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Bolsonaro
Duplicação de palanques nos estados, escolha do vice, reforma ministerial e reajuste de servidores são alguns dos problemas que o presidente Jair Bolsonaro precisa resolver antes das eleições.| Foto: Alan Santos/PR

Candidato declarado à reeleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) precisa resolver alguns impasses dentro e fora do seu governo antes de entrar de cabeça na campanha eleitoral. São pelo menos quatro "abacaxis" na mesa do atual chefe do Palácio do Planalto: acomodar a candidatura de aliados nos estados, fazer a escolha do melhor nome para vice em sua chapa, tocar uma reforma ministerial tampão e ainda achar solução para a crise por aumento salarial no funcionalismo público federal.

O que mais deve dar dor de cabeça a Bolsonaro é a costura política para evitar mais de um palanque no mesmo estado. Ministros e parlamentares aliados disputam o apoio do presidente em prol de suas pré-candidaturas. De acordo com assessores palacianos, Bolsonaro tem sinalizado que não pretende interferir diretamente nas escolhas e que a melhor alternativa é que os pré-candidatos resolvam entre si.

É o caso da disputa pela única vaga ao Senado pelo Rio Grande do Norte, cobiçada pelos ministros Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Fábio Faria (Comunicações). Depois de assinar sua filiação ao PL no mesmo dia que Bolsonaro, Marinho começou a articular sua candidatura junto a lideranças locais, o que, segundo interlocutores, pode esvaziar a candidatura de Faria no estado.

O Rio Grande do Norte ainda não conta com um pré-candidato ao governo estadual diretamente ligado ao presidente Bolsonaro, mas Marinho tem usado seu período de férias para viabilizar o nome do prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB). Mesmo com a candidatura de João Doria (PSDB) ao Palácio do Planalto, a ideia é que Dias abra palanque para o ministro do Desenvolvimento Regional no estado. Antes de ingressar no PL, Rogério Marinho foi filiado ao PSDB e deixou o ninho tucano depois que a sigla passou a fazer oposição ao governo Bolsonaro.

Por outro lado, o entorno de Fábio Faria diz que a decisão sobre a candidatura ao Senado no estado será definida pelas pesquisas. O ministro das Comunicações pretende deixar o PSD para se filiar ao PP. No entanto, isso só deve ocorrer a partir de março, no período da janela partidária. Faria é deputado federal licenciado. Por causa disso, aliados acreditam que Marinho sai em vantagem, já que terá acordos costurados com os partidos locais.

Outra divisão entre aliados ocorre no Rio Grande do Sul, onde o ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, e o senador Luiz Carlos Heinze (PP) pretendem concorrer ao Palácio Piratini. “Sou candidato e o presidente sabe disso, e ele não pretende preterir alguém em função do outro. Lá na frente, as coisas podem ser acertadas. Ambos somos pré-candidatos”, admitiu Heinze.

Lorenzoni vai deixar o DEM, que está em processo de fusão com o PSL para criação do União Brasil, e se filiar ao PL. Uma alternativa estudada pelos aliados de Lorenzoni é que Heinze assuma algum ministério do governo Bolsonaro a partir de abril. Com mandato de senador até 2026, Heinze ficaria de fora da corrida pelo governo estadual e não dividiria votos com Lorenzoni.

Outra disputa ocorre em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país e considerado estado-chave para uma eventual reeleição. Bolsonaro convenceu o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, a disputar o governo do estado. Mas o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, deseja se candidatar também e conta com o apoio do eleitorado mais raiz de Bolsonaro. No fim das contas, o movimento pode dividir os votos da direita paulista e prejudicar ambos os candidatos.

Líderes pressionam Bolsonaro para antecipar reforma ministerial

Com a expectativa de que ao menos 11 dos seus 23 ministros saiam como candidatos em 2022, Bolsonaro terá que promover uma reforma ministerial no máximo até o final de março. A legislação eleitoral obriga que ministros que desejam disputar eleição sejam afastados dos cargos ao menos seis meses antes do primeiro turno.

De acordo com integrantes do Planalto, a escolha dos ministros substitutos já é alvo de disputas entre líderes do Centrão e integrantes do governo. Por um lado, os atuais ministros pleiteiam o direito de indicar os substitutos, como no caso do Ministério da Infraestrutura, onde o secretário-executivo Marcelo Sampaio deve assumir o lugar de Tarcísio de Freitas. O titular é pré-candidato ao governo de São Paulo.

Na contramão, integrantes do Centrão pleiteiam assumir as vagas nos ministérios e trabalham para que algumas trocas sejam antecipadas por Bolsonaro. Recentemente, por exemplo, líderes da base governista pressionaram para que a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, fosse substituída ainda em janeiro, o que foi descartado por Bolsonaro. Arruda é filiada ao PL e vai disputar uma cadeira do Senado pelo Distrito Federal.

"Já começamos a pensar em nomes, alguns já estão mais do que certos. Não quero falar agora, porque vai começar uma ciumeira: por que ele e não eu? E ciúme de homem é pior do que mulher", disse Bolsonaro na última semana.

Busca pelo vice ideal tira o sono do presidente

Paralelamente, Bolsonaro e seus aliados ainda trabalham na escolha de um nome para assumir como vice na chapa presidencial. Segundo integrantes do Planalto, o presidente tem sido cauteloso nessa escolha e o nome deve ser alguém de sua confiança, que deverá se filiar a um partido do Centrão membro da sua base governista.

“Se você anuncia um vice muito cedo, de tal partido, os outros ficam chateados contigo”, disse Bolsonaro durante sua última viagem para as festas de fim de ano. Por enquanto, o nome favorito nas bolsas de aposta é a da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que deve deixar o DEM para ingressar no PP.

Correm por fora a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves; o ministro da Defesa, general Braga Netto; e o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, nome forte do PP e do Centrão. A escola é tão difícil que Bolsonaro já chegou a afirmar publicamente que não descarta repetir a dobradinha com o atual vice-presidente Hamilton Mourão.

Reajuste de servidores vira dor de cabeça para Bolsonaro

Outro impasse para o presidente Jair Bolsonaro diz respeito ao reajuste de salário para servidores federais. Depois de prometer e articular com o Congresso um aumento para policiais, outras categorias federais, como os auditores da Receita, começaram a cobrar isonomia no reajustes de salários. Sem espaço fiscal, o Ministério da Economia trabalha para que o presidente vete a medida.

Até o momento, ao menos 19 categorias de servidores protestam e paralisam as atividades para elevar a pressão contra o Palácio do Planalto. De acordo com o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), outras manifestações como as que ocorreram neste terça-feira (18), em Brasília, devem se repetir nos dias 25 e 26 de janeiro.

Nos bastidores, aliados do Planalto defendem que Bolsonaro recue da promessa feita a policiais e que os salários de todos os servidores federais não sejam reajustados neste ano. No entanto, a medida deve causar desgaste ao presidente, o que na avaliação de aliados ampliaria a desaprovação do governo.

Nesta semana, Bolsonaro disse que não há decisão tomada sobre reajuste de servidores públicos. Ele destacou que não há aumento garantido para nenhuma categoria.

"Primeiramente, não está garantido o reajuste pra ninguém. Tem uma reserva de R$ 2 bilhões, que você pode usar. Poderia ser usado para PF [Polícia Federal], PRF [Polícia Rodoviária Federal] e também o pessoal do sistema prisional, mas não está nada garantido”, disse.

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