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PSDB Doria
Executiva do PSDB se reuniu em Brasília para discutir candidatura de João Doria à Presidência da República| Foto: Wesley Oliveira/Gazeta do Povo

A Executiva Nacional do PSDB se reuniu nesta terça-feira (17), em Brasília, para discutir o futuro da pré-candidatura do ex-governador de São Paulo João Doria à Presidência da República. Durante o encontro, os líderes tucanos ouviram que a candidatura de Doria atrapalha o partido nos estados e deram aval para que o presidente da sigla, Bruno Araújo, siga com as negociações com o MDB, que tem como pré-candidata a senadora Simone Tebet (MS).

O encontro do partido ocorreu dias depois de o tucano acusar a cúpula do partido de "golpe" diante das negociações para unificação de candidaturas na chamada terceira via. A reunião, convocada por Bruno Araújo, contou com membros da mesa diretora do partido e de integrantes da bancada da Câmara e do Senado. Doria não esteve presente, mas foi representado por deputados aliados e pelo coordenador da campanha, Marco Vinholi.

"Tiramos de hoje uma relação muito madura e esperamos que a gente dê cada vez mais um passo no sentido de uma unidade. Seguimos o diálogo com o MDB", afirmou Araújo.

De acordo com o deputado Aécio Neves (MG), adversário de Doria no PSDB, foi sugerido que o pré-candidato seja ouvido pelas lideranças do partido antes que uma decisão sobre apoiar Tebet seja aprovada. Na avaliação de Neves, o próprio Doria precisa ouvir das lideranças regionais que a sua candidatura à Presidência atrapalha o partido nos estados.

"Ele [Doria] terá duas alternativas: o gesto de grandeza política de desistir de sua candidatura ou permanecer neste enfrentamento", disse o mineiro.

Apresentação de pesquisa contratada pela terceira via será nesta quarta-feira

Segundo Bruno Araújo, o encontro entre PSDB, Cidadania e MDB para apresentação da pesquisa contratada para definição da candidatura única está mantida para esta quarta-feira (18). A Executiva do PSDB, no entanto, espera se reunir com Doria antes da apresentação dos resultados. O pré-candidato ainda não confirmou presença.

"Nós não podemos dar nenhum passo sem essa conversa [com Doria]. A expectativa é de que possamos ter amanhã esse diálogo com muito respeito e entendendo ele [Doria] com muito respeito", completou Araújo.

As pesquisas, encomendadas pelos partidos da terceira via, foram realizadas no último final de semana pelo Instituto Guimarães Pesquisa e Planejamento. Os critérios das pesquisas foram apresentados pelo MDB e acatados por PSDB e Cidadania. Doria tentou protagonizar as negociações, mas acabou isolado e viu alguns de seus aliados darem carta branca para que o presidente do PSDB, Bruno Araújo, ficasse à frente das negociações.

Doria questiona desempenho de Tebet nas pesquisas eleitorais

Antes do encontro da Executiva do PSDB, a equipe de Doria disparou um comunicado em que defende o favoritismo do tucano em comparação ao desempenho de Tebet. "Se os números apresentados repetirem o que vem sendo registrado pelas últimas pesquisas eleitorais, Doria terá vantagem sobre a pré-candidata do MDB, Simone Tebet. O tucano registra maior intenção de voto e menor rejeição que a concorrente", informou.

No último levantamento Ipespe, divulgado em 13 de maio, Doria registrou 3% das intenções de voto, ante 1% de Tebet. "Uma análise sobre a pesquisa Ipespe mostra que ente os eleitores que conhecem Simone Tebet, seu índice de rejeição é de 68%. Entre os eleitores que conhecem João Doria, seu índice de rejeição é de 59%", informou a equipe de Doria.

Defesa de Doria pode ir ao TSE questionar decisão da Executiva do PSDB 

Em meio ao movimento da cúpula do PSDB, a defesa de João Doria já se prepara para uma reação jurídica contra a decisão da Executiva Nacional. O paulista já havia se queixado sobre os critérios adotados nas pesquisas contratadas pelo partidos.

Aliados e adversários de Doria sinalizam que os critérios definidos podem beneficiar o nome de Tebet. A senadora inclusive, já vinha angariando apoio dentro do PSDB. No grupo, a avaliação era de que a emedebista teria mais capacidade de agregar o apoio de outras lideranças, enquanto Doria é visto com mais resistências dentro de outros partidos.

Em resposta, a defesa de Doria já sinaliza que pode entrar com uma ação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o resultado das prévias do PSDB sejam respeitadas. O tucano venceu a disputa interna no final do ano passado contra o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite e o ex-senador do Amazonas Arthur Virgílio.

"Apesar de termos vencido legitimamente as prévias [do PSDB], as tentativas de golpe continuaram acontecendo. As desculpas para isso são as mais estapafúrdias, como, por exemplo, a de que estaríamos mal colocados nas pesquisas de opinião pública e com altos índices de rejeição, cinco meses antes das eleições", escreveu o ex-governador paulista.

Questionado sobre a possibilidade de Doria judicializar a questão, Bruno Araújo afirmou que a medida seria um gesto da "antipolítica". "Um partido judicializa contra outro. O perdedor judicializa contra o ganhador. O processo de judicialização interna é uma antipolítica. Nós apostamos no diálogo", afirmou o presidente do PSDB.

Em meio à crise no PSDB, Tebet mantém pré-candidatura

Alheia à crise no PSDB, a senadora Simone Tebet manteve sua série de agendas como pré-candidata do MDB. Dentro da cúpula emedebista, a avaliação é de que a pré-candidatura dela será mantida mesmo com o possível desembarque do PSDB.

Nesta segunda-feira (16), Tebet disse que seguirá em campanha mesmo na hipótese de Doria judicializar o resultado das pesquisas encomendadas pela terceira via.

“Nós aceitamos as regras do jogo e amanhã temos o resultado dela. Se porventura o meu nome for indicado, eu serei pré-candidata pelo meu partido, independente de outros partidos se somarem conosco ou não”, afirmou em palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Metodologia de pesquisa citada na reportagem

A pesquisa Ipespe foi realizada por telefone entre os dias 10 e 11 de maio de 2022, a pedido da XP Investimentos. A amostragem é de mil eleitores brasileiros, com margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança é de 95,5%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02603/2022.

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