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UFPR 2013/2014

Fogo Morto e o fim dos engenhos

Romance de José Lins do Rego é um dos novos livros a serem cobrados na prova de Literatura da UFPR

 | Felipe Mayerle / Gazeta do Povo
(Foto: Felipe Mayerle / Gazeta do Povo)

A obra Fogo Morto, de José Lins do Rego, é uma das novidades na lista de livros que serão cobrados na prova de Literatura do vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) neste ano. Publicado em 1943, o livro é considerado por vários estudiosos uma obra-prima do regionalismo neorrealista, estilo que ganhou destaque no Brasil na década de 1930, período também conhecido como a segunda fase do Modernismo.

VÍDEO: Confira os comentários da professora de literatura Gisele Thiel, do Colégio Sion, sobre a obra Fogo Morto

O nome do livro dá pistas sobre o contexto social retratado. A expressão "fogo morto" era usada no Nordeste para se referir a engenhos de cana-de-açúcar desativados, o que também remete à decadência desse tipo de negócio com a chegada das usinas. Esse aspecto é destacado pela professora de Literatura Gisele Thiel, do Colégio Sion. "Há um embate entre a tradição e a modernidade que está chegando. Esse conflito também é sentido pelos personagens num Nordeste decadente", diz.

O livro é dividido em três partes, cada uma delas coloca em destaque personagens específicos do romance. A primeira é dedicada ao mestre José Amaro, um seleiro de saúde frágil que vive nas terras de outro personagem importante, Seu Lula, um coronel decadente e dono de engenho que se torna protagonista na segunda parte do livro. O andarilho Capitão Vitorino está no foco da história na terceira parte da obra.

Sobre Vitorino, alguns críticos literários chegam a apontá-lo como um dos personagens mais bem construídos da literatura brasileira. "Costuma-se dizer que Capitão Vitorino é um personagem quixotesco, numa referência a Dom Quixote, por tratar-se de um sonhador que parece viver fora da realidade", explica o professor de Literatura Gilberto Alves, do Curso Acesso.

Outros temas

Além do contexto social que envolve o desaparecimento dos engenhos, o livro trata do poder exagerado da polícia, fala do cangaço e da personalidade dos coronéis, que, embora decadentes, tentam manter a pose, diz Alves. A história se passa no município de Pilar, na Paraíba, cidade natal do autor.

A obra também fecha uma série de romances que retratam aspectos da vida nos engenhos, sequência que o próprio Lins do Rego chama de Ciclo da Cana-de-Açúcar. O regionalismo impulsionado pelo sociólogo nordestino Gilberto Freyre seria a grande influência por trás dessa série de obras.

O que pode cair

O professor Gilberto Alves lembra que outras obras também abordam a vida nos engenhos. Essa recorrência do assunto pode aparecer em questões que peçam para relacionar diferentes livros. Perguntas que citam a semelhança do personagem Capitão Vitorino com a obra de Miguel de Cervantes (Dom Quixote) também são comuns em provas sobre Fogo Morto.

Sobre o autor

O paraibano José Lins do Rego nasceu em 1901 e morreu em 1957, no Rio de Janeiro. Formado em Direito, começou a escrever artigos sobre política na universidade. Segundo a Academia Brasileira de Letras, em 1923, ele conheceu Gilberto Freyre e integrou o chamado grupo modernista do Recife. Foi promotor público em Minas Gerais e fiscal de bancos em Maceió, onde escreveu seus primeiros romances: Menino de Engenho, Doidinho e Bangüê.

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LIVROS UFPR 2013 | 6:16

Confira os comentários da professora de literatura Gisele Thiel, do Colégio Sion, sobre a obra Fogo Morto, do autor José Lins do Rego . Trata-se de uma das novidades na lista de livros que serão cobrados no vestibular da UFPR neste ano.

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