
O esquema e a imagem a seguir servem de base para responder à questão 01.
Esquema A estrutura narrativa de Dom Casmurro
Capítulos 1 2: preâmbulo explicativo sobre o título e a finalidade do romance;
Capítulos 3 50: infância e adolescência do protagonista;
Capítulos 51 97: permanência do protagonista no seminário;
Capítulos 98 148: bacharelado e casamento do protagonista.
Imagem O almoço dos remadores, do pintor impressionista francês Pierre-Auguste Renoir (1841-1919):
O almoço dos remadores, de Renoir (Foto 1). 1880, 1881, óleo sobre tela, 130 X 173cm, The Phillips Collection, Washington (Estados Unidos)
Com base no esquema e na imagem dados, na leitura de Dom Casmurro, de Machado de Assis, e em seus conhecimentos sobre a Literatura Brasileira, assinale a alternativa correta:
a) O esquema evidencia o enredo linear da obra Dom Casmurro, comumemente utilizado em outros romances do autor, como Memórias póstumas de Brás Cubas, o que representa ainda a permanência das marcas românticas na prosa realista do autor.
b) Os capítulos 1 e 2, apontados no esquema como um preâmbulo da obra, não iniciam o desenvolvimento do enredo em si, mas revelam as preocupações prévias de Bentinho, prestes a iniciar seu relato, o qual resulta, aparentemente, de um impulso de ele se conhecer melhor e quebrar a monotonia de seus dias isolados; entretanto, na essência, seu propósito na obra, de fato, é acusar a sua falecida esposa.
c) Há semelhanças no processo narrativo utilizado por Bentinho com o Impressionismo, pois, semelhantemente a esta estética, o protagonista apoia-se na observação pessoal e sensível da realidade, valorizando mais as impressões do observador do que as dimensões próprias das coisas ou dos acontecimentos. Ao observarmos, em especial, o fundo da tela em destaque, percebe-se técnica semelhante, razão pela qual Machado de Assis é apontado como grande divulgador das vanguardas artísticas do século 20, que muito influenciariam no surgimento do Modernismo no Brasil.
d) A tela retrata o grupo social que também é objeto de análise para Machado de Assis: a burguesia. No entanto, os retratos são bem distintos: enquanto Renoir idealiza e exalta o comportamento burguês (como se nota claramente na tela), Machado faz críticas severas e violentas a tal grupo social, razão pela qual ele é visto como um dos maiores representantes do Naturalismo no Brasil.
e) Os dois capítulos iniciais do romance evidenciam o caráter metalinguístico presente na obra machadiana, rejeitado plenamente por escritores que surgiriam a partir da década de 1930, como Mário de Andrade, Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade.
02. Leia com atenção os textos a seguir:
Texto 1
Quando minha prima e eu descemos do táxi já era quase noite. Ficamos imóveis diante do velho sobrado de janelas ovaladas, iguais a dois olhos tristes, um deles vazado por uma pedrada. Descansei a mala no chão e apertei o braço da prima.
É sinistro.
Ela me impeliu na direção da porta. Tínhamos outra escolha? Nenhuma pensão nas redondezas oferecia um preço melhor a duas pobres estudantes, com liberdade de usar o fogareiro no quarto, a dona nos avisar por telefone que podíamos fazer refeições ligeiras com a condição de não provocar incêndio. Subimos a escada velhíssima, cheirando a creolina.
Pelo menos não vi sinal de barata disse minha prima.
A dona era uma velha balofa, de peruca mais negra do que a asa da graúna. Vestia um desbotado pijama de seda japonesa e tinha as unhas vermelhas aduncas recobertas por uma crosta de esmalte vermelho-escuro descascado nas pontas encardidas. Acendeu um charutinho.
É você que estuda medicina? perguntou soprando a fumaça na minha direção.
Estudo direito. Medicina é ela.
A mulher nos examinou com indiferença. Devia estar pensando em outra coisa quando soltou uma baforada tão densa que precisei desviar a cara. A saleta era escura, atulhada de móveis velhos, desparelhados.
