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Caso Master

13 eleitos em 2026 que aparecem em registros ligados a Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro
Os políticos aparecem em documentos, registros de viagens, negócios, articulações ou outros registros relacionados ao Master ou ao Vorcaro. (Foto: SAP-SP/EFE)

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Treze políticos eleitos nas eleições de 2026 aparecem em documentos, registros de viagens, negócios, articulações políticas ou outros registros relacionados ao Banco Master ou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A lista reúne situações de naturezas diferentes: há políticos citados diretamente em relatórios da Polícia Federal (PF), nomes que aparecem em documentos apreendidos, parlamentares que mantiveram contato ou participaram de viagens e encontros com Vorcaro e agentes públicos envolvidos em decisões relacionadas ao banco.

Jaques Wagner

O senador reeleito Jaques Wagner (PT-BA) é um dos políticos que aparecem de forma mais direta nos documentos da Polícia Federal relacionados ao Banco Master.

A PF identificou 74 ligações entre o petista e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master. As conversas, realizadas entre novembro de 2023 e maio de 2025, somaram cerca de cinco horas e meia.

A relação entre Wagner e Lima começou antes da sociedade do empresário com Vorcaro.

Em 2018, quando Wagner ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Lima arrematou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal responsável pela rede Cesta do Povo, durante o governo de Rui Costa (PT).

A partir da aquisição, Lima estruturou o Credcesta, cartão de crédito consignado voltado aos servidores públicos estaduais.

O governo baiano permitiu que o Credcesta oferecesse empréstimos consignados a cerca de 400 mil servidores, pensionistas e aposentados, com exclusividade de operação por 15 anos e juros próximos de 5% ao mês.

Em 2019, Lima levou o Credcesta para o então Banco Voiter e, em 2020, tornou-se sócio de Vorcaro no Master.

Os relatórios da PF apontaram ainda quatro frentes em que a atuação de Wagner teria coincidido com interesses do grupo Master: ampliação do crédito consignado, mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), negociações para a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB) e regulamentação do mercado de créditos de carbono.

"Emenda Master"

Um dos episódios envolve a chamada “emenda Master”, relacionada à PEC 65/2023.

Segundo a PF, Augusto Lima encaminhou a Wagner documentos sobre a proposta depois de reuniões no gabinete do senador.

O interesse do banco estaria relacionado a uma emenda que aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC.

Mensagens analisadas pelos investigadores mostram Vorcaro avaliando que a medida poderia ampliar significativamente os negócios do banco.

A investigação também encontrou registros de aeronaves utilizadas por Wagner, tratativas sobre um apartamento de aproximadamente R$ 2,45 milhões em Salvador e transferências para uma empresa ligada à família do senador.

A PF avalia esses elementos no contexto de uma possível troca de vantagens econômicas por atuação política.

Wagner negou irregularidades. A defesa afirma que o senador prestou os esclarecimentos necessários e contesta as conclusões da investigação. Após a divulgação dos documentos, ele deixou a liderança do governo Lula no Senado.

Rui Costa

O senador eleito Rui Costa (PT-BA) aparece no caso principalmente pela origem do Credcesta e pelas decisões administrativas tomadas durante seu período como governador da Bahia.

A privatização da Ebal ocorreu em 2018, durante a gestão de Rui Costa.

Augusto Ferreira Lima arrematou a estatal por cerca de R$ 15 milhões e assumiu seus passivos.

A partir da aquisição, transformou o cartão ligado à Cesta do Povo em uma operação de crédito consignado. O Credcesta acabou integrado aos negócios que aproximaram Lima do Banco Master.

Outro ponto investigado envolve um decreto assinado por Rui Costa em janeiro de 2022.

A norma restringiu as possibilidades de portabilidade dos empréstimos consignados do Credcesta, dificultando a migração dos contratos para outras instituições financeiras.

A medida ampliou a exclusividade do Master sobre as operações do programa.

O Ministério Público da Bahia também entrou em uma disputa judicial relacionada ao modelo de operação do Credcesta.

Servidores questionaram a concentração das operações e buscaram alternativas para migrar seus contratos para outros bancos.

O nome de Rui Costa também apareceu em uma lista de possíveis presentes de fim de ano elaborada por Augusto Lima.

A anotação, no entanto, não comprova que o senador tenha recebido qualquer presente ou vantagem.

Rui Costa nega favorecimento ao Banco Master. Em manifestação divulgada anteriormente, afirmou que “em hipótese nenhuma houve benefício ao Master” e argumentou que o banco sequer existia com essa estrutura quando ocorreu a venda da Cesta do Povo.

Jerônimo Rodrigues

O governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), aparece em registros relacionados ao Credcesta e em uma lista de possíveis presentes preparada por Augusto Lima.

Jerônimo assumiu o governo baiano em 2023 e manteve a estrutura do Credcesta, criada durante gestões anteriores do PT.

O programa passou a operar como cartão de crédito consignado para servidores estaduais e acabou relacionado à expansão dos negócios de Augusto Lima, que posteriormente se tornou sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

A PF não aponta Jerônimo como investigado na Operação Compliance Zero. Na eleição de 2026, o caso Master apareceu como um dos temas centrais da disputa pelo governo da Bahia, justamente em razão das relações de aliados de Jerônimo com o empresário Augusto Lima.

