
Quem entra em um curso universitário logo se acostuma a ter uma rotina de leitura bastante pesada. Mas não são apenas livros e revistas científicas que os alunos carregam pelas salas. A maioria dos estudantes apela para as fotocópias dos textos solicitados pelos professores. Em muitas universidades as empresas que fazem as cópias, cheias de pastas deixadas pelos professores, estão espalhadas pelos blocos dentro dos câmpus ou em ruas próximas. Capítulos de livros, artigos, trechos de revistas, exercícios. O material é variado e só aumenta com o passar dos semestres, o que leva o estudante a acumular pilhas e mais pilhas de papel.
Alguns professores organizam uma pasta com todos os textos que vão utilizar na disciplina durante o semestre, e os alunos podem fazer as cópias de uma só vez. Outros preferem liberar o material aos poucos, fazendo com que os estudantes frequentem quase diariamente as empresas de fotocópias. "Tem professor que separa o que é material obrigatório para as aulas e os textos complementares, assim não precisamos tirar cópia de tudo. Muitas vezes o que ele explica em sala de aula acaba sendo mais proveitoso", conta Mariah Daher, 20 anos, aluna do terceiro ano do curso de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Quando são exigidos muitos capítulos do mesmo livro ou o assunto tem um interesse maior para o universitário, a compra da obra pode ser a melhor opção. Mesmo assim, o preço da fotocópia ainda atrai os estudantes. Além de mais caros, muitas vezes os livros são difíceis de serem encontrados. "Eu gostaria de ler mais livros, mas infelizmente não é possível, alguns são antigos e muito caros", conta Giovana Lucchin, 21 anos, estudante do primeiro ano do curso de Letras da UFPR.
Para o professor da UFPR Gelson João Tesser, que dá aulas de Teoria e Fundamentos da Educação, a cultura da fotocópia diminui a preocupação das universidades com a compra de livros. "As universidades têm espaço para as empresas de xerox, mas não têm livros suficientes para os alunos. Isso é prejudicial para a vida acadêmica", afirma. A cópia integral das obras, mesmo proibida pela Lei do Direito Autoral, acaba sendo muito frequente entre os universitários que não conseguem comprar ou emprestar os livros originais. "Na disciplina de Literatura Clássica precisávamos ler uma obra rara que me custaria R$ 100, enquanto o xerox do livro inteiro saiu por R$ 15", conta Aline Alegre, colega de Giovanna no curso de Letras.
Mesmo sendo mais baratas que os livros, porém, as fotocópias vão se acumulando ao longo das semanas e dos semestres, o que no final também sai caro. Por isso, é importante separar um dinheiro extra para essa finalidade. "Depende muito do professor e da disciplina. Eu tenho nove disciplinas e a quantidade de textos é bastante grande", conta Mariah, que, num cálculo aproximado, estima gastar até R$ 80 reais por mês com xerox.



