
Dedicação, perseverança, capacidade de adaptação, eficiência e autocontrole. Essas são as características fundamentais de um ninja, mas são também virtudes de alunos que apesar de não terem passado por um curso preparatório aniquilaram as provas do vestibular e garantiram suas vagas em grandes instituições de ensino.
Assim como os guerreiros japoneses, quem resolve encarar uma prova difícil e concorrida sem cursar um pré-vestibular tem de ter muita determinação e técnicas específicas para o combate: conhecimento e domínio do conteúdo.
"Durante o ano em que prestei vestibular, estudava em média três horas por dia, dividindo meus horários para me dedicar a matérias específicas. Pedia ajuda quando precisava, principalmente para minha mãe, que é professora de Matemática. Consegui entrar em duas grandes instituições, na UFPR (Universidade Federal do Paraná) e na UEM (Universidade Estadual de Maringá). Não foi fácil, mas consegui", conta David Barczak Rodrigues, 21 anos, que em 2007 passou em Engenharia Civil na Federal.
Apesar de ter estudado por conta, David não está sozinho. Pelo contrário. Os "sem-cursinho" são muitos entre os calouros das duas instituições federais do estado. Dados do último vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) apontam que 42,7% dos candidatos aprovados não fizeram pré-vestibular ou terceirão no ano anterior ao ingresso na instituição. No último vestibular da Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR), realizado na metade do ano passado, 51,3% dos classificados não cursaram preparatórios.
Como bons ninjas, para alcançar seus objetivos, estes estudantes lançaram mão de suas armas. Neste caso, espadas, estrelas e ganchos dão vez a recursos como disciplina, rotina e horas de estudo. No entanto, a principal arma destes vestibulandos é a internet.
"Hoje, se o aluno quiser e tiver disciplina ele estuda todo o conteúdo de um vestibular em casa, pelo material disponível na internet. Mas se engana quem pensa que vai estudar menos do que se estivesse num cursinho. Tem de ter rotina", explica o professor de matemática do Acesso, Gilmar Bornatto, que sabe bem do que está falando. Além de dar aulas tradicionais, ele ainda dá uma força para os "vestibas virtuais", com o conteúdo que administra no www.gilmaths.mat.br, site de exercícios, testes e dicas de filmes.
Na rede
Se os jovens usam a internet para saber o que acontece mundo afora uma pesquisa realizada com os calouros do vestibular de verão de 2009 da UTFPR apontou que para 49,2% a Internet é a principal fonte de informação em tempo de vestibular não poderia ser diferente. É grande o número de professores que, como Gilmar, tem blogs e sites que trazem temas relativos ao vestibular.
Entre eles está o professor Dulcídio Braz Jr., que com o Física na Veia (www.fisicanaveia.com.br) venceu o prêmio de melhor blog escrito em língua portuguesa do The Best of Blogs (The BOBs), uma espécie de Oscar da Internet. "Começou como um meio de divulgar o meu trabalho, mas depois percebi que poderia ser a minha sala de aula virtual. Desde o começo, o espaço mostrou-se uma ferramenta incrível para debater e ensinar a Física a partir de acontecimentos do cotidiano", explica. A internet, porém, oferta mais que conteúdos do ensino médio. O estudante Cássio Mauro Covalski, de 16 anos, usa a rede para encontrar as provas de processos seletivos de outros anos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), instituição em que pretende estudar Ciências Contábeis. "Eu faço as provas para treinar os exercícios. Também leio notícias e jornais, por causa da redação, já que meu curso não tem prova específica e a produção de texto pesa bastante", diz. Cássio estuda pela manhã no Colégio Estadual do Paraná e faz estágio de tarde. Ele se prepara para o processo seletivo de noite e nos fins de semana.
Simulados
A história do recém formado Francisco Marés, 23 anos, reforça a estratégia de que fazer os exercícios é tão importante quanto ler os conteúdos. Foi assim que ele garantiu o quarto lugar no curso de Jornalismo da UFPR em 2006. "Gastei mais tempo fazendo testes e simulados. É muito importante conhecer a prova e o tipo de questões que são cobradas no vestibular que você vai fazer", diz.
Quando era vestibulando, Renan Rizh, 18 anos, além de fazer os simulados, cronometrava o tempo que levava para terminar as questões, como em um dia de prova. Como resultado conseguiu a aprovação na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) ainda no fim do terceiro ano de ensino médio. No ano seguinte à aprovação, no entanto, ele decidiu que queria estudar em Curitiba e, sem fazer cursinho, estudou o suficiente para garantir a vaga em Química Tecnológica na UTFPR.
Recomendação dos aprovados é focar nas específicas
Outra dica que os sem-cursinho que passaram dão é focar os estudos nas disciplinas que são cobradas na fase específica e nas que se tem mais dificuldade. João Paulo Basniak Boese, de 22 anos, está no segundo ano de Engenharia Civil da UTFPR e conta que até passar foram anos de tentativa: fez o primeiro vestibular em 2005 e passou na metade de 2008. "No começo estudava tudo, todos os conteúdos igualmente. Depois passei a focar nas específicas e nas matérias em que eu tinha mais dificuldade", diz ele, que afirma ainda que o fato de ter feito um curso tecnológico durante os três anos que tentou a vaga em Engenharia ajudou a reforçar a base em exatas.
Dar mais atenção às específicas também é a ideia de Pâmela Gromowski, 20 anos, que vai tentar Teatro na Faculdade de Artes do Paraná (FAP). Ela decidiu não fazer cursinho e, como trabalha em período integral, se dedica à preparação à noite e nos fins de semana. "Estudo todos os dias. Volto do trabalho, como alguma coisa e vou estudar. Antes de dormir ainda leio algum livro sobre teatro, já que na FAP a segunda fase é específica", conta. Ela também vai tentar Pedagogia em uma particular, e por isso não descartou o estudo da matemática e física que, segundo ela, são suas grandes dificuldades.