O governo baiano informou que o Credcesta está sob administração privada desde 2018 e que o contrato relacionado ao programa estava sob análise.

Hugo Motta

Reeleito deputado federal pela Paraíba, Hugo Motta (Republicanos-PB) aparece em mensagens encontradas pela PF no celular de Daniel Vorcaro e em registros de relações pessoais e negociais com o banqueiro.

Em uma das principais frentes, a PF encontrou mensagens que indicam que Motta teria intermediado um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões do Banco Master para uma empresa controlada por sua cunhada, Bianca Medeiros. A operação ocorreu em março de 2024.

O caso chamou atenção pelas condições da operação. Sete dias antes da assinatura do empréstimo, Bianca havia adquirido a totalidade das cotas da ETC Participações.

A empresa tinha capital social de R$ 100 mil e usou as próprias cotas recém-adquiridas como garantia para o empréstimo de R$ 22 milhões.

Os recursos foram utilizados na compra de uma área de mais de 400 hectares em João Pessoa, onde funcionava uma antiga fábrica de cimento. A família de Motta pretendia desenvolver um empreendimento imobiliário no local.

Mensagens posteriores mostram Motta e Vorcaro conversando sobre negócios imobiliários da cunhada do deputado, inclusive sobre a aquisição de uma área em João Pessoa.

Os diálogos também registram Motta agradecendo ao banqueiro pela ajuda e tratando de uma viagem em jatinho.

Outro episódio envolve uma viagem a Portugal. Motta admitiu que viajou às custas de Vorcaro e afirmou que recebeu o convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para participar de um evento.

Motta nega irregularidades. O deputado afirmou que não intermediou o empréstimo e que não responde pelas ações de terceiros.

Em relação aos contatos com Vorcaro, disse que não houve ilegalidade e que o contrato do empréstimo ocorreu antes do surgimento das investigações sobre o Master.

Antonio Rueda

O deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro Antonio Rueda (União Brasil-RJ) aparece em registros financeiros, profissionais e políticos ligados ao Banco Master.

Dados enviados às autoridades indicam que o Master repassou R$ 6,4 milhões a dois escritórios ligados a Rueda.

O político inicialmente descreveu sua relação com Vorcaro como social, mas posteriormente reconheceu que seus escritórios prestaram serviços jurídicos para empresas do grupo.

Rueda afirma que os pagamentos correspondem a serviços efetivamente prestados, como audiências, pareceres e acordos.

O nome de Rueda também aparece no contexto das articulações para a venda do Banco Master ao BRB.

Segundo as investigações, ele teria atuado como interlocutor político em Brasília nas negociações que envolveram a operação, posteriormente barrada pelo Banco Central.

Registros também apontaram que Vorcaro disponibilizou aeronave para Rueda e familiares em viagem internacional. O episódio integra o conjunto de relações pessoais investigadas no entorno do banqueiro.

Uma proposta de delação de Vorcaro, rejeitada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, também citou Rueda e ACM Neto.

Segundo o relato atribuído ao banqueiro, os dois teriam recebido 10% de aportes realizados por fundos de previdência no Master. A delação não foi homologada, e Rueda nega as acusações.

Dr. Luizinho

Reeleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, Dr. Luizinho (PP-RJ) aparece em registros de encontros sociais e articulações políticas relacionadas ao entorno de Daniel Vorcaro.

O parlamentar participou de eventos que reuniram políticos e o banqueiro, incluindo uma degustação de uísques e charutos em Nova York e um jantar em Lisboa, segundo reportagens sobre os encontros.

O nome de Dr. Luizinho também apareceu em um manuscrito apreendido pela Polícia Federal na casa do senador Ciro Nogueira.

A anotação reunia nomes de políticos acompanhados por números. O documento, porém, não explica o significado dos valores e não comprova pagamento ou vantagem.

Dr. Luizinho também participou de articulações no Congresso em torno de uma proposta que ampliava o poder do Legislativo sobre o Banco Central.

A iniciativa permitiria ao Congresso retirar diretores da autoridade monetária e ganhou força no período em que o BC analisava a compra do Master pelo BRB.

Claudio Cajado

Reeleito deputado federal pela Bahia, Claudio Cajado (PP-BA) aparece principalmente no contexto das articulações no Congresso envolvendo o Banco Central.

Em setembro de 2025, pouco antes de o Banco Central barrar a aquisição do Master pelo BRB, Cajado apresentou requerimento de urgência para acelerar a tramitação de um projeto que permitia ao Congresso destituir presidentes e diretores do Banco Central. A proposta recebeu apoio de líderes de seis partidos.

A proposta estava parada havia anos e ganhou impulso justamente enquanto o Banco Central analisava a operação entre BRB e Master.

O movimento provocou críticas de autoridades econômicas, que apontaram risco de pressão política sobre a autoridade monetária.