TELLES, Lygia Fagundes. Seminário dos ratos (conto "As formigas"). 8 ed., Rio de Janeiro: Rocco, 1998, página 7 (graúna: pássaro de cor negra e brilhante; aduncas: recurvadas, tortuosas)
Texto 2
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
Um dia, ao pino do sol, ela repousva em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.
Iracema saiu do banho; o aljôfar dágua ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva.
ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Ática, 2000, páginas 16-17. (jati: pequena abelha que produz mel muito doce; oiticica: árvore frondosa, apreciada pela deliciosa frescura que derrama sua sombra; esparzir: borrifar, salpicar)
Com base na leitura dos textos, nas obras donde foram extraídos e em seus conhecimentos sobre a literatura brasileira, assinale a alternativa incorreta:
a) A comparação "mais negra que a asa da graúna", no texto de Lygia Fagundes Telles, é um exemplo de intertextualidade com o texto de Alencar, marcado, porém, por uma conotação irônico-depreciativa.
b) A descrição de Iracema permite-nos enxergá-la como autêntica personagem romântica, em plena harmonia com a natureza. Já a descrição da dona da pensão, no texto de Lygia, é coerente com a descrição do ambiente, marcado pela decrepitude e morbidez.
c) José de Alencar e Lygia Fagundes Telles são nomes representativos da ficção brasileira. Alencar destacou-se, ao lado de Machado de Assis, como um dos maiores prosadores brasileiros no século 19; Lygia é um dos destaques da ficção contemporânea brasileira, desenvolvendo uma prosa de tendência intimista, na qual se destacou, também, Clarice Lispector.
d) Ao compararmos os dois textos, percebe-se o contraste entre a natureza exuberante (texto 2) e a civilização decadente (texto 1), em consonância com os períodos em que foram produzidos.
e) O texto 1 ilustra a liberdade formal preconizada pelos modernistas da primeira geração, na medida em que se rompem os limites existentes entre verso e prosa. O léxico empregado é totalmente coloquial, seguindo a tendência experimental de autores como Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade.
03. Assinale a alternativa que não está de acordo com a temática e o estilo da obra Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles:
a) A exploração de recursos sonoros através de aliterações e assonâncias confere a alguns textos um tom declamatório e enfático, reforçado pelas exclamações e interrogações.
b) Além das personagens diretamente envolvidas no movimento sedicioso que inspira o título e a obra, o poema também trata de outras, como Chica da Silva, que embora não estejam diretamente envolvidas, ajudam a compor o ambiente histórico do texto.
c) O lema da Inconfidência, que hoje figura na bandeira de Minas Gerais, é retomado em alguns momentos do poema.
d) O formato do Romanceiro, estilo típico do fim do período medieval, implica que o poema é construído pela alternância de cantigas de amor e cantigas de amigo, com a inserção de serenatas, romances, falas e retratos.
e) Os ideais de liberdade e de independência dos inconfidentes surgem nuançados pela linguagem de tom neossimbolista, bem típica da obra de Cecília.
04. Sobre a obra São Bernardo, seu autor e seu estilo, podemos afirmar:
a) A linguagem é essencialmente oralizada, na medida em que o personagem-narrador transcreve a fala das personagens e atropela as regras gramaticais.
b) A obra tem como centro da narrativa o processo de autoanálise do personagem principal, que vê seu casamento com Madalena como uma negociação qualquer, a ser decidida com base nas vantagens advindas de tal união.
c) Madalena não consegue ter um filho com Paulo Honório, que seria o herdeiro para tomar conta dos negócios e, por essa razão, suicida-se.
d) Paulo Honório é descrito como um homem dominador, que considera a todos como mercadoria, mas que, apaixonado por Madalena, transforma-se numa pessoa mais humana.
e) Constata-se, no romance, um inconformismo por parte de Paulo Honório em relação aos marginalizados e explorados pelo sistema capitalista.
Leia o texto abaixo para responder à questão 05.
O advogado Guilherme Stinighen Gottardi, de 26 anos, foi preso na noite de quarta-feira, em Florianópolis, por falsificar três perfis no site de relacionamentos Orkut. Ele foi preso em flagrante numa lan house no exato momento em que atualizava as páginas falsas com imagens e informações mentirosas sobre as vítimas um casal de noivos.
