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Pré-campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) espera arrecadar doações e desafogar recursos para as pré-candidaturas da base governista| Foto: Alan Santos/Palácio do Planalto

A quatro meses das eleições, o núcleo de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) ampliou a articulação no intuito de conter a escalada de preços e assim ampliar a viabilidade eleitoral do chefe do Executivo. Até o momento, levantamentos dos principais institutos de pesquisas apontam que a percepção sobre a economia no Brasil por parte do eleitorado irá influenciar nas eleições deste ano.

A mais recente pesquisa divulgada pelo instituto Quaest mostrou que para 44% dos entrevistados a economia é o principal problema do Brasil atualmente. Já questões relacionadas à saúde ou pandemia, que aparecem em segundo lugar, somaram 15%.

Em relação aos números econômicos, 23% responderam que a inflação é o principal problema do país. Outros 12% citaram a crise econômica, enquanto 9% apontaram o desemprego. Do total dos entrevistados, 56% responderam ainda que a situação econômica do país "influencia muito" na hora do voto. Outros 20% dizem que "não influencia"; 11% "influencia pouco"; 10% influencia "mais ou menos" e 4% não sabem ou não responderam.

Ainda de acordo com o levantamento, 63% dos entrevistados afirmaram que houve uma piora da economia do país nos últimos 12 meses. Outros 21% consideram que a situação ficou do mesmo jeito e 15% avaliam que melhorou. Não souberam ou não responderam representam 1%.

Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, desacelerou para 0,47%, após alta de 1,06% em abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses, o IPCA passou a acumular alta de 11,73%, contra o 12,13% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. No ano, os preços ao consumidor subiram em média 4,78%.

Campanha de Bolsonaro busca alternativa para aumento nos preços 

Na busca por conter a subida de preços, o Palácio do Planalto conseguiu aprovar nesta semana no Senado Federal um projeto que limita as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidentes sobre combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo. O texto, que agora vai voltar à Câmara dos Deputados, inclui esses itens na lista de bens e serviços essenciais.

De acordo com o levantamento da Quaest, 28% dos entrevistados apontaram o presidente Bolsonaro como principal responsável pelo aumento dos combustíveis no Brasil – ele foi o mais citados entre as opções que constam na pesquisa: governadores, Petrobras, guerra Rússia-Ucrânia, alta do dólar, mercado internacional e proprietários dos postos. Na avaliação de integrantes do governo, os sucessivos reajustes nos preços da gasolina, por exemplo, contribuem para o aumento da inflação, o que tem afetado negativamente a popularidade do governo.

Essa mesma percepção foi apontada pelo levantamento do instituto PoderData de junho, onde para 42% dos eleitores o presidente Bolsonaro é o principal responsável pela alta de preços no Brasil. Já para 18% dos entrevistados a culpa da inflação alta é dos governadores. Outros 13% citam a pandemia da Covid-19 como a principal responsável, enquanto a guerra na Ucrânia é mencionada por 8%.

Na estratificação, as mulheres (48%), os eleitores com ensino superior (56%) e os que moram no Nordeste (53%) e no Centro Oeste (49%) são os que mais responsabilizam Bolsonaro pelo cenário econômico. Já entre os que aprovam o governo Bolsonaro, 30% culpam os governadores pelo cenário econômico. O argumento dos apoiadores é o mesmo defendido pelo presidente em suas declarações.

"Tem, sim, a inflação no Brasil subiu bastante. O preço dos produtos da cesta básica subiu bastante. Agora como é que começou isso daí? Começou com a pandemia, mas não culpa do vírus, culpa de governadores", disse o presidente na última segunda-feira (13), em entrevista à rádio CBN Recife.

Lula tem preferência entre eleitores endividados e mais impactados pela inflação

Na mesma linha, levantamento mais recente do instituto FSB Pesquisa mostrou que o consumo dos brasileiros diminuiu por conta da inflação. De acordo com a pesquisa, 55% dos entrevistados afirmaram que deixaram de comprar carne vermelha nos últimos três meses, enquanto 35% disseram que deixaram de comprar frutas, legumes e verduras. Outros 44% informam ainda que deixaram de abastecer seus veículos no mesmo período.