Cajado também relatou a chamada PEC da Blindagem, proposta que ampliava o foro privilegiado de dirigentes partidários. O texto avançou na Câmara sob a presidência de Hugo Motta, mas acabou rejeitado pelo Senado.

O deputado negou relação entre essas iniciativas e o caso Master.

Isnaldo Bulhões

Reeleito deputado federal por Alagoas, Isnaldo Bulhões (MDB-AL) aparece em registros de uma viagem realizada em agosto de 2025 no mesmo avião utilizado por Daniel Vorcaro.

Registros de entrada em um hangar de aviação executiva no Aeroporto de Brasília apontaram a presença de Vorcaro, Ciro Nogueira, Isnaldo Bulhões, Rodrigo Gambale, Fábio Faria e Bruno Bianco. A aeronave seguiu de Brasília para São Paulo.

Bulhões também aparece em um manuscrito apreendido pela PF na casa de Ciro Nogueira, que reunia nomes de políticos e números.

Assim como nos demais casos relacionados ao documento, a anotação não esclarece o significado dos valores nem comprova pagamento.

Marcos Pereira

Reeleito deputado federal por São Paulo, Marcos Pereira (Republicanos-SP) aparece em reportagens sobre um encontro realizado em Londres em abril de 2024, patrocinado pelo Banco Master e financiado por Daniel Vorcaro.

O evento reuniu políticos, empresários e outras pessoas do círculo de relacionamento do banqueiro para uma degustação de uísques e charutos. Reportagens colocaram Pereira entre os participantes.

O deputado negou ter participado do encontro. De acordo com Pereira, ele só teria "passado em frente" ao local do evento.

Rodrigo Gambale

Reeleito deputado federal por São Paulo, Rodrigo Gambale (Podemos-SP) aparece em registros de uma viagem realizada em 28 de agosto de 2025.

O deputado estava no mesmo avião que Daniel Vorcaro, Ciro Nogueira, Isnaldo Bulhões, Fábio Faria e Bruno Bianco.

Os registros de entrada no hangar indicam que o grupo embarcou em Brasília para seguir a São Paulo.

Gambale afirmou que não conhecia Vorcaro e que não sabia que o banqueiro estava no mesmo voo. Segundo o deputado, sua presença na aeronave ocorreu por causa de outro grupo de passageiros.

Thiago Manzoni

Eleito deputado federal pelo Distrito Federal, Thiago Manzoni (PL-DF) aparece no contexto do Banco Master por sua atuação institucional relacionada ao BRB.

Quando ainda ocupava mandato na Câmara Legislativa do Distrito Federal, Manzoni participou da votação que autorizou o Banco de Brasília a adquirir participação no Banco Master. O Banco Central posteriormente rejeitou a operação.

Depois da crise envolvendo a operação, Manzoni passou a cobrar explicações sobre a situação financeira do BRB e sobre as circunstâncias da tentativa de aquisição.

Em março de 2026, ele apresentou requerimento para convocar o presidente do BRB e o secretário de Economia do Distrito Federal a prestarem esclarecimentos sobre a operação fracassada e as investigações envolvendo o Master.

Também houve iniciativa para criar uma CPI na Câmara Legislativa destinada a investigar as negociações e operações realizadas entre BRB e Master.

JHC

Eleito governador de Alagoas, João Henrique Caldas, o JHC (PSDB-AL), aparece no caso Master por causa de investimentos realizados pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) durante sua gestão como prefeito da capital.

O Iprev aplicou R$ 97 milhões em Letras Financeiras do Banco Master entre dezembro de 2023 e maio de 2024.

A primeira operação, de R$ 80 milhões, ocorreu em 6 de dezembro de 2023. A segunda, de R$ 17 milhões, ocorreu em 13 de maio de 2024. A Polícia Federal investiga possíveis irregularidades nas aplicações.

A investigação também analisa as condições em que os aportes ocorreram.

Relatórios apontam questionamentos sobre a habilitação do banco para receber recursos previdenciários no primeiro investimento, a concentração dos recursos e os procedimentos técnicos utilizados pelo instituto.

JHC afirma que não participou da decisão de investir os recursos e atribui a responsabilidade pela aplicação à estrutura técnica do Iprev.

O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) depois que autoridades judiciais apontaram possível envolvimento do então prefeito e remeteram a investigação à Corte.

Arthur Lira

Eleito senador por Alagoas, Arthur Lira (PP-AL) aparece em um manuscrito apreendido pela Polícia Federal na casa do senador Ciro Nogueira.

O documento reúne nomes de políticos acompanhados de números. Entre as anotações aparece o nome “Arthur”, que investigadores avaliaram como possível referência ao ex-presidente da Câmara.

A PF analisou a possibilidade de que os números representassem valores financeiros, mas o documento não esclarece quem fez as anotações, a que se referem os valores ou se houve qualquer pagamento.

O nome de Lira também aparece no contexto mais amplo das relações políticas de Vorcaro em Brasília. Reportagens sobre a rede de influência do banqueiro citam Lira entre os parlamentares que mantiveram trânsito com o controlador do Master.

Lira nega qualquer qualquer relação ou irregularidade envolvendo Daniel Vorcaro.

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