russo e pelo país que o acolheu fizeram com que Francisco criasse um blog (http://diplomacia.zip.net) onde conta o processo de socialização, problemas e aventuras pelos quais passou.

Serviço: Aliança Russa de Estudos Superiores. Tel: (11) 5505 5898. Endereço: Av. Eng. Luiz Carlos Berrini 962, Conj.102, Brooklin - São Paulo - SP. Site: www.aliancarussa.com.br.

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