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Pnad 2006

Taxa de analfabetismo cai no Brasil, mas ainda é grande, segundo IBGE

Em 2006, 14,9 milhões de brasileiros com mais de 10 anos de idade eram analfabetos, 4,2% a menos que em 2005

A taxa de analfabetismo caiu, mas ainda é gigantesca. É o que mostra um dos mais completos retratos do Brasil, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira (14) pelo IBGE. Em 2006, 14,9 milhões de brasileiros com mais de 10 anos de idade eram analfabetos, 4,2% a menos que em 2005. A taxa de analfabetismo para esse grupo caiu de 10,2% em 2005 para 9,6% no ano passado. Para as pessoas de 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo em 2006 era de 10,4%, 0,7 ponto percentual inferior à de 2005.

A taxa de analfabetismo das pessoas de 10 anos ou mais era de 18,9% no Nordeste e de 10,3% na região Norte. No Sul e no Sudeste, os valores eram de 5,2% e 5,5%. A taxa de analfabetismo dos homens com mais de 10 anos de idade foi de 9,9%, enquanto a das mulheres foi de 9,3%. Em todas as regiões, havia mais analfabetos entre as mulheres do que entre os homens, exceto no Centro-Oeste, onde a taxa de analfabetismo foi a mesma para os dois sexos: 7,4%. Em todas as regiões, de 2005 para 2006, houve decréscimo dessa taxa, sendo mais forte no Norte (de 29,7% para 28,5%) e Nordeste (de 37,5% para 35,5%).

Para o assessor especial da Unesco do Brasil, Célio da Cunha, o Nordeste deveria ser "objeto de um recorte educacional específico" por parte do governo federal.

- É uma região historicamente sofrida. Embora os índices de analfabetismo tenham reduzido na região, comparativamente continuam altos em relação ao Sul e Sudeste - diz.

De acordo com a pesquisa, as pessoas com 10 anos ou mais de idade tinham, em 2006, em média, 6,8 anos de estudo, 3% a mais que em 2005. O indicador era mais alto no Sudeste (7,5) e no Sul (7,2). Na região Norte, a média era de 6,2 anos e no Nordeste era bem mais baixa: 5,6 anos. As mulheres tinham 7 anos de estudo em média, enquanto os homens tinham 6,6 anos. A diferença era maior nas regiões Norte e Nordeste, onde as mulheres tinham, em média, 10,2% e 13,5% mais anos de estudo que os homens. No Sul e no Centro-Oeste, as diferenças eram, respectivamente, de 1,4% e 7,4%. Já no Sudeste, homens e mulheres tinham média de 7,5 anos de estudo.

Mais pessoas freqüentavam a escola em 2006

Do total de pessoas com 5 anos ou mais de idade no Brasil (173 milhões, aproximadamente), 54,9 milhões (em torno de 32%) freqüentavam escola em 2006, um aumento de 0,9% em relação a 2005. A elevação no percentual de estudantes foi maior nas regiões Norte e Centro-Oeste (1,3%, em cada uma). Segundo o estudo, parte da expansão pode ser atribuída ao maior ingresso ou permanência na escola; e parte, ao aumento do número de pessoas em idade escolar.

A presença na escola era maior no grupo de 7 a 14 anos de idade, 97,6%, 0,3 ponto percentual acima do registrado em 2005. Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, mais de 98% das pessoas de 7 a 14 anos de idade estavam na escola. Nas regiões Norte e Nordeste, os percentuais foram de 96% e 96,9% respectivamente. Em Santa Catarina, o percentual de pessoas de 7 a 14 anos de idade na escola quase chegava à totalidade (99%). Por outro lado, as menores taxas para esse grupo etário estavam no Acre (94%) e em Alagoas (95,9%).

Para as outras duas classes em idade escolar, de 5 a 6 anos e de 15 a 17 anos de idade, os percentuais dos estudantes no Brasil foram de 84,6% e 82,2%, respectivamente, em 2006. Em relação ao ano anterior, para o grupo de idade de 15 a 17 anos, houve um aumento de 0,5 ponto percentual. Já para o grupo de 5 a 6 anos de idade, o crescimento foi mais expressivo (3 pontos percentuais).

Percentual de crianças de 5 e 6 anos na escola cresce mais no ES

Havia grandes diferenças nos dados por unidades da federação. Em Rondônia, por exemplo, 60,7% de crianças entre 5 e 6 anos de idade estavam na escola em 2006 (2,9 pontos percentuais a mais que em 2005). Já no Ceará, a taxa ficou em 93,2%, 2,1 pontos percentuais superior à de 2005.

Foi no Espírito Santo que a freqüência de crianças de 5 a 6 anos de idade à escola ou creche mais cresceu em relação a 2005: 9,2 pontos percentuais, atingindo 85,7%, em 2006. Em Alagoas e Mato Grosso do Sul, porém, houve reduções de 1,6 e 0,4 ponto percentual, respectivamente, nesse indicador, de 2005 para 2006, quando as taxas ficaram em 75,2% e 75,7% respectivamente.

Para as pessoas de 18 a 24 e de 25 anos ou mais de idade, as participações no sistema educacional em 2006 eram de 31,7% e 5,6%, respectivamente. Nas regiões Norte (32,6% e 7,7%) e Nordeste (33,8% e 6,6%), estavam os maiores percentuais.

Em todos os grupos de idade, as mulheres tinham um percentual maior de freqüência à escola que os homens. Para o grupo em idade escolar, de 5 a 17 anos de idade, as proporções de estudantes eram 92,4% entre as mulheres e 91,9% para os homens. Em todas as regiões, a diferença ocorreu, não sendo muito significativa apenas no Centro-Oeste (0,1 ponto percentual).

Número de estudantes no ensino superior aumenta

O número de estudantes no ensino superior cresceu 13,2% de 2005 para 2006. Nos demais níveis, houve decréscimos (-4,5% no pré-escolar e -0,9% no ensino médio) e um ligeiro aumento (0,5% no ensino fundamental). Uma das causas desse fenômeno pode ser o envelhecimento populacional.

Apesar de o número de estudantes da rede pública ainda ser significativamente maior que o da rede privada (43,7 milhões contra 11,2 milhões, respectivamente), de 2005 para 2006, o total de estudantes na rede particular cresceu 7,5%; enquanto na rede pública diminuiu 0,7%. A expansão na rede privada foi mais forte no nível superior: 15,3%.

Segundo o presidente da Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Archimedes Diógenes Cilone, ensino superior privado cresceu sem a qualidade da universidade pública:

- Esse crescimento desenfreado registrado no sistema particular não teve o diferencial da forte marca da qualidade que diferencia o ensino superior público - avalia.

Segundo o vice-presidente da Associação nacional das Universidades Particulares (Anup), Rubens Lopes da Cruz, esse aumento de alunos no ensino superior privado pode ser creditado à oferta de bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) e ao aumento no poder aquisitivo dos brasileiros.

- Com o ProUni, muitas pessoas que não tinham a menor condição de acesso à universidade passaram a ter esse acesso - avalia o vice-presidente. Segundo o Ministério da Educação, em 2006 foram oferecidas 138 mil bolsas parciais ou integrais.

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