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A eleição de 2026 para presidente da República se desenha para ser disputada, de fato, por apenas dois candidatos: Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Assim como ocorreu nos dois últimos pleitos, a eleição deverá ser decidida muito mais pela rejeição do que pelas intenções de voto em cada um deles.
Ambos caminham nessa pré-campanha — a campanha oficial começa somente em agosto — com taxas de rejeição que beiram ou ultrapassam metade do eleitorado, de acordo com pesquisas Datafolha e Quaest dos últimos meses. Ou seja, quem tiver menos rejeição tende a vencer nas urnas em outubro.
Lula convive com uma rejeição significativa há anos, incluindo o embate contra Jair Bolsonaro (PL) em 2022, em um cenário parecido com o atual. A repulsa a Flávio, porém, é nova e partiu já em níveis altos quando anunciou a pré-candidatura no fim de 2025. E ao contrário de Lula, que se mantém praticamente no mesmo patamar, o senador tem o desafio de não ver a rejeição aumentar nos próximos meses.
No histórico das pesquisas eleitorais da Quaest deste ano, Flávio e Lula estão próximos no item “conhece e não votaria”, apesar de ligeira desvantagem para o parlamentar do PL. Ele tem 56% nesse ponto, enquanto o petista tem 53%. A diferença é que a rejeição de Flávio chegou a diminuir em abril, mas voltou a subir em maio e atingiu o maior patamar até agora (56%).
Os detalhes sobre a rejeição aos pré-candidatos a presidente da República, conforme medição da Quaest, podem ser conferidos no gráfico abaixo:

Um movimento parecido foi captado pelo Datafolha — a série de pesquisas do instituto começou em março. Naquele mês, Flávio tinha uma rejeição de 45% e em junho esse índice subiu para 48%. Por sua vez, Lula chegou a oscilar para cima e baixo, mas manteve o mesmo degrau.
No gráfico abaixo, a evolução do índice de rejeição conforme o Datafolha:

Desafio de Flávio Bolsonaro e Lula é conquistar eleitores independentes
Em uma eleição polarizada, os apoiadores de cada candidato estão garantidos na conta. O desafio maior é furar a bolha, reduzir a rejeição e e conquistar o voto dos eleitores que não se identificam com nenhum dos lados, aqueles que se consideram independentes.
“A rejeição é que comanda fortemente a eleição. Desde 2018, quando começou a polarização, a competição se transformou em quem consegue menor rejeição. E a tentativa agora é de reduzir essa rejeição até a eleição”, avalia o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino.
Os acenos que Flávio e Lula façam a essa porção do eleitorado deverão ter impacto no resultado, especialmente se a disputa de fato caminhar para ser decidida por uma diferença pequena de votos, como ocorreu em 2022, quando Lula venceu Jair Bolsonaro com 2.139.645 votos a mais.
“Quem, no momento da campanha, acabar convencendo esse setor independente, acaba levando a eleição. Porque quando o eleitor para de rejeitar, o voto começa a caminhar para um dos dois lados”, aponta o cientista político Mário Sérgio Lepre. “Todos os movimentos feitos daqui para frente vão acabar fazendo com que o independente olhe mais para um lado e menos para o outro”, acrescenta.
Flávio herda rejeição do pai e tenta não perder apoio em sua base
Ao se lançar pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro herdou do pai os apoiadores, mas também os críticos dele. Isso significa que a rejeição a Jair Bolsonaro foi transferida de forma natural para o filho, o que coloca um desafio extra ao senador nos meses que faltam para o pleito.
Esse desafio vai além de tentar evitar o crescimento da rejeição de seu nome no eleitorado de centro ou independente. Ele está também na tarefa de manter a base de apoio aglutinada, para que não haja perdas residuais que eventualmente façam a diferença nas urnas.
Leandro Consentino comenta que conflitos dentro da base podem ter efeito significativo no desempenho eleitoral. Ele cita, por exemplo, o vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) criticando o enteado por diferenças na condução de apoios estaduais.
“O conflito com a Michelle é um conflito dentro da bolha. E ele pode acabar colhendo uma rejeição que não teria dentro da direita. Ele entrou em rota de colisão contra quem poderia estar do lado dele”, alerta o professor do Insper.
Metodologia das pesquisas citadas
- Quaest 10/6/2026: A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-07661/2026.
- Datafolha 7/3/2026: Pesquisa Datafolha realizada presencialmente com 2004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios pelo Brasil entre os dias 3 e 5 de março. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-03715/2026.
- Datafolha 20/6/2026: 2.004 entrevistados pelo Datafolha entre os dias 17 e 19 de junho de 2026. A pesquisa foi contratada pela Folha da Manhã S/A. O nível de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Registro no TSE nº BR-09956/2026.









