O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) decidiu ontem retomar o calendário acadêmico na próxima segunda-feira. Com isso, as aulas e demais serviços da instituição poderiam ser liberados já na semana que vem aos "alunos, funcionários e professores que quiserem voltar às atividades", de acordo com a universidade.No entanto, os docentes e servidores da universidade continuam em greve, o que indica que a retomada do calendário possa não representar a volta efetiva das aulas, como defende o secretário-geral da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR), Rogério Gomes.
De acordo com ele, o movimento dos professores "está muito forte" e ainda não teve suas reivindicações atendidas nem local nem nacionalmente. Gomes conta que na terça-feira a reitoria entregou uma proposta para atender às reivindicações dos professores, mas ela não chegou a ser aprovada.
A discussão nacional em torno do reajuste de salários da categoria também está parada. Nesta semana, foi rejeitado um aumento de 4% proposto pelo governo federal. A exigência do movimento grevista é de um reajuste maior, de 50%, no piso da categoria, de acordo com Rogério Gomes.
Sem uma solução, os professores devem continuar paralisados. "O calendário será reiniciado, mas sem professor em sala de aula, sem funcionamento da universidade", resume Gomes. Já os servidores da UFPR devem decidir se aderem ou não à retomada das aulas somente hoje, em assembleia marcada para as 10 horas.
De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral do Estado do Paraná (Sinditest), Antônio de Souza, a posição do órgão será a de "lutar pela continuação da paralisação", durante a assembleia de amanhã.
"O Cepe tomou a decisão dele hoje [ontem], nós vamos tomar a nossa [decisão de voltar ou não às aulas] amanhã [hoje]. O sindicato irá defender a manutenção da greve, mas a decisão é de toda a categoria", afirmou Souza.
Ele também comentou que não haveria a possibilidade de uma volta parcial dos servidores para as atividades. "Greve é greve e inclui todo o movimento, todos os servidores. E é isso que será decidido amanhã [hoje]: se voltam todos ou se não volta ninguém", afirmou Souza.



