Todo ano a Universidade Federal do Paraná (UFPR) indica dez obras de leitura obrigatória para a prova de Literatura. Neste ano, quatro delas são estreantes na lista, que foi divulgada em fevereiro. Parece muito, mas com organização e disciplina é possível ler todas elas, o que, segundo os professores, é fundamental para se dar bem na prova. Basta fazer a conta: como a primeira fase da Federal é aplicada historicamente em novembro, até a prova faltam cerca de oito meses. Tempo de sobra, não?
O professor João Amálio Ribas, que dá aulas de Literatura no Curso Acesso e no Colégio Bom Jesus, sugere que o estudante comece a leitura pelo livro que se enquadra na escola literária estudada nas aulas no momento. "Se estamos falando de Romantismo, seria bacana que o aluno lesse Inocência, do Visconde de Taunay, até para saber o contexto literário e as características de cada escola."
Na hora de fazer a leitura é preciso anotar alguns pontos, para facilitar o trabalho lá na frente, quando for necessário rever os conteúdos poucos dias antes da prova. Identificar o tipo de narrador, personagens, espaço, tempo, enredo, linguagem, conteúdo e as ideias principais é uma boa dica. "Algumas obras tratam de temas bem atuais, como o livro Poemas Escolhidos, do Gregório de Matos, que fala, entre outros assuntos, de corrupção. São detalhes como esse que o estudante tem de perceber e relacionar com o que acontece hoje", diz Braz Ogleari, professor de Literatura do Curso Positivo.
Resumo não basta
Com diversos conteúdos de várias disciplinas, é comum ver alunos que se acomodam e tentam estudar somente pelos resumos das obras. Porém os professores alertam: só ele não basta. É preciso ler para sentir o estilo de cada autor. "É também uma questão de segurança. O aluno que leu tudo se sente confiante para fazer a prova e isso pode ser decisivo", aponta Ribas.
E para quem não passou no último vestibular e vai tentar novamente, fica a dica do professor Braz: "É preciso ter humildade para ler mais uma vez e com mais atenção."
Apesar das mudanças, a lista continua contemplando os três principais gêneros literários: poesia, prosa e teatro. Para o professor de Literatura do Curso Dom Bosco Marcelo Müller, a surpresa é que a instituição deixou Machado de Assis de fora, presente nas provas da maioria das universidades. Outro ponto é a ousadia de algumas indicações. "Temos de obras bem contemporâneas, como a do Bosco Brasil, a livros que falam sobre homossexualismo, como o Bom-Crioulo. Acho que a UFPR inovou bastante e fez excelentes escolhas", diz Müller.
Onde encontrar
Quem quer comprar as obras indicadas pela UFPR tem duas opções: as livrarias e os sebos, que vendem livros usados e costumam ter preços mais baratos. Mas é preciso correr, porque assim que a lista é anunciada as obras começam a sumir das prateleiras. "Livros da UFPR não duram mais do que dois dias aqui. É assim o ano todo porque a procura é muito grande", conta André Ramos, vendedor do Sebo Osório. Para não perder a viagem ele dá a letra: é possível consultar o site www.livronauta.com.br, que reúne os principais sebos da cidade, para ver se o livro está disponível e quanto ele custa.
Outra opção é baixar a obra na internet. Duas delas Inocência, do Visconde de Taunay, e Lucíola, de José de Alencar são de domínio público, ou seja, podem ser reproduzidas sem necessidade de pagamento de direito autoral. Elas estão disponíveis no www.dominiopublico.gov.br.
Para ter acesso gratuito às obras que não podem ser baixadas, a alternativa é procurar as bibliotecas dos cursinhos ou até mesmo a Biblioteca Pública do Paraná. Nela se encontram as dez obras, que podem ser emprestadas, uma por vez, durante uma semana. Vale lembrar que a procura é grande e às vezes é preciso colocar o nome numa lista de espera.
O livro Cheiro de Chuva e Novas Diretrizes em Tempo de Paz está em falta nos sebos. Nas livrarias é preciso encomendá-lo com pelo menos 30 dias de antecedência. A biblioteca pública tem uma cópia para empréstimo.
Excluídos
Confira os livros que deixaram a lista neste ano: Dom Casmurro, Machado de Assis; Leão de Chácara, João Antônio; Muitas Vozes, Ferreira Gullar; O pagador de promessas, Dias Gomes.



