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Lula e Bolsonaro
Lula e Bolsonaro tentam costurar seus palanques em Minas Gerais: desde a redemocratização, todo presidente eleito venceu no segundo maior colégio eleitoral.| Foto: Ricardo Stuckert/PT e Isac Nóbrega/PR

Com mais de 15 milhões de pessoas aptas a votar, o estado de Minas Gerais tem o segundo maior colégio eleitoral do país, com cerca de 10% do eleitorado nacional. Não por acaso, todo presidente da República eleito desde a redemocratização venceu na região. É por isso que a consolidação de palanques no estado se tornou crucial para as pré-candidaturas do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mas a articulação não tem sido tarefa fácil. Lula que o diga. O petista deseja fechar uma aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, pré-candidato ao governo do estado pelo PSD, mas está tendo dificuldades. Em parte porque a bancada de deputados da sigla do ex-ministro Gilberto Kassab tem pressionado para que se apoie o projeto de reeleição de Bolsonaro.

"Os deputados têm mais afinidade com o campo de centro-direita. Mais afinidade com o presidente Bolsonaro do que com o Lula. Temos uma posição clara contra essa aliança com o Lula", defende o deputado Subtenente Gonzaga (PSD-MG).

O PSD tem quatro deputados federais em Minas. Eles recentemente se reuniram com o senador Alexandre Silveira, presidente do diretório estadual do partido, para defender o posicionamento favorável a Bolsonaro. Silveira, inclusive, já recebeu convite para ser líder do governo no Senado, mas acabou recuando por pressão da Executiva Nacional do partido.

Caso o acordo com Lula seja inviabilizado, integrantes do PSD mineiro avaliam que a legenda poderia abrir espaço para Bolsonaro no estado. A medida, no entanto, encontra resistências por parte de Alexandre Kalil, que vem se posicionando contra o Palácio do Planalto neste período de pré-campanha.

PL tem pré-candidato em Minas Gerais, mas Bolsonaro flerta com Zema

Na contramão do racha do PSD, o PL, partido do presidente Bolsonaro, lançou a pré-candidatura do senador Carlos Viana ao governo mineiro. O nome dele conta com o apoio deputados da base governista e articulação do deputado estadual Bruno Engler (PL), coordenador do Movimento Direita Minas.

Segundo interlocutores do Planalto, Viana deixou o MDB e se filiou ao PL a pedido de Bolsonaro no final de março durante a janela partidária. O presidente decidiu lançar o senador como pré-candidato ao governo estadual em resposta à hesitação do governador Romeu Zema (Novo) em apoiá-lo.

Apesar disso, aliados do presidente afirmam que o nome de Viana ainda não decolou nas pesquisas e uma aliança com Zema seria o melhor caminho para a disputa. No final de abril, durante uma agenda pelo estado, Bolsonaro fez um primeiro aceno ao elogiar o atual governador.

"Quero parabenizar o governador Zema pela administração e pela maneira que tem conduzido seu estado. Você é um exemplo para todos nós do Brasil”, disse Bolsonaro na ocasião.

Oficialmente, Zema ainda não bateu o martelo sobre seu palanque no estado e tem afirmado que seu partido conta com pré-candidato ao Palácio do Planalto: o empresário Luiz Felipe d'Avila. Nos bastidores, integrantes do Novo admitem que o governador mineiro está receoso de abrir palanque para Bolsonaro diante da polarização com Lula. Nos cálculos, um posicionamento neutro na disputa presidencial poderia beneficiar sua reeleição.

Diante de impasse com Kalil, PT busca plano "B" para garantir palanque a Lula 

O principal entrave para que Lula feche uma aliança com Alexandre Kalil se dá por causa da vaga ao Senado dentro da chapa. Enquanto o PT defende a candidatura do deputado Reginaldo Lopes, o PSD resiste em abrir mão da candidatura à reeleição de Alexandre Silveira.

O ex-presidente petista está em Minas Gerais nesta semana, mas não conseguiu um encontro com Kalil para tratar da aliança. O ex-prefeito de Belo Horizonte afirmou por meio de sua assessoria que chegou a ser convidado para o ato que o PT realizou na capital mineira nesta segunda-feira (9), mas disse que não iria por se tratar de um evento partidário.

A integrantes do PT, Kalil sinalizou que só se encontraria com Lula caso fosse oferecida uma solução para o impasse que envolve a vaga para o Senado dentro da possível aliança entre o partido de Lula e o PSD. Diante do impasse, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou ao portal G1 que a eventual inviabilização de um acordo entre os partidos não será um problema exclusivo de Lula.

Pré-candidato, Reginaldo Lopes afirmou que a decisão final sobre a manutenção de seu nome na corrida pelo Senado será de Lula. "Se o senhor [Lula] compreender que nossa pré-candidatura ao Senado vem para contribuir, garantir a vitória e o melhor palanque para o senhor, me coloco à disposição", disse Lopes.

Paralelamente, o PT já trabalha uma alternativa para a disputa estadual caso o impasse com Kalil não seja resolvido. A solução poderia vir pelo PSB, partido de Geraldo Alckmin, com o nome do ex-ministro Saraiva Felipe. O político foi ministro da Saúde no governo de Lula, entre 2005 e 2006, e deputado federal por seis mandatos.

"O certo é que não se arredondou um acordo [PT-Kalil]. Fica uma disputa, um 'estica e puxa'. Isso abre caminho para que se consolide, não apenas no PSB, mas um outro grupo para formular propostas para um governo em Minas", disse Felipe depois de um encontro com Lula na capital mineira.

Caso a pré-candidatura de Felipe não se viabilize, uma das possibilidades é que Lula dê apoio informal a Kalil, sem que o PT esteja na coligação. Esse movimento permitiria que Reginaldo Lopes e Alexandre Silveira disputassem a vaga de senador.

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