Para evitar um novo reajuste nos combustíveis, por exemplo, o governo articula para que a Petrobras mantenha os preços atuais pelo menos até a aprovação final dos projetos que tramitam no Congresso para reduzir o ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha. A estatal já sinalizou que a defasagem de preços em relação ao mercado internacional está subindo, o que a obrigaria a fazer reajustes no mercado interno.

Além disso, a pesquisa mostrou que 55% dos entrevistados atrasaram algum tipo de conta nos últimos três meses. Na média, cada pessoa deixou de pagar em dia ao menos duas contas mensais. Da lista, o principal atraso (38%) ocorreu em relação a fatura do cartão de crédito, seguindo pela conta de luz (35%) e pela conta de telefone fixo e celular (33%).

Cruzando esses dados com as informações de voto, a pesquisa mostra que há uma preferência mais acentuada por Lula entre as pessoas que estão com mais dificuldades financeiras. Entre os eleitores que deixaram de consumir mais de seis itens listados na pesquisa , 68% disseram que votariam no petista e 9% declararam voto em Bolsonaro. Já entre os que não deixaram de consumir nada, o presidente tem a preferência de 78%, enquanto Lula tem apenas 11%.

O mesmo padrão é observado entre os eleitores endividados: entre os que têm mais de seis contas em atraso, 67% disseram que votariam em Lula; Bolsonaro tinha apenas 10% da preferência deste grupo. Entre os que não atrasaram contas, o presidente é o preferido de 50%, quase o dobro do percentual do petista (26%).

Além do projeto que reduz o ICMS, Bolsonaro anunciou em abril o fim da chamada bandeira vermelha na conta de luz em todo o país. A expectativa do Palácio do Planalto é de que a medida vigore até dezembro e impacte em uma redução de até 20% nas contas de energia.

"Com a redução da geração termelétrica mais cara e o aumento da produção das hidrelétricas e das demais fontes renováveis, os custos serão menores durante o próximo período seco, que vai de maio a novembro, o que se traduzirá em menores tarifas para os consumidores", defendeu Bolsonaro.

Segundo a pesquisa, o presidente também parece ter dificuldade com o eleitor que recebe o Auxílio Brasil. Dos entrevistados para a pesquisa da FSB, 8% disseram receber o auxílio. E entre eles, 64% declararam que votariam em Lula. Bolsonaro tinha 21% das intenções de voto. Entre os que não recebem (84% dos entrevistados), a vantagem do petista era menor: 41% de Lula contra 35% do presidente.

Lula aposta em agenda econômica para rivalizar com campanha de Bolsonaro

Na campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principal adversário de Bolsonaro na disputa, a avaliação também é de que a pauta econômica será o principal ponto da disputa presidente. Com isso, a articulação petista pretende ampliar os discursos de Lula como forma de se contrapor ao atual presidente.

Recuperado da Covid-19, Lula aproveitou uma entrevista nesta terça-feira (14) para falar sobre os índices de inflação e das taxas de juros. "O governo não tem coragem de assumir a responsabilidade de reconhecer que ele é o responsável pelo aumento dos preços. Esse aumento da gasolina, do óleo diesel, do gás e da energia elétrica representa 50% da inflação", disse o petista à rádio Vitoriosa de Uberlândia (MG).

Na mesma entrevista, Lula criticou a privatização da Eletrobras, alegando que a venda da estatal "não irá reduzir a conta de luz". "O seu Bolsonaro fica jogando a culpa nos governadores porque não tem coragem de assumir que é o papel do presidente. Aí agora resolve que vai privatizar a Eletrobras, dizendo que vai baratear a conta de luz. Não vai baratear", completou Lula.

Metodologia de pesquisas citadas na reportagem

A pesquisa Quaest, encomendada pelo banco Genial, ouviu 2 mil eleitores entre os dias 02 e 05 de junho de 2022. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR- 03552/2022. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O levantamento PoderData foi realizado de 5 a 7 de junho de 2022, e ouviu 3 mil eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-01975/2022.

O Instituto FSB Pesquisa ouviu, por telefone, 2 mil eleitores entre os dias 10 e 12 de junho de 2022. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi encomendada pelo banco BTG Pactual e está registrada no TSE com o protocolo BR-03958/2022.

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