Dois dos perfis falsos difamavam uma colega de trabalho de Guilherme no Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). O outro atacava o noivo dela.
Em entrevista ao Diário Catarinense, o investigador André Silveira, da 1ª Delegacia de Polícia Civil, afirmou que o cerco começou a fechar há cerca de duas semanas, quando ele criou o segundo perfil da menina.
No momento da prisão, André aguardou que o advogado fizesse o login com o nome da vítima. Com o advogado foi apreendido um CD que continha fotos da mulher e sua família. A CPU do computador utilizado pelo suspeito também foi apreendida.
O pai da jovem, que estava junto com a polícia no momento do flagrante, confirma que vai aguardar o processo criminal e processá-lo por danos morais e reparação de danos morais. (Terra, 14 ago 2008)
05. Assinale a alternativa incorreta sobre o trecho acima:
a) Sem contexto, a passagem quando ele criou o segundo perfil da menina poderia sugerir uma ambiguidade, por causa do pronome ele.
b) A passagem Com o advogado foi apreendido um CD que continha fotos da mulher e sua família apresenta uma ambiguidade por conta do possessivo sua.
c) O pronome -lo, em processá-lo, não apresenta um referente explícito no último parágrafo, mas o contexto permite identificá-lo facilmente.
d) quarta-feira (1º parágrafo) e da jovem (última linha) são locuções ligadas a nome.
e) Pelo último parágrafo, entende-se que a vítima estava junto da polícia no momento do flagrante.
Instrução: Leia os textos abaixo, as afirmações sobre eles e em seguida responda à questão 06.
Texto 1
Taxa de homicídios por 100 mil habitantes nas capitais dos estados brasileiros entre a população de 15 a 24 anos (200-2005). (Foto 2)
Texto 2
Curitiba dá pena
Foram registrados 26 assassinatos em Curitiba e em sua região metropolitana entre sábado e terça-feira, período do feriado do Carnaval. Esta é mais uma informação para justificar o título desta coluna: Curitiba dá pena. Dá pena porque nos acostumamos a admirar aquela cidade como um laboratório urbano de civilidade, especialmente para as nações mais pobres. Muitas das invenções curitibanas se propagaram pelo mundo mas a violência atinge sua imagem, revelando uma desagregação social combinada com ineficiência policial. A civilidade de uma comunidade começa pelo direito à vida. A matança do feriado apenas reforça o relatório, divulgado na semana passada, com base em dados do Ministério da Saúde. A taxa de assassinatos é de 49,3 por 100 mil habitantes em Curitiba, muito maior do que a média nacional a linha do homicídio, segundo o documento, cresce a cada ano. Curitiba é mais um exemplo do poder avassalador da epidemia da violência, abalando sua imagem de cidade modelo é uma pena não só para eles, mas para todo o país. (Gilberto Dimenstein Folha de S.Paulo, 6 fev 2008)
Texto 3
Delazari descarta onda de violência em Curitiba
O secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, apresentou nesta quarta-feira (19), em entrevista coletiva, dados estatísticos dos crimes registrados na capital paranaense nos últimos 13 anos que comprovam a queda no índice de violência.
Segundo o levantamento do Grupo Auxiliar de Planejamento (Gap) da Polícia Civil a taxa de homicídios dolosos em Curitiba foi maior na década de 1990 do que nos últimos cinco anos. Em 1997, por exemplo, a taxa chegou a 40,85 homicídios a cada 100 mil curitibanos. Em 99, registraram-se 40,44 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Em 2007, a taxa ficou em 32,77 mortos a cada 100 mil pessoas.
