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Mapa da Educação

Município paranaense tem o pior indicador educacional do país

Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, novo indicador calculado a partir da Prova Brasil e das taxas de aprovação, coloca o pequeno município de Ramilândia, no Oeste do Paraná, com a pior média do levantamento, com média 0,3

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que será divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Educação, traz números dramáticos. O novo indicador calculado a partir da Prova Brasil e das taxas de aprovação aponta que apenas em dez dos mais de 5.500 municípios brasileiros os alunos da rede municipal de 1ª a 4ª série alcançam ou superam a média 6, considerada equivalente ao padrão de aprendizagem dos países desenvolvidos. O pior resultado foi registrado no pequeno município de Ramilândia, no Oeste do Paraná. Curitiba se destaca positivamente entre as capitais.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, no cálculo dos estados, que considera toda a rede pública, nenhum alcançou a nota 5. No ensino médio, 16 estados ficaram abaixo da nota média 3. Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que atingiram a média mais alta, não passaram de 3,5. Entre as turmas de 5ª a 8ª série do ensino fundamental, apenas Santa Catarina superou a nota 4, com a média 4,1. Entre os alunos de 1ª a 4ª série, São Paulo liderou com 4,5. Já o Paraná alcançou média 5 na 1ª fase do fundamental, sendo o estado mais bem colocado. Em seguida vieram Minas Gerais (4,9) e São Paulo (4,5).

Dentre as cidades com os melhores Idebs, de 1ª a 4ª séries municipais, figuram nove de São Paulo e uma do Paraná. Ivituba, localizada no Noroeste do Paraná, ficou em 9º lugar, com média 6. Entre as capitais, Curitiba lidera o ranking com média de 4,7 na avaliação de 1ª a 4ª séries. Em seguida vem Belo Horizonte (4,6) e Rio de Janeiro (4,3).

Na elaboração do indicador são levados em conta dois fatores: rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono medidas pelo Censo Escolar da Educação Básica) e médias de desempenho no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) ou na Prova Brasil. O índice avalia a qualidade da educação de 1ª a 4ª série e 5ª a 8ª do ensino fundamental e do ensino médio.

Os piores

Ramilândia, localizada a 80 quilômetros de Foz do Iguaçu, é o município com o mais baixo indicador educacional do país, com 3.872 habitantes e índice de analfabetismo que beira os 22% da população. Lá existe apenas uma escola municipal, com 451 alunos. Segundo o prefeito, 25% da arrecadação de R$ 400 mil por mês são destinados à educação. A cidade tem 25 professores, que ganham em média R$ 570 por 20 horas semanais. A média de Ramilândia ficou em 0,3.

A notícia causou espanto ao secretário de Educação do município, Adilson Turato. "Na Prova Brasil (exame em que se baseia o Ideb), os estudantes tinham de preencher gabaritos. Eles não tiveram essa orientação", explicou Turato ao portal de notícias G1. O secretário ainda afirma que a geografia acidentada da cidade dificulta o acesso das crianças e que o transporte é precário para os estudantes do interior. "A administração investe na qualificação continuada dos professores, mas é necessário investir na outra ponta, na orientação das famílias", disse.

Entre os dez piores aparece mais um município do Paraná. Nova América da Colina, no Norte do estado, ficou com o 5º pior resultado, com média de 1,2. A cidade tem 3,5 mil habitantes.

Com um índice de repetência que chega a 55% nas primeiras séries do ensino fundamental, Maiquinique, a 600 quilômetros de Salvador (BA), tem o segundo pior ensino de 1ª a 4ª série e o pior de 5ª a 8ª série. A cidade tem apenas uma unidade de ensino pré-escolar. A maior parte dos alunos entra diretamente na primeira série do ensino fundamental, sem qualquer preparo. O efeito é uma bola de neve.

A cidade tem 12 escolas de ensino fundamental e cerca de cem professores. Pelo menos 70% deles só cursaram até o Segundo Grau. Eles recebem R$ 414,98. Quase a totalidade dos 30% restante ainda estão freqüentando a universidade e recebem o mesmo valor. Os poucos que já têm nível superior ganham aproximadamente R$ 650. No município mato-grossense de Itaúba, o acesso à escola ainda é deficiente. O município vive às voltas com a evasão escolar. Um em cada cinco moradores com mais de 25 anos não sabe ler nem escrever na cidade. A secretária de Educação do município, Ivanir Cavalheiro Zonta, diz que as grandes distâncias entre as fazendas e a zona urbana contribuem para a queda na freqüência e o baixo desempenho dos alunos.

PDE

Ao lançar o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), o presidente Lula disse que seu governo entrará para a História se o PDE botar o Brasil "em pé de igualdade com qualquer país do mundo desenvolvido na área de educação". Os números mostram que, por enquanto, o país está muito distante disso. A meta do MEC é que até 2021 os alunos de 1ª a 4ª série consigam atingir a média geral 6, consideradas as escolas públicas e particulares.

Na quarta, milhares de professores da rede pública fizeram uma passeata na Esplanada dos Ministérios para protestar contra o piso salarial de R$ 850 previsto no PDE.

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