Houve 626 assassinatos na capital em 2000 média de 1,7 por dia. Em 2007, foram 589 mortes 1,6 por dia. Em números relativos, 2000 teve 39,4 homicídios a cada 100 mil curitibanos, ante 32,77 por 100 mil no ano passado. "Esta é a prova de que não houve explosão no número de homicídios na cidade. Mesmo com o grande crescimento populacional registrado em Curitiba, conseguimos manter a média de uma década atrás. A taxa ainda é alta, mas a polícia trabalha incansavelmente para reduzi-la", disse o secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari. (www.bonde.com.br março 2008)
Texto 4 (Foto 3)
(www.gazetta.com.br/blog/curitiba-cidade-sem-lei)
06. Sobre os textos acima, é correto afirmar:
a) Todos apontam para uma mesma opinião sobre a questão da violência em Curitiba.
b) Na região Sul, Curitiba é o caso mais evidente de um aumento expressivo nos índices de violência, segundo os dados expostos pelo NEV.
c) De maneira mais subjetiva, autoral, os textos 2 e 4 indicam a visão que seus autores têm sobre a violência em Curitiba.
d) No texto 4 vê-se a confirmação, pelas palavras do secretário de Segurança Pública do Paraná, dos índices mostrados pelo NEV.
e) Para o secretário de Segurança Pública do Paraná, a violência não é um problema que atinge a cidade de Curitiba.
07. Veja a charge acima (Foto 4) e depois leia as afirmações feitas sobre ela para responder à questão.
I. A fala do menino à esquerda apresenta uma construção verbal analítica com mais de uma forma que encontra equivalente na forma simples no futuro do presente do indicativo.
II. A fala do menino à direita apresenta uma dupla negação que compromete o bom entendimento daquilo que ele enuncia.
III. A passagem (...) se nenhum imprevisto acontecer poderia ser refeita sob a forma caso nenhum imprevisto aconteça.
Assim,
a) nenhuma está correta.
b) todas estão corretas.
c) apenas I e II estão corretas.
d) apenas II e III estão corretas.
e) apenas I e III estão corretas.
08. Infelizmente, mal acabaram as eleições e os políticos já agiram mal. Deputados se deram um aumento que indubitavelmente mostra como eles pouco pensam na população e na imagem que ela tem deles. O aumento foi de praticamente 100%. Protestar contra isso já seria o melhor a fazer. Quem sabe, assim, as pessoas possam votar melhor da próxima vez.
O comentário acima, expresso no final do ano de 2006, quando deputados federais deram a si mesmos aumento de 91%, é pontuado por muitas expressões adverbiais. Sobre tais palavras e sua utilização no enunciado acima, pode-se dizer que:
a) "Infelizmente" não se refere a uma palavra especificamente, mas a todo o enunciado que o segue, não podendo ser traduzido como "de modo infeliz".
b) A primeira ocorrência de "mal" é indicadora de modo.
c) A segunda ocorrência de "mal" é indicadora de tempo.
d) "Indubitavelmente" pode ser traduzido como "ingenuamente".
e) "Melhor", em sua dupla ocorrência, apresenta a mesma classificação gramatical.
09. A máxima "a ordem dos fatores não altera o produto" nem sempre é válida para o âmbito linguístico de produção frasística. A alteração da ordem dos elementos numa frase pode ocasionar dupla leitura ou ambiguidade. Aponte a alternativa que não sofre desse problema de construção.
a) Bradesco Visa Electron oferece assistência a veículos grátis.
b) Ninguém conseguiu tirar a chave da porta da frente da casa.
c) Bandido atropela e mata garoto com carro roubado.
d) A discussão das cotas dos estudantes de escola pública sempre é polêmica.
e) Não se pode ser feliz quando se está na fossa.
10. Dadas as frases abaixo, assinale a alternativa que identifica os corretos valores para as relações semânticas apontadas pelos conectivos destacados:
I. Por coerência, evitou tomar aquele caminho em determinado momento da vida.
II. Ao falar por mim, cometeu comprometedores e enormes equívocos.
III. De medo, ninguém ousava perguntar nada ao diretor.
IV. Nesta situação, é melhor que nos comuniquemos por sinais.
a) modo tempo modo modo.
b) causa causa modo meio ou instrumento.
c) modo causa causa modo.
d) meio ou instrumento tempo modo modo.
e) causa tempo causa meio ou instrumento.
* * * * *
Gabarito
01. b); 02. e); 03. d); 04. b); 05. e); 06. c); 07. e); 08. a); 09. e); 10. e)
Os autores
As questões foram elaboradas pelos professores do Curso Positivo



